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Banco do Brasil (BBAS3): guidance e rentabilidade em alta, crédito para PJ em baixa; o que analisar do balanço do 3º trimestre?

Banco do Brasil (BBAS3): guidance e rentabilidade em alta, crédito para PJ em baixa; o que analisar do balanço do 3º trimestre?

Lucro líquido projetado pelo BB para este ano teve o piso elevado em quase 12%

Banco do Brasil (BBAS3). Foto: Divulgação

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Não é segredo para ninguém que o setor bancário vem passando por uma forte disrupção nos últimos anos. Um dos bancos mais envolvidos pelo pessimismo do mercado é o Banco do Brasil (BBAS3).

Além de possuir o fator estatal em seu cerne, o que gera uma incerteza implícita, o Banco do Brasil é um dos cinco bancões brasileiros que tendem a perder participação de mercado e, consequentemente, rentabilidade, com as medidas de maior abertura do mercado pelo Banco Central (BC).

A liderança da instituição, contudo, se mostra confiante com os próximos passos. No terceiro trimestre deste ano, o Banco do Brasil reportou resultados majoritariamente acima do esperado, levando o presidente Fausto de Andrade Ribeiro e companhia a revisarem as projeções para este ano. 

O guidance para 2021 mudou para melhor, segundo o balanço divulgado na noite da última segunda-feira (8). O lucro líquido projetado pelo BB para este ano, que variava de R$ 17 bilhões a R$ 20 bilhões, teve o piso elevado em quase 12%, o que resultou em expectativa de ganho de pelo menos R$ 19 bilhões em 2020. O teto projetado agora é de R$ 21 bilhões.

A margem financeira bruta, que nada mais é que o resultado bruto da intermediação financeira e das receitas do banco, teve sua projeção mínima multiplicada por quatro vezes, saindo de R$ 1 bilhão para R$ 4 bilhões. Com isso, o teto também aumentou, de R$ 4 bilhões para R$ 6 bilhões.

A projeção do banco para a carteira de crédito passou da faixa de R$ 8 bilhões a R$ 12 bilhões, para R$ 14 bilhões a R$ 16 bilhões.

O otimismo decorre do fortalecimento das operações rurais. A projeção mínima para a carteira de crédito rural passou de R$ 11 bilhões, para R$ 29 bilhões. O teto, de R$ 15 bilhões para R$ 31 bilhões.

Também há um avanço considerável nas previsões para operações de varejo. Os negócios com pessoa física, com faturamento anual de até R$ 200 milhões, podem atingir de R$ 12,5 bilhões a R$ 14,5 bilhões na carteira de crédito, ante uma estimativa anterior de R$ 9 bilhões a R$ 13 bilhões.

Outras linhas das projeções, como receita de prestação de serviços, despesas administrativas e Provisão para Crédito de Liquidação Duvidosa (PCLD), foram mantidas.

O guidance serve como um balizador para os investidores. Com base nas projeções, analistas fazem suas estimativas e projetam os resultados com base no contato com a liderança do banco, endereçando as incertezas.

Top line

O Banco do Brasil lucrou, de forma ajustada (com a exclusão de efeitos extraordinários), R$ 5,1 bilhões entre julho e setembro deste ano. O resultado equivale a uma alta de 2% ante o resultado do trimestre imediatamente anterior e de 47,6% na base de comparação anual.

Em 12 meses, o resultado saltou 47,6%, partindo de uma base ainda comprimida em função da pandemia. 

A margem financeira subiu 11% em um ano, para R$ 15,7 bilhões, com destaque para um crescimento de 65% no resultado de tesouraria, contribuindo com um avanço de 14,8% nas receitas financeiras. 

Em tesouraria, o resultado foi impulsionado pelo crescimento de juros de títulos, sobretudo os pós-fixados, que surfam a onda da alta da taxa básica de juros da economia (Selic), e valores mobiliários (com expansão de 37,1%).

O resultado líquido da tesouraria somou R$ 5,2 bilhões, o maior da série histórica — e que deve ser um tanto quanto difícil de se manter no curto e médio prazos. 

No que se refere à carteira de crédito do período, que atingiu R$ 814,2 bilhões, alta trimestral de 6,2% e anual de 11,4%, o Banco do Brasil teve o forte desempenho atribuído à histórica e tradicional operação com o agronegócio, com um crescimento de 18,5% em relação aos mesmos três meses de 2020.

Da mesma forma, a carteira de micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) avançou 24,6%, enquanto a do segmento de pessoas físicas cresceu 14,2%.

