Campos Neto: inflação acima da meta foi causada por alta das commodities e risco fiscal pode elevar juro estrutural

Presidente do BC espera convergência do IPCA para a meta já em 2022

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O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, justificou que a alta da inflação em 2021 foi causada pelo aumento do preço das commodities e pelo descompasso entre oferta e demanda, mas que espera a convergência da inflação para a meta já neste ano. No entanto, afirmou que um desequilíbrio fiscal permanente pode elevar a taxa de juros estrutural do país.

“As projeções condicionais do BC são de que a inflação entre em trajetória de queda já no início de 2022, terminando o ano em patamar significativamente inferior ao de 2021”, explica Campos Neto, em carta aberta ao ministro da Economia, Paulo Guedes.

Em 2021, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 10,06%. Pelo sistema de metas de inflação, a inflação deveria ficar em 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, portando, podendo ir até 5,25%.

Como avançou, e muito, acima desse limite, o presidente do BC precisa, por lei, explicar ao ministro da Economia os motivos pelo não cumprimento da meta e o que está sendo feito para que ocorra uma convergência para a meta. A última vez que isso ocorreu foi quando a inflação de 2017 ficou acima da meta.

O documento de 14 páginas foi divulgado nesta terça-feira e traça um cenário sobre o comportamento dos preços no mundo, atribuindo a forte alta da inflação ao aumento dos preços de bens transacionáveis, em especial commodities, à escassez hídrica, que encareceu o preço da energia elétrica, e aos desequilíbrios entre demanda e oferta de insumos.

“Esses desenvolvimentos, que ocorreram em nível global, geraram excesso de demanda em relação à oferta de curto prazo de diversos bens, causando um desequilíbrio que, em diversos países e setores, foi exacerbado por falta de mão de obra, problemas logísticos e gargalos de produção”, diz o presidente da autarquia.

Na carta, Campos Neto também reforça informações que já tinham sido divulgadas na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que elevou a taxa Selic em 1,5 ponto percentual, para 9,25% ao ano.

“O Copom considera que, diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas [de inflação] para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista.”

Na avaliação do presidente do BC, questionamentos em relação ao equilíbrio fiscal aumentam a percepção de risco em relação ao país, o que contribui para a desancoragem das expectativas de inflação.

“Eventual esmorecimento no esforço de reformas estruturais e alterações de caráter permanente no processo de ajuste das contas públicas podem elevar a taxa de juros estrutural da economia”, justifica.

Vale lembrar que a meta para 2022 é de um IPCA de 3,50%, com a margem de tolerância de 1,5 ponto, ou seja, o indicador de inflação deve variar de 2% a 5% e, se ficar fora dessa margem, o presidente do BC terá que novamente fazer uma carta aberta explicando os motivos do descumprimento.

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