A Smart Fit (SMFT3) anunciou, na manhã desta segunda-feira (2), a aquisição da fatia restante da Sporty Panamá, empresa que já possuía 50% em uma joint venture. De acordo com a companhia, o valor a ser pago pela outra metade será de US$ 59,3 milhões (R$ 316,86 milhões).
Segundo a Smart Fit, o valor será pago em duas parcelas: a primeira vence já neste mês, e será de US$ 25 milhões. A segunda parcela, que terá potenciais ajustes, será paga em janeiro de 2024.
Dessa forma, a Smart Fit assume o controle de 100% da operadora de academias. Os outros 50% haviam sido adquiridos por US$ 19,8 milhões, em 2020.
São 28 unidades no Panamá e na Costa Rica, demonstrando como o negócio conversa com a estratégia da empresa em ampliar sua atuação na América Latina.
De origem paulista, atualmente 46,3% das academias da companhia estão fora do Brasil, sendo 20% no México e 26,3% países como Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica e outros países da região.
Em termos de base de clientes, a operação não-brasileira é ainda mais significativa. Dos 3,37 milhões de clientes da Smart Fit em academias no terceiro trimestre deste ano, 50,2% estão fora do país.
Nesse quesito, a companhia tem angariado mais clientes fora do Brasil do que em sua terra nativa. O número de novos clientes, na comparação com o terceiro trimestre de 2021, cresceu no México mais do que o dobro da operação brasileira (31% contra 68%).
O número médio de alunos por academia cresceu 5% em comparação ao segundo trimestre de 2022, tanto nas unidades próprias como nas franquias.
Contudo, se consideradas apenas as academias Smart Fit existentes pré-pandemia, a base de clientes no terceiro trimestre de 2022 atingiu 90% do patamar de março de 2020.
Embora esse seja o maior patamar proporcional desde a reabertura total, a empresa ainda segue abaixo do pico pré-pandemia, então uma saída observada é criar capilaridade em regiões fora do Brasil.
Por que as ações estão em queda
Por volta das 13h15, os papéis da Smart Fit recuavam 6,1%, para R$ 12,75 na B3.
Por um lado, os investidores podem se questionar quanto ao valor a ser pago pela segunda fatia na joint venture. Os primeiros 50% custaram US$ 19,8 milhões, enquanto a outra metade custará US$ 59,3 milhões, montante quase três vezes maior.
Porém, há de serem considerados termos presentes na criação do negócio, há quase três anos. A abertura de unidades e crescimento dos resultados financeiros incentivaram o detentor dos outros 50% a exercer a opção de venda já acertada entre as partes.
Leia também:
Cosan, Smart Fit e mais ações para manter em carteira, segundo três gestoras
Em razão disso, por parte da Smart Fit já era esperado que o desembolso fosse necessário. No terceiro trimestre de 2022, a empresa possuía R$ 2,71 bilhões em caixa.
Segundo a Smart Fit, a Sporty teve um Ebitda de US$ 10,9 milhões no terceiro trimestre deste ano. Por ser uma empresa de capital fechado, os dados não são abertos ao público, mas anualizando esse resultado, há um Ebitda de US$ 43,6 milhões.
Considerando os US$ 79,9 milhões totais na transação, a Smart Fit está pagando, hipoteticamente, 1,83 vezes o Ebitda da empresa. Hoje, Smart Fit negocia a 8,33 vezes o múltiplo EV/Ebitda.
Além disso, a operação da Sporty demonstra ser mais eficiente do que a compilada pela Smart Fit no Brasil e em mercados correlatos. Enquanto a companhia brasileira terminou o terceiro trimestre deste ano com uma margem Ebitda de 22,7%, o indicador da adquirida é de 49%.
Do outro lado, as ações SMFT3 sofrem como todo o restante do mercado neste primeiro pregão de 2023. O índice SMLL chegou a cair mais de 4% ao longo da sessão, enquanto o Ibovespa tem perdas entre 2% e 3%.
O passado e o futuro da Smart Fit
O desafio da Smart Fit segue sendo a monetização da base de alunos, que continua crescendo, apesar da concorrência acirrada no Brasil. Além disso, a empresa visa acelerar esse processo ao mesmo tempo em que se recupera da perda de clientes com a pandemia.
Os ajustes de ticket médio realizados e novas iniciativas de fidelização dos clientes e recorrência de receitas, como serviços de nutrição, têm feito a empresa apresentar sólidos resultados financeiros.
Entre julho e setembro de 2022, a empresa teve um Ebitda de R$ 173,8 milhões, quase 47 vezes maior do que o registrado no mesmo período de 2021. A empresa saiu de um prejuízo de R$ 141,5 milhões para um lucro de R$ 29,9 milhões na mesma comparação.
Com maior previsibilidade de receitas, a empresa tem conseguido acelerar sua geração de caixa, que, no fim das contas, é a geração de valor.
Entre os primeiros nove meses de 2021 e o mesmo intervalo de 2022, a Smart Fit ampliou sua geração de caixa operacional em 598%, para R$ 440,6 milhões.