Credit Suisse aumenta a estimativa de inflação em 2021 para 6,9%

O aumento tem como base as constantes altas nos preços dos combustíveis e a expectativa de alta nos preços dos alimentos também.

O banco de investimentos Credit Suisse elevou de 6,7% para 6,9% a estimativa de inflação brasileira medida pelo IPCA em 2021. O aumento tem como base as constantes altas nos preços dos combustíveis e a expectativa de aumento nos preços dos alimentos, devido às condições climáticas “ruins” no país.

A taxa de 6,9% se distancia ainda mais da meta de inflação (3,75%) estipulada no final de 2020 pelo CMN e do teto de tolerância (5,25%).

Como se fosse para fortalecer o argumento do banco, a Petrobras anunciou nesta segunda-feira, dia 05, uma nova elevação do preço do diesel (+3,7%) e da gasolina (6,3%). 

No acumulado do ano, o diesel da estatal subiu cerca de 40%, enquanto a gasolina avançou 46%.

Apesar do reajuste nos preços dos combustíveis, calculamos que os preços internos ainda estejam 11% abaixo da paridade internacional, o que representa um risco para nossa projeção de inflação no final do ano”, disseram Solange Srour e Lucas Vilela em relatório.

Ao mesmo tempo, a seca e o frio recentes em vários estados do Brasil têm gerado revisões para baixo em previsões de safra de algumas culturas (como milho) e constatação de perdas em outras (como café).

No relatório mais recente do consenso Focus, divulgado pelo Banco Central, o mercado financeiro brasileiro estima o valor do IPCA em 6,07% ao final de 2021. 

Embora próximo do valor projetado pelo Credit Suisse, ambos continuam abaixo do indicador calculado pelo IBGE. Na última divulgação do IPCA-15, uma prévia da inflação oficial, a alta de preços acumulada em 12 meses foi a 8,13% em junho. 

Nesta quinta-feira, dia 08, o IBGE irá divulgar o IPCA oficial de junho. A projeção dos especialistas é que o indicador de 12 meses fique em 8,40% no período. 

Em 2022…  

O Credit Suisse manteve para 2022 a projeção de inflação em 4,5%, registrada pelo IPCA. Este valor de taxa já implica descumprimento da meta do CMN do próximo ano (​3,50%), cujo teto do intervalo de tolerância está em 5,00%.

Já o consenso Focus prevê uma inflação de 3,77% para o próximo ano.

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