Anfavea: Brasil deixa de produzir 250 mil carros em 2022 por falta de peças

Dado mostra melhora em comparação ao ano passado, mas desabastecimento deve prejudicar setor até o início de 2024

Foto: Shutterstock/e2dan

A produção de carros no país vai perder 250 mil unidades em 2022 devido à falta de semicondutores nas montadoras. Apesar da baixa, o número é quase metade dos 400 mil automóveis não fabricados no ano passado, no ápice da crise de abastecimento de componentes eletrônicos.

Os dados foram divulgados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Autoveículos) na manhã desta quarta-feira (7), durante a apresentação do desempenho do setor no mês de novembro.

A despeito dos impactos gerados pela falta de peças, o Brasil deve superar na primeira semana de dezembro a meta de 2,14 milhões de unidades previstas para 2022 e superar a marca de 2,24 milhões de automóveis registrada em 2021.

Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea, destaca que a alta demanda pelos componentes eletrônicos acompanha a evolução da tecnologia dos novos modelos de automóveis.

A crise no setor atingiu o pico no ano passado, em reflexo à paralisação de fábricas de semicondutores na Ásia por conta da pandemia do novo coronavírus.

Apesar de apontar a melhora progressiva no abastecimento das peças, Leite pontua que a questão deve impactar a produção de carros no Brasil até o início de 2024.

“É inegável que a situação está um pouco melhor, mas continuará a ser um limitador para a nossa produção”, pontua.

Em novembro, o país produziu 215,8 mil unidades, alta de 4,7% diante das 206 mil fabricadas no mês anterior. Na comparação anual, o crescimento foi de 4,9%. Esse foi o sétimo mês seguido em que a produção ficou acima do patamar de 200 mil unidades.

Melhor média de vendas desde 2020

Os dados da Anfavea também mostraram que o país vendeu 204 mil veículos leves no mês passado, alta de 12,9% em comparação ao mês anterior (180,9 mil unidades) e 17,9% acima do mesmo mês de 2021 (173 mil unidades).

O desempenho representa a venda média de 10,2 mil veículos por dia, o melhor resultado para o setor desde dezembro de 2020.

A meta da Anfavea é comercializar 2,14 milhões de carros este ano. Para chegar ao número, dezembro deve encerrar com a venda de 252 mil unidades.

Para Leite, o patamar é plausível, considerando a média histórica dos anos anteriores à pandemia. “É um número factível. Em 2019, vendemos 260 mil unidades, e, em 2021, foram 244 mil”, afirma.

A despeito do número positivo, a Anfavea chama a atenção para o perfil de vendas. Em novembro, 70% das comercializações foram pagas à vista, o patamar mais alto em ao menos duas décadas.

O número reflete a dificuldade do brasileiro em financiar bens devido à escalada dos juros, atualmente em 13,75% ao ano. Segundo Leite, além de afastar as classes mais baixas das concessionárias, o quadro prejudica o meio ambiente.

“A troca de veículos é uma estratégia muito importante para descarbonização e renovação da frota”, pontua.

Argentina diminui fatia de exportações

A crise na Argentina tirou parte do protagonismo do país nas exportações de carros do Brasil, apesar de ainda ser responsável pela maior parte das vendas.

Em novembro, o Brasil exportou 43,4 mil carros, praticamente estável ao mês anterior, mas alta de 55% contra o mesmo período do ano passado.

O acumulado do ano soma 450 mil unidades, 34% acima do registrado entre janeiro e novembro do ano passado e apenas 10 mil unidades distantes da meta de 460 mil unidades de 2022.

A Argentina foi responsável pela compra de 29% dos carros neste ano, abaixo dos 36% registrados no mesmo período do ano passado.

O país está perdendo espaço para o México, que em novembro liderou as exportações brasileiras pelo segundo mês seguido. No ano, o país da América do Norte tem a fatia de 18%, ante 16% no ano passado.

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