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Puxado por serviços, Caged mostra criação de 253.083 vagas com carteira em outubro

Puxado por serviços, Caged mostra criação de 253.083 vagas com carteira em outubro

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O Brasil criou 253.083 vagas com carteira assinada em outubro, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta terça-feira, dia 30. O número veio pouco abaixo da expectativa dos analistas ouvidos pela Bloomberg, que acreditam em alta de 260 mil empregos formais.

O número representa uma queda em relação a setembro, quando o saldo de vagas formais ficou positivo em 312.066 vagas. No acumulado do ano, a geração de empregos está positiva em 2.645 milhões.

O número do mês passado foi puxado pelo setor de serviços, onde o saldo ficou positivo em 144.641 postos de trabalho. O comércio apareceu em segundo lugar, com 70.355 vagas geradas, e indústria, que gerou 26.697 empregos com carteira. Em agropecuária, houve fechamento de 5.844 empregos formais no período.

Para a equipe do BTG Pactual Digital, o número sinaliza forte criação de vagas no setor privado. “Seguimos com perspectivas positivas, considerando o espaço para retomada de alguns subgrupos do segmento de serviços”, avaliaram os analistas em relatório. “Além disso, a necessidade de recomposição de estoques na indústria de transformação pode ser um catalisador para a continuidade de dados positivos no grupo”.

Apesar disso, a avaliação é que os riscos fiscais e inflação, além da necessidade de juros mais elevados, podem prejudicar os investimentos e, portanto, a geração de vagas com carteira.

Taxa de desemprego caiu, mas renda está em queda

Pela manhã, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou que a taxa de desemprego caiu para 12,6% no trimestre finalizado em setembro, dentro do esperado pelos analistas ouvidos pela Reuters, que esperavam que o indicador ficasse em 12,7%. O dado anterior, de agosto, havia mostrado uma taxa de 13,2%.

Apesar da redução ser positiva, a renda média real dos trabalhadores foi de R$ 2.459, queda de 4% em relação ao trimestre encerrado em agosto e recuo de 11,1% na comparação com setembro do ano passado.

Para o economista-chefe da Necton, André Perfeito, o detalhamento dos dados do IBGE não mostra um bom cenário para o mercado de trabalho.

“Ao observarmos os rendimentos e a massa salarial, o mal-estar se revela mais uma vez”, avaliou. “Para se ter uma ideia, o poder de compra do rendimento médio real está no mesmo patamar de 2012, ou seja, o poder de compra retrocedeu ao que se consumia há quase uma década”.

Ele apontou ainda que a massa salarial nominal, apesar de ter subido 8,83% em relação ao terceiro trimestre de 2020 em termos nominais, caiu 0,75% quando se retira o efeito da inflação. “Apesar do desemprego ter caído, a combinação de salários estagnados com inflação alta cria as bases para um crescimento tímido ao longo de 2021 e 2022”.

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