PIB do 3º tri cai 0,1% e economia do Brasil entra em recessão técnica

Além disso, queda do PIB no 2º trimestre foi maior que a inicialmente prevista

Em meio à disparada da inflação e do aumento de juros, que foi intensificado a partir de junho, o PIB (Produto Interno Bruto) do terceiro trimestre caiu 0,1% na comparação com o período entre maio e junho. A atividade econômica do segundo trimestre foi revisada de queda de 0,1% para um tombo maior, de 0,4%.

Quando o PIB cai por dois trimestres consecutivos, fica caracterizada tecnicamente uma recessão.

Os dados foram divulgados nesta quinta-feira, dia 2, pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O dado veio pior do que o esperado pelos analistas ouvidos pela Reuters, que apostavam em estagnação no segundo trimestre.

O setor de serviços, que responde por mais de 70% da atividade econômica brasileira, teve expansão de 1,1%. Mas o PIB foi puxado para baixo por causa da queda de 8% na agropecuária e pelo recuo de 9,8% nas exportações de bens e serviços. A indústria ficou estável, ou seja, não caiu nem subiu.

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Reprodução/ IBGE

Exportações em queda; serviços às famílias em alta

De acordo com o IBGE, a queda na agropecuária foi consequência do encerramento da safra de soja, que é muito mais concentrada nos primeiros dois trimestres do ano. Além desse efeito sazonal, a base de comparação do ano passado foi mais alta, já que a atividade cresceu com mais força na pandemia.

“Para este ano, as perspectivas não foram tão positivas, em ano de bienalidade negativa para o café e com a ocorrência de fatores climáticos adversos na época do plantio de alguns grãos”, afirmou a coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, Rebeca Palis, no material de divulgação do órgão.

Já os serviços foram puxados por “outras atividades”, com alta de 4,4%, segmento que inclui diversos serviços prestados às famílias. “Com o avanço da vacinação contra Covid-19 e o consequente aumento da mobilidade e reabertura da economia, as famílias passaram a consumir menos bens e mais serviços”, avaliou Palis.

Já os serviços financeiros tiveram queda de 0,5%, assim como o comércio (redução de 0,4%).

“A queda nos serviços financeiros se deve em parte a um aumento nos sinistros de planos de saúde. Já o comércio, que foi um dos setores mais afetados pela pandemia, teve uma forte alta no segundo trimestre, com a reabertura e, portanto, a base de comparação estava alta e as famílias também migraram parte do seu consumo para os serviços”, explica Palis.

A indústria, que representa 20% do PIB, ficou estável, impactada pela inflação de insumos e quebras de cadeia.

Houve crescimento apenas no segmento industrial da construção (alta de 3,9%), enquanto eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos caíram 1,1%, indústrias de transformação tiveram queda de 1% e as indústrias extrativas recuo de 0,4%.

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Reprodução/ IBGE

Consumo das famílias

Segundo os dados, o consumo das famílias teve alta de 0,9% na comparação com o trimestre anterior. O consumo do governo também teve alta, de 0,8%.

Já no setor externo, as exportações de bens e serviços tiveram queda de 9,8%, enquanto as importações recuaram 8,3% no terceiro trimestre de 2021 frente ao segundo trimestre.

“A balança de bens e serviços negativa acabou puxando a variação do PIB para baixo na comparação com o trimestre anterior. Cabe destacar, no entanto, que na comparação interanual, ambas as atividades tiveram alta acentuada, muito por conta da retomada do turismo internacional, mas a contribuição ao crescimento ainda ficou negativa, já que as importações (20,6%) superaram em muito as exportações (4,0%)”, declarou a coordenadora do IBGE.

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Reprodução/ IBGE

Preços disparados e juros em alta

O mau desempenho está relacionado à disparada da inflação, ao início da elevação da taxa de juros e à piora das condições fiscais do país, que vem pressionando o câmbio.

Os analistas ouvidos semanalmente pelo Boletim Focus vêm reduzindo suas projeções para o PIB de 2021 e de 2022: para este ano, a aposta é de alta de 4,78% (era de 4,94% há um mês), e para o ano que vem de 0,58% (era de 1,20% há um mês).

 

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