Com R$ 1 bilhão em dividendos, Suzano (SUZB3) será uma grande pagadora?

Terão direito ao recebimento dos proventos os investidores com posição acionária no dia 18 de janeiro

A Suzano (SUZB3) voltou. Após dois anos com o pagamento de dividendos suspenso, a companhia anunciou a distribuição de R$ 1 bilhão.

Foto: Divulgação

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A Suzano (SUZB3) voltou com tudo. Após dois anos com o pagamento de dividendos suspenso, a companhia anunciou, na última sexta-feira (7), a distribuição de R$ 1 bilhão em proventos, a serem pagos no dia 27 de janeiro. 

A distribuição de dividendos da Suzano será intercalar, isto é, à conta de lucros acumulados ou de reservas de lucros apresentados em balanços em períodos inferiores, desde que não exceda as reservas de capital. 

Será a primeira vez que a companhia remunerará seus investidores após três anos. A última distribuição foi de R$ 600 milhões, em abril de 2019, referente ao exercício social de 2018. O valor por ação somou R$ 0,44. 

A Suzano não pagou os dividendos relativos a 2019, após acumular um prejuízo de R$ 2,8 bilhões naquele ano. Por regra, quando o resultado fica no vermelho, a empresa não é obrigada a distribuir proventos. 

Após 12 meses, a situação era ainda pior. A companhia registrou um prejuízo de R$ 10,71 bilhões em 2020, também deixou os investidores a ver navios. 

Desta vez, o pagamento de R$ 1 bilhão será equivalente a R$ 0,74 por ação, o maior valor por papel em mais de 10 anos. Ele entrará na conta da distribuição obrigatória referente ao exercício de 2021, que nos primeiros nove meses acumulam um lucro líquido de R$ 6,32 bilhões.

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Terão direito ao recebimento dos proventos no dia 27 de janeiro os investidores com posição acionária no dia 18 de janeiro. A partir do pregão seguinte, os papéis negociarão ex-dividendos. 

Dado o histórico recente da empresa, o que mudou? A empresa se tornará uma grande pagadora daqui para frente?

Desempenho das ações SUZB3 (verde) superam o Ibovespa (amarelo) nos últimos 12 meses

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

A relação da Suzano com o dólar

Para entender a operação da Suzano e seus respectivos resultados, é preciso compreender a relação da empresa com a moeda estrangeira. 

A empresa opera à base florestal, referência no plantio de eucalipto e produtora vertical no contexto de papel e celulose. O portfólio de produtos contempla:

  • Papel “Imprimir e Escrever”;
  • Papelcartão;
  • Papel tissue;
  • Celulose de mercado;
  • Celulose Fluff.

Sendo uma das maiores empresas de distribuição de papéis da América Latina, com escritórios de representação ao redor de todo o mundo, a companhia é caracteristicamente exportadora. Com isso, sua geração de caixa operacional líquida é denominada em dólar.

Para equiparar a geração de receita em moeda estrangeira, a Suzano também contrata dívida em dólar como hedge natural. A ideia, com isso, é conciliar os pagamentos dos empréstimos e financiamentos em dólar com o fluxo de recebimento das vendas. 

De toda a dívida bruta, que ao final de setembro de 2021 estava na ordem de R$ 77,14 bilhões, mais de 82% era denominada em dólar.

A alavancagem financeira, dada pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda, terminou o terceiro trimestre do ano passado em 2,7 vezes em dólares e 2,8 vezes em reais, ante 4,4 vezes e 5,1 vezes 12 meses antes, respectivamente.

Apesar da volatilidade, alavancagem financeira da Suzano tem tendência de queda 

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

A grande pulga atrás da orelha do mercado é o resultado dessa relação da empresa com o hedge (proteção) e o resultado de operações com derivativos, que em tese serviriam para blindar a geração de caixa.

Entre julho e setembro do ano passado, as variações cambiais e monetárias impactaram negativamente o resultado financeiro da empresa em R$ 4,07 bilhões com a desvalorização do real ante o dólar. 

Já a atividade com derivativos ficou negativa em R$ 2,52 bilhões no terceiro trimestre, com a marcação a mercado dos instrumentos financeiros ficando negativa em R$ 6,41 bilhões.

Vale ressaltar que o impacto contábil da variação cambial na dívida em dólar tem efeito caixa somente nos respectivos vencimentos. Hoje, 97% da dívida bruta está concentrada no longo prazo, ou seja, a ser paga daqui a mais de 12 meses. 

Além disso, o efeito líquido no caixa referente às operações com derivativos é muito menor do que o resultado das operações com esses instrumentos no período, sendo registrados de fato no vencimento dos derivativos. 

A política de exposição cambial da empresa objetiva minimizar a volatilidade da geração de caixa e dar maior flexibilidade ao fluxo de caixa. Com isso, por mais que o “intrínseco” da empresa esteja resguardado para o longo prazo, os exercícios sociais sofrem.

A distribuição de dividendos, via de regra, leva em consideração o lucro líquido de cada ano. Se o resultado financeiro for relevantemente negativo, embora cumpra seu papel de proteção da geração de caixa, o pagamento de proventos poderá ser estancado. 

Em um ano que reserva alta incerteza no que se refere ao câmbio, pode-se esperar alta volatilidade nas linhas da companhia, colocando em xeque novos dividendos. 

Com pouca estabilidade, negócios permanecem em alta

Diferentemente da incerteza trazida pelo câmbio, as operações da Suzano seguem firmes. No terceiro trimestre, o desempenho da empresa foi impulsionado pela demanda por celulose na Europa e América do Norte, apesar do arrefecimento do mercado chinês no período. 

Na frente de papel, a demanda segue aquecida, com alto volume de exportações e avanço nos preços em ambos os mercados, doméstico e internacional, com a empresa conseguindo repassar os custos. 

Índice de preços de papel e celulose ao produtor nos Estados Unidos

Fonte: Federal Reserve Economic Data
Fonte: Federal Reserve Economic Data

Apesar do prejuízo líquido – pressionado pela questão do câmbio – o período entre julho e setembro marcou o maior Ebitda ajustado trimestral da história da empresa, atingindo R$ 6,3 bilhões. A geração de caixa operacional trimestral também renovou seu maior patamar, a R$ 5,2 bilhões.

A despeito das pressões inflacionárias das commodities mundo afora e de dificuldades logísticas causadas pela demanda reprimida da pandemia, a empresa tem conseguido entregar resultados operacionais positivos. 

O que o mercado pensa sobre Suzano

De acordo com a previsão do BTG Pactual, disponibilizada na plataforma do TradeMap, as últimas semanas mudaram consideravelmente o cenário para o mercado de celulose. 

Recentemente, a Suzano anunciou um aumento de preço de US$ 20 por tonelada para os mercados asiáticos. Na visão do banco, a mudança se sustenta por:

  • Fornecimento restrito e desafios logísticos;
  • Retomada da demanda chinesa;
  • Aumento dos preços de papel em todo o mundo.

O BTG recomenda a compra dos papéis da Suzano neste patamar, reiterando que a empresa é um dos melhores exemplos de ESG da América Latina e que representa uma grande oportunidade de geração de valor para os próximos anos.

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