Enjoei (ENJU3) deixa dúvidas no ar, mas números positivos do 4º tri fazem ação subir mais de 6%

GMV somou R$ 251 milhões de outubro e dezembro de 2021, e R$ 826 milhões no acumulado do ano passado

A Enjoei (ENJU3) é um dos destaques da Bolsa nesta terça. No início da tarde, os papéis da empresa chegaram a subir quase 10%.

Foto: Divulgação

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A Enjoei (ENJU3) é um dos destaques da Bolsa nesta terça-feira (11). No início da tarde, os papéis da empresa de e-commerce de itens usados chegaram a subir quase 10%, se aproximando dos R$ 3. Depois, desaceleraram a alta, mas sustentavam um ganho significativo. Por volta das 16h40, os papéis avançavam 6,84%, para R$ 2,50.

O gatilho para a guinada das ações foi a divulgação da prévia operacional do quarto trimestre do ano passado. A Enjoei apresentou sólidos números em termos de volume bruto de mercadoria (GMV). 

O indicador, que representa o valor total pago pelos compradores através de todo e qualquer tipo de transação por produtos e serviços, somou R$ 251 milhões no período entre outubro e dezembro, e R$ 826 milhões no acumulado do ano.

Os avanços de 55% e 67% na comparação com o mesmo trimestre de 2020 e com os 12 meses imediatamente anteriores, respectivamente, refletem reinvestimento em posicionamento da marca e bom desempenho na Black Friday, segundo a empresa.

Ambos os resultados vieram levemente acima das expectativas do mercado, dando o aval ao otimismo dos investidores que tanto sofreram nos últimos meses – as ações da Enjoei, que já negociaram a R$ 19,54 em sua máxima histórica em fevereiro do ano passado, caíram 87% desde então. 

Os investidores estão menos dispostos a correr riscos com empresas de alto crescimento e tecnologia – principalmente em razão da alta das taxas de juros no Brasil e no mundo. Isso aumenta o custo de oportunidade em apostar em números melhores no futuro. 

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Dúvidas não são sanadas e ficam para março

A despeito dos bons números relacionados a volumes totais, a companhia deixou para responder algumas dúvidas dos investidores em 24 de março, quando divulgará seu relatório anual. Com o mercado mais custoso e, consequentemente, menos lucrativo, pontos de interrogação foram colocados principalmente sobre:

  • Take rate;
  • Política de comissões;
  • Consumo de caixa.

O take rate nada mais é do que uma fatia cobrada por transação realizada na plataforma e demonstra o poder de barganha e efeito de rede que a empresa tem sobre os vendedores. 

No terceiro trimestre, o take rate (ou gross billings, como a empresa chama) da Enjoei foi de 22%, menor do que os 23% do trimestre imediatamente anterior e dos 26% do terceiro trimestre de 2020.

Relembre:
Vendas brutas da Enjoei crescem 46% no 3º trimestre, para R$ 199 milhões

A queda acentuada dessa taxa cobrada a cada transação não é uma boa notícia e reflete o ambiente altamente competitivo para aquisição de usuários. A expectativa é de que a Enjoei divulgue um aumento no Custo de Aquisição de Clientes (CAC) no quarto trimestre em relação aos trimestres anteriores.

No final de setembro, a companhia lançou o programa “primeira venda grátis”. O objetivo era atrair vendedores isentando de taxas o primeiro negócio feito por eles na plataforma da Enjoei. Segundo a prévia operacional, o número de novos vendedores cresceu 7% entre o quarto trimestre de 2020 e o mesmo trimestre do ano passado.

Esse ritmo de crescimento é mais baixo que o reportado no terceiro trimestre anterior, quando o avanço foi de 20% entre os terceiros trimestres de 2020 e 2021. 

Vale ressaltar que entende-se por “novo vendedor” um cliente que fez a primeira publicação no período mencionado, mas não necessariamente fechou um negócio e trouxe receita à Enjoei. 

Por outro lado, desde a última terça-feira (4) a companhia elevou de 13% para 18% a comissão variável aos vendedores, além da taxa fixa por cada venda. A companhia acredita que esse movimento pode recompor o take rate e margens a partir do primeiro trimestre deste ano.

A margem bruta, que demonstra a efetiva lucratividade das vendas da empresa, caiu de 35% no fim de 2020 para 27,9% ao fim de setembro de 2021. 

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Com os custos elevados – principalmente em marketing para manter a marca da empresa top mind – têm sido constantes as queimas de caixa. A empresa iniciou 2021 com mais de R$ 503 milhões em caixa e no dia 30 de setembro possuía R$ 419 milhões.

Entre as principais destinações do caixa levantado no IPO, no fim de 2020, estão antecipação de recebíveis, pagamento de arrendamento e aquisição de intangível, segundo os fluxos de caixa apresentados no último relatório trimestral. 

Com isso, o valor de firma (enterprise value) da Enjoei, que demonstra de forma abrangente quanto vale a companhia, dado que leva em consideração o valor de mercado, o caixa líquido e o endividamento, caminha para próximo de zero.

Como a empresa não tem dívida e possui caixa líquido próximo do market cap, se subtraídos os ativos não operacionais, chega-se ao valor de R$ 86,7 milhões. 

Ao menor sinal de alívio, os investidores voltam a comprar as ações da Enjoei, como no pregão de hoje. Porém, as incertezas ligadas estruturalmente à companhia e à conjuntura local e global justificam a pressão contínua sobre o valor do negócio.

O que fazer com ações da Enjoei?

De acordo com os analistas ouvidos pelo Refinitiv, em dados apresentados na plataforma do TradeMap, não é hora de vender as ações da empresa.

Dado que o mercado trabalha com previsibilidade, e isso é o que há de menos no cenário futuro da Enjoei, uma realidade catastrófica já pode estar precificada. Das quatro recomendações compiladas pelo Refinitiv, três recomendam a compra das ações.

O preço-alvo mediano é de R$ 11,50, o que perfaz um upside de 358%. Um especialista recomenda a manutenção das ações e ninguém indica a venda dos papéis neste patamar. 

Após estrear na Bolsa avaliada em R$ 2,02 bilhões, atualmente a Enjoei vale R$ 496 milhões na B3.

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