Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que lidera as pesquisas de intenção de votos, tem uma chance de 76% de vencer Jair Bolsonaro (PL) nas eleições presidenciais no segundo turno, que acontece no próximo dia 30 de outubro. A abstenção, que prejudica mais o ex-presidente, deve ter um efeito de menos de 1 milhão de votos – a diferença atual entre ambos é de cerca de 5 milhões de votos.
A probabilidade foi apontada em estudo divulgado nesta quinta-feira (20) pela consultoria Ponteio Política, com base em um modelo estatístico que utiliza 120 pesquisas eleitorais e retira dos dados a tendência de cada uma pender mais para um ou outro candidato.
O objetivo desse filtro é eliminar o efeito de diferenças metodológicas que possam favorecer Lula ou Bolsonaro. No primeiro turno, institutos de pesquisa menores, como Paraná Pesquisas e Atlas, chegaram a resultados muito mais próximos dos resultados das turnas, enquanto Datafolha e Ipec, consolidados, anteciparam uma vantagem maior do candidato petista.
Em 25 de agosto, antes do primeiro turno, a Ponteio indicou uma chance de apenas 14% de Lula vencer Bolsonaro e levar o pleito em 2 de outubro.
Nesta quinta-feira (20), em live, o cientista político especializado em modelagem estatística Rafael Magalhães assinalou que grande parte das pesquisas do segundo turno, inclusive aquelas que apontavam cenários distintos dos grandes institutos para o primeiro turno, indicam vitória de Lula com mais da metade dos votos.
“O Lula ainda é o grande favorito, apesar de Bolsonaro ter melhorando bastante em relação ao cenário anterior“, afirmou.
De acordo com o especialista, além da definição sobre para onde vão os votos de Simone Tebet (MDB) e Ciro Gomes (PDT), outra questão em pauta é o impacto da abstenção sobre o pleito.
Cálculos feitos pela Ponteio que levam em conta o não comparecimento às urnas no primeiro turno em diferentes estados mostram que a tendência é que esse efeito seja inferior a 1 milhão de votos – os dados já ponderam uma possível abstenção maior em estados onde não haverá segundo turno.
“Esse efeito da abstenção não é muito grande, pois os estados onde a abstenção foi alta no primeiro turno são os menores. A abstenção de fato vai prejudicar mais Lula que Bolsonaro, mas é um efeito pequeno”, disse Magalhães.
Leia mais:
Com eleições, ações de estatais sobem três vezes mais que Ibovespa – veja as maiores altas
Segundo o cientista político, os números indicam que Bolsonaro não poderá ter a seu favor apenas o não comparecimento de eleitores mais pobres, fatia na qual Lula tem maior intenção de voto. “Ele não poderá contar só com a abstenção ou transferência de votos de candidatos do primeiro turno; vai ter que buscar votos entre os eleitores de Lula.”
Segundo turno não é nova eleição
Outro ponto discutido na live da Ponteio foi se o segundo turno é considerado uma nova eleição, em que os cenários mudam. Um levantamento feito por Jairo Pimentel, também cientista político da Ponteio, mostrou que não.
Ele avaliou os resultados de 282 eleições para diversos cargos no Brasil em 20 anos e chegou à conclusão de que o primeiro colocado no primeiro turno vence em 72% dos casos. Quando são avaliados aqueles que possuíam mais de 45% dos votos no primeiro turno, o percentual sobe para 81%.
“Isso quer dizer que o Lula já venceu? Não, mas é uma eleição muito apertada. Tem que acontecer algo muito relevante para mudar essa situação. O debate da Globo [que acontece na noite do dia 28 de outubro, dois dias antes do pleito] pode ser um divisor de águas, e pode fazer com que Bolsonaro vire se tiver um bom desempenho.”
Institutos subestimam Bolsonaro no 2º turno?
Questionado sobre se as pesquisas podem estar subestimando a força de Bolsonaro também no segundo turno, como aconteceu no primeiro, Pimentel declarou que a maior parte das pesquisas, incluindo as menores, mostra um cenário bem parecido atualmente.
“O segundo turno é mais fácil de acertar. São só dois candidatos, os eleitores tendem a ser mais consistentes, então essa volatilidade é quase inexistente. O segundo ponto é que as pesquisas estão muito mais convergentes, independentemente da metodologia. É diferente do primeiro turno, quando alguns institutos, como Atlas e Paraná Pesquisas, chegaram mais perto.”