Em cerimônia de posse como ministro da Fazenda, Fernando Haddad criticou as medidas tomadas pelo governo Bolsonaro, que segundo ele causaram um rombo de quase R$ 300 bilhões nas contas públicas, ao mesmo tempo em que voltou a reforçar o discurso de responsabilidade fiscal e necessidade de conter a inflação.
Como já havia dito, Haddad declarou que enviará, até junho, um novo mecanismo para substituir o teto de gastos para organizar as contas “no longo prazo”, mas ponderou que as metas precisam ser factíveis.
“Ainda no primeiro semestre, enviarei um novo arcabouço fiscal que organize as contas públicas no longo prazo, que seja confiável e principalmente respeitado e cumprido. Se você se propõe a uma meta inalcançável, não tem meta nenhuma”, afirmou.
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O novo ministro reafirmou que as políticas fiscal e monetária não podem ser consideradas isoladas, já que ambas mexem com a inflação e, consequentemente, com os juros.
“O que há é somente a política econômica, que precisa estar harmonizada. Nossos juros reais são os mais altos do mundo, e precisamos buscar entendimento da autoridade monetária e da autoridade fiscal.”
Haddad ainda declarou que anunciará medidas para estimular a confiança dos investidores e da população na condução da economia. “Vamos apresentar nas primeiras semanas medidas necessárias para restabelecer a confiança dos investidores e das pessoas. Vamos resolver isso logo, não vamos deixar para o segundo ou o terceiro ano do governo.”
De acordo com o ministro, a Fazenda trabalhará pelo equilíbrio entre o que necessitam os investidores, segmentos da indústria e a população. “Precisamos de uma política de ganha-ganha, para o povo e os investidores.”
“Rede de postos Ipiranga”
O ministro disse que os estímulos concedidos pelo governo Bolsonaro deixaram um rombo de quase R$ 300 bilhões nas contas públicas.
“Não aceitaremos esse resultado primário previsto na atual lei orçamentária, que prevê absurdos R$ 220 bilhões de déficit. Vamos trabalhar arduamente para rever todos os atos, que eu inclusive considero ilegais”, disse. “É preciso rever a inflação e fazer o Brasil voltar a crescer com sustentabilidade, salário digno, preços mais justos.”
Haddad ainda criticou a publicação, no dia 30 de dezembro, de decretos no Diário Oficial da União que retiram arrecadação do governo federal – no último dia de mandato, o governo reduziu a tributação das maiores empresas do país.
“Dia 30 de dezembro, foram capazes de publicar no Diário Oficial dois decretos que darão mais de R$ 10 bilhões de prejuízo aos cofres públicos”, disse. “Esses são os patriotas”, ironizou.
Haddad ainda criticou o formato do governo anterior, de reunir pastas como o Planejamento e o Desenvolvimento e Indústria sob o guarda-chuva de um superministério, o da Economia.
“Éramos o posto Ipiranga, agora somos uma rede de postos Ipiranga”, declarou, se referindo ao apelido do ex-presidente Jair Bolsonaro a Paulo Guedes. “É muito ruim concentrar todos os ovos em uma mesma cesta. Estamos aqui pra aprender e buscar o melhor caminho.”