Méliuz (CASH3) dispara 31% com GMV recorde e fechamento da curva de juros; LWSA3 e MGLU3 acompanham

Empresas de tecnologia respiraram aliviadas no pregão de hoje com o arrefecimento do mercado de juros futuros

Foto: Divulgação

As ações esquecidas pelo mercado nas últimas semanas tiveram um pregão de redenção. A Méliuz (CASH3), que nos últimos quatro meses perdeu 78% do valor de mercado, disparou 31,03% e liderou as altas do Ibovespa nesta sexta-feira (3).

A companhia reportou um volume bruto de mercadoria (GMV, na sigla em inglês) de R$ 923 milhões no mês passado, seu maior patamar da história. O novembro de 2021 da Méliuz, impulsionado pela Black Friday, foi 87% maior que o mesmo mês do ano passado. 

O número de novos compradores também cresceu, mostrando a expansão da plataforma da companhia. Segundo o comunicado apresentado ao mercado logo pela manhã, o montante cresceu 82% na base anual.

Como a Agência TradeMap reportou mês passado, a Méliuz tem sentido o peso da concorrência e sentiu na pele a desaceleração econômica do Brasil. 

Embora a Black Friday tenha sido considerada uma decepção no contexto geral, os números da companhia mostram que o evento pode ser o catalisador para a recuperação das ações. 

Desempenho das ações CASH3 desde julho

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Assim como a maior parte dos recentes IPOs na Bolsa brasileira, a Méliuz é caracterizada pelo ritmo de alto crescimento, que é o patinho feito dos mercados acionários em meio à expectativa pela alta de juros global. 

Esse também foi o principal tema do dia, tanto no Brasil como no exterior.

Curva de juros mais comportada ajuda Méliuz e pares tecnológicos

Também nos Estados Unidos, mas principalmente no Brasil, as empresas de tecnologia, outrora queridinhas do mercado, sofrem com a conjuntura mais dura em relação à política monetária.

A desaceleração econômica global junto à volta do vilão inflacionário fizeram com que os bancos centrais projetassem o corte de estímulos monetários e a elevação das taxas de juros.

Mas, com a criação de empregos nos Estados Unidos em novembro consideravelmente abaixo do esperado por analistas, a possibilidade de o Federal Reserve (Fed) elevar as taxas de juros no curto prazo se esvaíram. 

A informação vem à tona após o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cair no terceiro trimestre e o país entrar em recessão técnica. A atividade fraca em cada vez mais segmentos da economia pode fazer o BC brasileiro colocar o pé no freio no ciclo de elevação da Selic. 

Como mostrou a Agência TradeMap nesta semana, gestores esperam que o processo de alta da taxa de juros no Brasil possa ser arrefecido, sobretudo após a aprovação da PEC dos Precatórios, o que reduz as incertezas. 

A resposta foi imediata. 

Os juros futuros no Brasil tiveram forte queda no pregão de hoje. O DI negociado para janeiro de 2025 recuou 2,50 pontos percentuais, para 10,90%. O papel de janeiro de 2023 caiu 1,99 pp, para 11,30%, mostrando que a expectativa agora é de um alongamento menor para Selic. 

Trajetória do DI futuro de janeiro de 2025, que voltou ao patamar de 19 de outubro

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Como é de praxe, as empresas de alto crescimento, que têm seu valor no futuro e que dependem de uma atividade econômica mais ativa, se beneficiaram na Bolsa.

É o caso da Locaweb (LWSA3) e do Magazine Luiza (MGLU3). Enquanto a primeira subiu 8,60%, a varejista avançou 4,29%, recuperando parte do terreno perdido nos últimos meses. 

Em ambos os casos, porém, ainda há muito chão a percorrer. Até o fechamento de ontem, no acumulado de 2021, as ações da Locaweb caíam 41%, ao passo que o Magalu derretia 72%. 

Os últimos acontecimentos fora das fronteiras do país, nos bastidores de Brasília ou nas salas de reunião do Banco Central têm trazido forte volatilidade à Bolsa brasileira, que é a terceira pior do mundo em 2021. Os investidores de Méliuz, Locaweb, Magalu ou qualquer outra empresa com um pé em tech deverão ter paciência.

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