Rentabilidade volta a aparecer

O Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE, na sigla em inglês) ajustado, seguindo a linha do lucro líquido, ficou em 14,3% no terceiro trimestre.

A média histórica, conforme mostra o gráfico gerado pela plataforma TradeMap, fica em torno de 14,2%. No pico da pandemia, como esperado, esse resultado chegou a se situar na casa dos 10%. 

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Um dos principais pontos de atenção neste sentido, e que está no radar do mercado, diz respeito à receita do BB com prestação de serviços. A operação de bancos digitais tem pressionado essa linha de receitas das grandes instituições, com propostas mais enxutas e menos custosas aos clientes.

No terceiro trimestre deste ano, a receita de prestação de serviços como um todo do BB somou R$ 7,4 bilhões, uma elevação de 3,2% na comparação com o trimestre imediatamente anterior. 

Mesmo com uma queda de 15,7% na receita com conta corrente, a linha de administração de fundos do BB cresceu 17,1% em 12 meses. O consórcio disparou 23%, embora o impacto, de R$ 477 milhões, seja menor. 

Para ficar de olho – para o bem e para o mal

A PCLD ampliada, que inclui provisão líquida de recuperação de crédito, descontos concedidos e imparidade e equivale a um montante separado pelo banco para cobrir possíveis inadimplências, totalizou R$ 3,9 bilhões no terceiro trimestre. O montante equivale a um recuo de 28,8% na comparação com o mesmo período de 2020.

As menores provisões mostram uma volta ao “novo normal”, com as atividades bancárias retomando o curso da pré-pandemia. O risco de crédito teve uma elevação de 43,6% em comparação com o trimestre imediatamente anterior, acompanhando o crescimento da carteira, mas o acumulado de nove meses deste ano perfaz uma baixa de 33,5% na relação anualizada.

Com menor risco de inadimplência, melhora no mercado de trabalho e retomada da economia (mesmo que em menor grau do que o esperado), a recuperação de crédito mostra uma resposta positiva. No terceiro trimestre, essa linha subiu 16,6% em comparação ao segundo trimestre deste ano, somando R$ 2,21 bilhões. Esse é o lado positivo.

Do lado negativo, o mercado deve manter os olhos abertos para as menores projeções relacionadas à carteira de crédito para pessoa jurídica. O desempenho acumulado é de queda de 4% nos últimos nove meses. O guidance mostra que o avanço esperado, neste momento, é de variação nula até 2% de crescimento, ante uma projeção anterior de expansão de 3% a 7%.

Com a recuperação econômica já olhada sob desconfiança, o aumento do custo da captação de crédito para as pessoas físicas pode pesar sobre o banco, já que tem sido um dos carros chefes nos últimos meses – ao passo que as pessoas jurídicas não têm aparecido nos balanços. 

Afinal, vale a pena investir nas ações do Banco do Brasil?

O Banco do Brasil possui uma característica peculiar, de sempre negociar com múltiplos menores que seus pares privados, sobretudo na relação preço/valor patrimonial, que hoje está na casa de 0,63 vez.

As últimas sessões não têm sido favoráveis às ações BBAS3. No acumulado de 2021 até o dia 8 de outubro, as ações recuavam cerca de 20%; nos últimos 30 dias, a baixa de pouco mais de 4%. 

No múltiplo preço/lucro, que mede a relação entre o preço das ações em Bolsa e o lucro por ação (LPA) dos últimos 12 meses, a diferença sobre a média histórica é gritante. O múltiplo atual é de 4,97 vezes, ao passo que a média dos últimos três anos foi de 12,06, como mostra a imagem a seguir.

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Os ruídos políticos que assombram o Banco do Brasil devem acompanhar a volatilidade dos mercados até o fim do próximo ano, com as eleições presidenciais. Contudo, há projeções otimistas.

Segundo o compilado da Refinitiv, de 17 analistas que acompanham as ações do BB, dois recomendam compra forte, sete recomendam compra e oito indicam manutenção das ações. Nenhum recomenda venda dos papéis neste patamar. 

O patamar mínimo de preço-alvo é de R$ 35, o que perfaz um potencial de valorização de 16% ante a cotação atual. O maior preço-alvo é de R$ 60,40, mais do que o dobro do valor atual.

Por volta das 12h desta terça-feira (9), as ações do Banco do Brasil subiam 1,36%, para R$ 29,88. O banco vale R$ 86,59 bilhões na B3. 

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