Antecipação de alta de juros nos EUA aumenta aversão a risco, mas não muda trajetória da Selic, dizem gestores

Discurso mais duro do Fed acentua queda das bolsas, enquanto aprovação da PEC dos Precatórios na CCJ traz alívio no Brasil

Banco Central. Foto: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil
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A mudança de tom do Federal Reserve, o banco central americano, de abandonar a avaliação de um aumento transitório da inflação, sinalizando que pode acelerar a retirada dos estímulos e antecipar a alta de juros aumentou a aversão a risco nos mercados, acentuando a queda das bolsas e a alta do dólar.

Esse movimento de aversão a risco, contudo, não deve mudar o plano de voo do Banco Central brasileiro em relação ao aperto da política monetária, dada a perspectiva de menor crescimento da economia e do alívio esperado para a inflação. Essa ao menos é a avaliação de Luis Garcia, CIO da SulAmérica Investimentos, e Luiz Eduardo Portella, sócio-gestor da Novus Capital.

“A taxa de juros americana é a Selic do mundo: quando ela sobe, diminui a atravidade de outros ativos de mercados emergentes”, diz Garcia.

O presidente do Fed, Jerome Powell, disse, nesta terça-feira, que é apropriado para o banco central americano considerar concluir a redução da compra de títulos mais rapidamente, com base na força da economia americana e na alta da inflação.

No dia 3 de novembro, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed havia anunciado que iniciaria neste mês a redução da compra de ativos em US$ 15 bilhões por mês, com expectativa de encerrar as compras em 2022, em um processo conhecido como tapering.

Mas alguns diretores regionais do Fed e agora o presidente do BC americano vêm indicando que a autoridade monetária dos EUA pode acelerar a redução dos estímulos.

“O mercado já esperava que o Fed acelerasse a redução da compra de ativos para US$ 20 bilhões por mês em dezembro, mas diminuiu essa aposta com o surgimento da nova variante do coronavírus, achando que o Fed poderia postergar essa decisão. Agora o Fed veio com um discurso mais duro e os investidores voltaram a esperar uma aceleração ainda neste ano”, diz Portella.

Por volta das 16h45, a taxa do título do Tesouro americano de um ano subia de 0,1930% para 0,2209%, enquanto o prêmio do papel de dez anos recuava de 1,529% para 1,441%, refletindo o movimento de busca por ativos que ofereçam um porto seguro.

O que pode levar o Fed a rever uma aceleração da redução dos estímulos, segundo Garcia, é a comprovação de maior gravidade da nova variante do coronavírus, Ômicron, o que poderia impactar a recuperação da economia. “Por enquanto, parece que a nova variante é mais transmissível, mas pouco severa do ponto de vista de gravidade da doença. Mas se comerçarmos a ver um grau maior de hospitalização, será dominante nas decisões de política monetária”, diz o CIO da SulAmérica.

O próprio presidente do Fed disse que a Ômicron é uma ameaça à recuperação da economia dos EUA.

Alta de juros nos EUA deve ter pouco impacto sobre a Selic

Uma antecipação da alta da taxa de juros nos Estados Unidos, no entanto, deve ter pouco impacto na política monetária no Brasil, avalia Garcia. “Entendemos que o BC não deve acelerar o ritmo de alta para dois pontos percentuais na próxima reunião e deve encerrar o ciclo com a Selic próxima de 11,5%”, diz.

Apesar disso, o mercado está se preparando para um movimento mais agressivo pelo BC brasileiro. O CIO destaca que a curva de juros já reflete uma alta dos juros básicos para um nível próximo de 13% no fim do ciclo, com um prêmio razoável.

Portella também espera que uma antecipação da alta de juros nos EUA tenha pouco impacto sobre a política monetária no Brasil. “A perspectiva de crescimento está mais baixa, os preços das commodities caíram e devem trazer um alívio para a inflação. Além disso, até a próxima reunião [do Copom], já devemos ter a votação da PEC dos Precatórios no plenário do Senado, o que pode reduzir a incerteza fiscal”, diz.

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