Ministro Guedes volta a negar irregularidade com empresa mantida no exterior

Ministro também disse ser favorável à tributação de offshores

O ministro da Economia, Paulo Guedes, repetiu que a empresa que mantém no exterior (offshore) é “absolutamente legal” e foi montada para driblar taxações pesadas dos Estados Unidos sobre o patrimônio de sua família.

“É exatamente um problema sucessório. Você protege se você tiver qualquer investimento lá fora. Eu fiz um depósito lá fora, 2014, 2015, e não houve mais depósitos e ou remessas para o Brasil”, disse ele durante audiência na Câmara dos Deputados.

As informações sobre a existência de uma offshore vinculada a Paulo Guedes foram publicadas pelo site Poder360 e pela revista Piauí. As reportagens colocaram o ministro no alvo da oposição e de críticas a respeito de tentativa de evasão fiscal e manipulação do mercado.

Na audiência, Guedes rebateu as acusações. Segundo ele, os recursos da offshore foram declarados corretamente à Receita Federal.

Ele também disse que a alta do dólar nos últimos anos – que aumenta o valor dos investimentos do ministro no exterior – foi motivada por fatores macroeconômicos, como a pandemia.

“A offshore é como se fosse uma ferramenta, uma faca. Pode usar para o mal, para matar alguém, ou para o bem, para descascar uma laranja”, disse Guedes.

“Ninguém lutou mais por um banco central independente. Se eu fosse uma pessoa que quisesse manipujlar o câmbio, tivesse interesse em fazer alguma coisa, eu ficava com o banco central sob o meu comando, mandava fazer uma coisa, fazer outra.”

“Essa ideia, ‘ah, tá ganhando com [o dólar], especulou, está ajudando, o dólar subindo, caindo’. Esquece, não existe isso”, afirmou.  “É recurso que foi e é parte da sucessão familiar. Foi embora, acabou. Não tem saque, depósito”.

Conflitos de interesse

Guedes rechaçou também as acusações de que a existência da offshore e a nomeação de parentes como diretores da empresa representam conflitos de interesse com sua posição como ministro.

“O que tinha de conflito de interesse no Brasil foi removido. O conflito de interesse direto, as empresas que eu tocava: vendidas. Conflito de interesse indireto, coisas que estão no Brasil e podem ser atingidas por alguma medida minha: foram para um blind trust. Por razões sucessórias tem um representante familiar que é informado”, afirmou.

Sobre a acusação de abrir a offshore para tentar escapar da tributação no Brasil, o ministro disse que a versão inicial da reforma do imposto de renda, assinada por ele, continha um dispositivo para tributar as offshores.

Este trecho, removido da legislação durante a tramitação no Congresso, serviria para ajudar a monitorar a evasão fiscal, segundo Guedes.

“Na hora que você exige o imposto vai aparecer quem é traficante de droga, de arma, quem tem dinheiro sem origem, quem não registoru no Banco Central, na Receita Federal”, afirmou.

Como isso afeta o mercado

A offshore de Paulo Guedes é um dos temas que podem prejudicar politicamente o ministro da Economia e aumentar o risco de ele deixar o governo. O assunto também pode dificultar a aprovação de reformas econômicas no Congresso.

Rumores sobre a saída de Guedes em ocasiões anteriores pesaram sobre o Ibovespa e fizeram tanto o dólar quanto as taxas de juros subir.

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