Após quatro meses de alta, a produção industrial recuou 0,4% em junho na comparação com maio, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (2) pelo IBGE. A última queda da indústria aconteceu em janeiro deste ano, com um tombo de 1,9%.
Com o resultado do mês retrasado, que veio um pouco pior do que o esperado – analistas ouvidos pela Reuters esperavam uma queda de 0,3% – a produção industrial acumula queda de 2,2% no primeiro semestre e de 2,8% em 12 meses.
“A indústria não havia recuperado a perda de janeiro mesmo com os quatro meses de crescimento em sequência, período em que houve alta acumulada de 1,8%”, apontou o gerente da pesquisa, André Macedo, no material de divulgação do levantamento. “Isso reflete as dificuldades que o setor industrial permanece enfrentando, como o aumento nos custos de produção e a restrição de acesso a insumos e componentes para a produção de bem final.”
De acordo com o pesquisador, o comportamento do setor vem sendo marcado por paralisações da atividade industrial e reduções de jornada de trabalho. A indústria ainda vem sendo impactada pelo aumento nos juros e redução da renda das famílias.
“Ainda que a taxa de desocupação venha caindo nos últimos meses, há um contingente de aproximadamente 10 milhões de desempregados no país. A característica dos postos de trabalho que estão sendo criados aponta para uma precarização do mercado de trabalho e isso é refletido na massa de rendimento, que não está crescendo.”
De acordo com o IBGE, a variação negativa foi disseminada pela maior parte das atividades econômicas acompanhadas pela pesquisa, com destaque para produtos farmoquímicos e farmacêuticos, que recuaram -14,1%.
Juros altos e recessão global são desafio
Os dados são divulgados na véspera da decisão sobre juros do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que deve subir a taxa básica a 13,75% ao ano nesta quarta-feira. Para parte dos economistas, um cenário de fraqueza da atividade no final do segundo trimestre pode deixar o BC mais confortável para anunciar que vai parar de subir juros no encontro desta semana.
Em maio, mesmo em um ambiente de inflação elevada, aumento de custos e falhas na cadeia mundial de suprimentos, a produção industrial brasileira havia conseguido avançar 0,3%, a quarta alta consecutiva e superior à observada em abril.
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Os dados de junho são uma prévia das dificuldades que o setor terá que enfrentar no segundo semestre: um ambiente de juros altos no Brasil e possibilidade de recessão global com o aperto monetário em economias de peso, como a americana.