A vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno das eleições é improvável, afirma Silvio Cascione, diretor da Eurasia Brasil, durante congresso Mercado de Capitais no Desenvolvimento do Brasil, promovido pela B3 e Anbima.
A hipótese de Lula vencer a disputa pelo Planalto sem precisar passar por um segundo round baseia-se nos resultados de algumas pesquisas eleitorais que mostram o ex-presidente com quase 50% das intenções de votos. Para vencer em primeiro turno, um candidato precisa ter mais da metade dos votos válidos nas urnas.
Pesquisa do Ipec divulgada na segunda-feira (19), por exemplo, mostra Lula à frente na corrida eleitoral, com 47% das intenções de voto, seguido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) com 31% das intenções.
Como a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos, o apoio a Lula poderia variar de 45% a 49%, e o de Bolsonaro de 29% a 33%.
Quem aposta na vitória de Lula no primeiro turno considera que o voto no petista pode aumentar porque eleitores insatisfeitos com o governo Bolsonaro e que votariam em outros candidatos poderiam mudar de ideia na última hora, na tentativa de evitar que a disputa se prolongue. É o chamado “voto útil”.
Para o diretor da Eurasia, porém, há pouco espaço para isso, porque o mais provável é que o eleitor inclinado a tomar este tipo de decisão já tenha feito essa troca na sua intenção de voto.
Lucas Aragão, cientista político da Arko Advice, existe um favoritismo de Lula, dada a rejeição maior de Bolsonaro em certos públicos, como o eleitorado feminino, mas é difícil de saber o resultado da eleição.
Como será o novo governo
Para o diretor da Eurasia, seja qual for o vencedor das eleições presidenciais, a democracia brasileira está consolidada. “Talvez seja preciso o uso de máscara de oxigênio, mas não vejo mudança nisso”, diz Cascione.
Ele acredita que tanto Lula quanto Bolsonaro, se eleitos, precisarão negociar com o Congresso por meio de moedas de troca como concessão de emendas parlamentares, distribuição de cargos e ministérios.
“Em um primeiro momento existe interesse mútuo para construção da maioria, mas conforme o governo avança, a popularidade cai e isso influencia na relação com o Congresso”, afirmou.
Segundo Cascione, não existe incentivo imediato para obstrução total de votação de pautas, mas alguns temas são mais difíceis de se discutir, como a revisão da lei trabalhista prometida por Lula.
Mas ele vê espaço para se avançar na agenda fiscal. “Desde que isso não crie uma desconfiança no mercado, tende a haver interesse mútuo nos primeiro seis meses para se construir uma base de apoio.”
Para Aragão, há espaço para uma lua de mel nos primeiros 100 dias de governo, mas não sem ruídos.