Mike Tyson e o Copom, e o mais que você precisa saber para investir bem hoje

Mercado espera entre 1,25 e 1,5 ponto de alta na taxa básica de juros; IBGE divulga taxa de desemprego

A partir das 18h30 desta quarta-feira, 27, todos os olhares do mercado estarão voltados a apenas uma questão: o anúncio do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) de qual será a nova taxa de juros básica brasileira (Selic), hoje em 6,25% ao ano, assim como ao comunicado indicando os próximos passos da autoridade monetária.

Até a semana passada, as apostas se concentravam em uma alta de um ponto percentual dos juros. Mas o anúncio de que o governo vai alterar a regra do teto de gastos para acomodar despesas de quase R$ 50 bilhões com o Auxílio Brasil, sem falar no espaço que se abre para emendas parlamentares, mudou o jogo. Agora, as expectativas estão concentradas em uma elevação de 1,25 ponto a 1,5 ponto da Selic. E não está descartado que o Copom dê um “susto” no mercado e vá além disso.

O próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, em entrevista na última sexta, 22, deu o recado, quase como se o problema não fosse com ele: com a forte alta nas despesas, e a pressão sobre a variação de preços, o BC precisa correr atrás da curva de juros.

Ontem, dia 26, mais lenha na fogueira da alta da Selic: em vez de desacelerar, o IPCA da primeira quinzena de outubro elevou o ritmo de alta para 1,2%, ante 1,14% em setembro. Para 2022, analistas ouvidos pelo boletim Focus já esperam que os preços aumentem em 9,5%.

“Como Mike Tyson costumava dizer, todo mundo tem um plano até ser socado na cara. O prêmio de risco dos ativos brasileiros, devido à confusão fiscal e ao iminente ciclo eleitoral, cresceu substancialmente”, apontou relatório de Jaime Valdivia, analista de macroeconomia da casa de análises Ohmresearch, comparando o Copom ao lendário boxeador americano. Valdivia acredita em uma taxa básica de 12% até maio de 2022.

A equipe de macroeconomia do Itaú apontou que o BC provavelmente adotará uma posta de “controle de danos”. “O aumento recente do prêmio de risco doméstico poderia provocar uma deterioração adicional das expectativas de inflação, ensejando, assim, uma postura de controle de danos, o que implica um ajuste mais tempestivo da política monetária.”

Por que isso é importante para o mercado? A taxa de juros básica é a referência para todos os empréstimos e produtos financeiros de renda fixa do país. Ao aumentar a Selic, o Copom controla a inflação, ao mesmo tempo em que coloca um freio na demanda de consumidores e empresas.

Nesse cenário de alta de juros, analistas vem esperando um crescimento cada vez menor da nossa economia no ano que vem. Se há uma semana os especialistas ouvidos pelo Focus acreditavam que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceria 1,5% em 2022, agora já esperam alta de 1,4%, na média.

O Itaú foi o primeiro a revisar sua projeção para a economia em 2022, porém para queda: o banco acredita que a atividade vai encolher 0,5% no ano que vem.

O que uma alta de 1,5 ponto pode significar para os investimentos em renda fixa? De acordo com relatório da XP Investimentos, no cenário projetado, a tendência é que os títulos de curto prazo se desvalorizem, isto é, que os preços caiam e as taxas pagas aumentem, o que representaria uma boa oportunidade de entrada.

“Os investimentos prefixados e indexados à inflação de prazos mais longos apresentariam valorização neste primeiro momento, com queda nas taxas dos títulos. Para quem já detém este tipo de ativo, poderia ser uma oportunidade de ganhos de capital”, apontam os analistas. Ou seja, no longo prazo, em um cenário de inflação mais controlada por causa de alta forte na Selic, a tendência é de taxas de juros menores, o que valorizaria o valor dos títulos no presente.

Eles lembram que o momento é bom para os papéis pós-fixados, como aqueles que remuneram o investidor com um percentual do CDI. “Enxergamos o cenário atual como positivo para alocação nos títulos pós-fixados, que acompanham a taxa de juros, uma vez que a expectativa para a taxa Selic é de elevação em qualquer um dos cenários apresentados.”

PEC dos precatórios 

O presidente da Câmara, Arthur Lira, afirmou na tarde de ontem que a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos precatórios, que prorroga o pagamento dessas dívidas e altera o teto de gastos, será votada nesta quarta.

Os investidores olharão o texto com lupa para verificar possíveis emendas à proposta que abram ainda mais espaço para despesas em 2022, ano eleitoral.

Taxa de desemprego e sondagem da indústria 

Pela manhã, um dado bastante importante para medir em que pé está a economia brasileira diz respeito à taxa de desemprego de agosto, que será divulgada às 9h pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No trimestre encerrado em julho, o indicador recuou para 13,7%.

Um pouco mais cedo, às 8h, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulga um número mais recente, o da Sondagem da Indústria de outubro.

Estoques de petróleo

Às 11h30, os Estados Unidos divulgam dados atualizados dos estoques de petróleo bruto do país. Na semana passada, o DoE (Departamento de Energia americano) informou queda desse indicador, o que deu força às cotações da commodity.

Dependendo do número informado, a divulgação pode mexer com os preços da Petrobras.

Balanços para ficar de olho

Antes da abertura do mercado, Gerdau (GGBR4) e Gerdau Met (GOAU4) divulgam seus balanços do terceiro trimestre. Após o fechamento, será a vez de Dexco (DXCO3), Log Com (LOGG3), Movida (MOVI3), Weg (WEGE3), Odontoprev (ODPV3) e Multiplan (MULT3).

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