Hoje, a Braskem (BRKM5) fez a festa dos seus investidores. A companhia anunciou o pagamento de dividendos na ordem de R$ 6 bilhões. A maior distribuição da história da empresa reacende os ânimos dos investidores sobre o futuro da empresa.
O investidor que dormir com as ações preferenciais classe A da empresa na próxima quarta-feira (8) receberá, no dia 20 de dezembro, R$ 7,53 por papel. A última vez que a Braskem pagou dividendos foi em dezembro de 2019, um valor quase 10 vezes menor.
No auge da pandemia nos mercados, as ações da Braskem chegaram a ser negociadas a R$ 10,07. Quem comprou os papéis naquele fatídico dia 23 de março de 2020, e os segurou até hoje, será bonificado com um incrível rendimento de 74,77%.
O pagamento deste mês tem base no resultado do exercício de 2021, então vale lembrar como foram os números da empresa até aqui.
Balanço acima da expectativa do mercado
O desempenho é expressivo. A receita líquida de vendas da companhia quase dobrou de tamanho, saindo de R$ 39,80 bilhões nos primeiros nove meses de 2020 para R$ 77,41 bilhões no mesmo período deste ano.
O resultado líquido saiu de um prejuízo de R$ 7,53 bilhões para um lucro líquido de R$ 13,45 bilhões entre janeiro e setembro de 2021.
Histórico de crescimento da receita líquida da Braskem, em base trimestral na comparação anual

Isso possibilitou uma geração livre de caixa de R$ 7,06 bilhões no período, contra a queima de caixa de R$ 757 milhões um ano antes, abrindo caminho para a distribuição generosa de dividendos.
Segundo a companhia, os resultados podem ser explicados sobretudo pelos menores spreads internacionais de resinas no Brasil, polipropileno (PP) na Europa e polietileno no México. Esses spreads, contudo, ainda estão acima da média histórica dos últimos 10 anos, ainda existindo espaço para melhora.
Os números da empresa (e o bolso dos acionistas) também agradecem a retomada da demanda após o impacto da pandemia. O terceiro trimestre da empresa foi agraciado pelo maior volume de vendas dos principais químicos no Brasil, PP nos Estados Unidos e Europa.
Os melhores preços e volumes praticados também fizeram com que a Braskem diminuísse sua alavancagem, foco operacional há anos. A relação entre a dívida líquida ajustada e o resultado operacional recorrente encerrou setembro em 0,83 vez, contra 1,10 vez no trimestre imediatamente anterior.
O que pode destravar valor na Braskem
Além do avanço na eficiência operacional e o cenário mais positivo para o setor petroquímico, no Brasil e no mundo, o mercado aquece a expectativa pela venda da participação da Novonor (ex-Odebrecht).
Na noite da última quarta-feira (1), a companhia em recuperação judicial formalizou o interesse em realizar uma oferta subsequente de ações (follow-on) para vender sua fatia de 22,92% na Braskem.
A operação pode movimentar cerca de R$ 4,2 bilhões, com base na cotação de fechamento de ontem do papel preferencial classe A.
Na esteira do desinvestimento da Novonor, a Petrobras (PETR4) também já demonstrou interesse em se desfazer dos 21,93% das ações preferenciais que tem posse.
Este processo, embora ainda não tenha prazo nem molde, é mais factível, uma vez que o comportamento da estatal tem sido de otimização de seu capital, desinvestindo na Vibra Energia (antiga BR Distribuidora).
E por que o mercado se anima? A companhia possui tag along de 100% em suas ações. Dessa forma, caso o controle da empresa seja vendido, acionistas e controladores terão os mesmos direitos.
Essa expectativa tem impulsionado as ações da Braskem. No acumulado deste ano (até o fechamento de ontem), os papéis sobem 125,36%, contra um desempenho mais do que negativo do Ibovespa.
Desempenho das ações BRKM5 e o Ibovespa nos últimos 5 anos e no acumulado de 2021

O que o mercado enxerga
Segundo os dados compilados pela Refinitv, apresentados na plataforma do TradeMap, o mercado está “cautelosamente otimista”. Das 11 recomendações disponibilizadas, seis são de compra, e cinco indicam a manutenção das ações.
Embora nenhum dos analistas recomende a venda das ações, a mediana dos preços-alvo aponta para R$ 68, um upside de pouco mais de 20%. O menor target registrado é de R$ 45, o que indica a possibilidade dos papéis caírem também 20%.

As ações da Braskem (BRKM5) encerraram o dia com alta de 9,51%, a R$ 57,80.