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BB Seguridade (BBSE3) tem melhora operacional e prevê payout maior; o que analisar no balanço?

BB Seguridade (BBSE3) tem melhora operacional e prevê payout maior; o que analisar no balanço?

Na teleconferência com analistas, CEO da empresa reiterou que melhora veio do resultado operacional

A tempestade trazida pela pandemia já passou. Essa é a visão da diretoria da BB Seguridade (BBSE3).

Foto: Giovanni Nobile/Banco do Brasil

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A tempestade trazida pela pandemia já passou. Essa é a visão da diretoria da BB Seguridade (BBSE3) após o resultado do quarto trimestre do ano passado.

O lucro líquido da empresa atingiu a marca de R$ 1,22 bilhão entre outubro e dezembro do ano passado, o maior desde o IPO (oferta pública inicial de ações, em inglês), realizado em 2013. As ações da BB Seguridade respondem: por volta das 14h10 (de Brasília), subiam 5,56%, para R$ 24,10 – a maior alta dentre os componentes do Ibovespa.

Na teleconferência com analistas na manhã desta segunda-feira (7), o CEO da companhia, Ulisses Assis, disse que o balanço positivo foi apoiado pela retomada do resultado operacional, sem depender do resultado financeiro – embora a alta da Selic seja vista com bons olhos.

Entre as novas iniciativas registradas em 2022, destacam-se três novos modelos de negócio. A ideia é que mais de 10 parcerias, auxiliando no processo de distribuição dos produtos, entrem em vigor até o fim deste ano. 

A companhia também investiu R$ 333 milhões (considerando todas as empresas do grupo) para a aceleração da transformação digital. Pouco menos de 13% de todas as vendas da empresa já são realizadas por meios digitais.

A BB Seguridade enxerga uma ampla possibilidade de melhora nesses números – que já são vistos de forma positiva. Ao todo, 65% da base de clientes da companhia usa canais digitais.

Open finance enquanto oportunidade

Nesse sentido de digitalização das operações e otimização dos produtos vendidos, o open finance é visto como uma oportunidade.

Open Finance, ou Sistema Financeiro Aberto, trata-se do compartilhamento de dados e produtos, informações financeiras e serviços pelas instituições autorizadas pelo BC de forma padronizada. Para os clientes, nas oportunidades de negócios e consumo de forma centralizada, com menores taxas e maior alcance.

Para o CEO, embora a mudança de panorama do sistema financeiro que está sendo implementada possa trazer riscos, ampliam-se as possibilidades, e a BB Seguridade não está parada.

“Produtos e serviços bancários são commodities”, afirmou Assis. “O que muda é a proposta de valor e a proximidade com os clientes, melhorando a experiência.”

Resultado financeiro voltando ao patamar ‘confortável’

Embora não divulgue projeções para o resultado financeiro, a expectativa é de que esta linha do balanço da BB Seguridade seja amplamente favorecida pela alta da taxa básica de juros, a Selic. As dúvidas sobre até onde a taxa deve subir, porém, trazem incerteza.

Em linhas gerais, uma das fontes de receita das companhias do segmento são aplicações feitas no mercado financeiro, a maior delas em renda fixa, com rentabilidade atrelada à Selic. Quanto mais alta a taxa, maior a rentabilidade destas aplicações.

Rafael Sperendio, CFO da BB Seguridade, apontou que os dados colhidos pelo Banco Central e pelo mercado apontam expectativa de aumento da Selic para perto de níveis que foram observados pela última vez no período de 2016 a 2017.

“Naquela época o número [resultado financeiro] chegava a R$ 1,3 bilhão anual para a BB Seguridade”, dizendo que a expectativa é de que haja uma aproximação com aquele número.

No quarto trimestre do ano passado, a companhia teve um resultado financeiro de R$ 132,9 milhões, ante a perda de R$ 109,2 milhões no mesmo período de 2020.

A alta taxa de juros e seu respectivo efeito positivo sobre os resultados financeiros podem aliviar a preocupação com a sinistralidade, que deve subir nos próximos meses.

A empresa busca retomar o patamar de lucratividade da metade da década passada – período em que a Selic estava mais confortável para o modelo de negócio da companhia.

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Dividendos da BB Seguridade

A BB Seguridade anunciou nesta manhã a distribuição de R$ 1,83 bilhão em dividendos aos investidores. O patamar equivale a 83% do lucro líquido do segundo semestre do ano passado.

No acumulado do ano inteiro, R$ 2,9 bilhões foram pagos a título de dividendos – equivalente a um payout de 73%, abaixo do considerado normal pela empresa.

Para Sperendio, claramente a BB Seguridade tem capacidade de pagar mais dividendos com uma distribuição percentual maior. No ano passado, esse número foi impactado por questões de levantamento de capital pela Brasilprev.

Segundo ele, a tendência é que ao longo dos próximos períodos o payout fique mais parecido com o pago no segundo semestre de 2021, ou seja, acima de 80%.

Visões amplamente favoráveis à BB Seguridade

A resposta do mercado é clara. No ano, os papéis da seguradora sobem 16%, se recuperando frente ao ano passado, quando fecharam no vermelho.

Os investidores enxergam que as questões de sinistralidade estão sob controle, voltando aos patamares do pré-pandemia, ao passo que os negócios operacionais da empresa mostram bom desempenho.

As iniciativas por digitalização são vistas com bons olhos, enquanto o “tradicional” continua entregando bons resultados. Em 2021, a Brasilprev registrou o ingresso líquido de mais de 200 mil clientes. A expectativa da direção é que com a Selic mais alta, a competição pelos fundos se torne menor.

Do lado da Brasilseg, a alta de 28% nos prêmios emitidos por meio de canais digitais também passaram uma boa impressão, mesmo com o lucro líquido ficando estável na comparação entre 2020 e 2021.

Dados compilados pelo Refinitiv, apresentados na plataforma do TradeMap, mostram que 14 analistas acompanham a empresa. Destes, nove recomendam a compra das ações, enquanto cinco entendem que é melhor esperar.

O preço-alvo mediano para a BB Seguridade é de R$ 30, o que perfaz um upside de 24%. A empresa vale R$ 48,10 bilhões na B3.

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