A Americanas (AMER3) reportou na noite de quarta-feira (11) uma inconsistência contábil no balanço da companhia na ordem de R$ 20 bilhões referente à conta fornecedores.
Diante disso, Sérgio Rial, diretor-presidente, e André Covre, diretor de relações com investidores, decidiram deixar os cargos. Ambos os executivos haviam tomado posse há menos de 10 dias.
Com a decisão, o conselho de administração nomeou João Guerra, executivo de carreira da Americanas na área de tecnologia e recursos humanos, para assumir os dois cargos. Segundo a companhia, Guerra não tem envolvimento anterior na gestão contábil ou financeira.
A companhia ainda menciona que as inconsistências detectadas não têm efeito caixa. No entanto, menciona que ainda é cedo para determinar os impactos na demonstração de resultados e balanços patrimoniais.
A varejista ressalta que as estimativas estão sujeitas a confirmações e ajustes decorrentes da conclusão de trabalhos de apuração e dos trabalhos a serem realizados pelos auditores independentes.
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Como diz a própria companhia, para maior precisão dos impactos é necessário maiores informações sobre esta inconsistência nas contas.
Mediante as informações fornecidas, a empresa poderia ter sérios problemas de endividamento que poderiam levar a falência.
O patrimônio líquido, que representa todos os valores que os sócios possuem na empresa, era de R$ 14 bilhões em setembro. Isto é, a empresa não teria capacidade em arcar com uma dívida de R$ 20 bilhões nem se vendesse todo patrimônio.
Isto depende, é claro, do prazo das dívidas e quais serão as formas de pagamento que a varejista terá. No momento as informações ainda estão sendo melhor investigadas.
Para se ter dimensão do tamanho do problema, o rombo descoberto pela empresa equivale ao valor de mercado do Magazine Luiza (MGLU3).
Portanto, pode ser que a alavancagem financeira – a relação entre a dívida líquida e o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), dispare. Hoje, este índice está em 7,4 vezes, o que significa que levaria pouco mais de sete anos para a empresa pagar o que deve se usasse toda sua geração de caixa para isso.
O aumento nas dívidas deve complicar ainda mais a empresa e elevar o risco de insolvência.
Diante disso, a Americanas precisará buscar recursos para arcar com a dívida. Pode ser que a varejista emita novos papéis para aumentar capital ou até mesmo seja colocada à venda.
Esta seria uma oportunidade para concorrentes do setor como Via, Magazine Luiza, Amazon, entre outras. Isso porque a Americanas pode sair de cena ou virar alvo de aquisição.
Como dito antes, ainda é muito cedo para saber o real impacto das inconsistências, mas diante das informações que temos este é um possível cenário.
Além disso, a saída de Rial e Covre deve impactar ainda mais a estrutura organizacional da companhia. Pela enorme experiência no setor financeiro, Rial poderia ser uma das grandes armas para ajudar a varejista a enfrentar este momento.
Para se ter uma ideia, após a entrada de Rial a ação da varejista acumulou alta de 24,35%, a maior alta do Ibovespa em 12 dias no ano.
Portanto os investidores passam a se preocupar, não só com o rombo contábil, mas também com a gestão da companhia.
Como os papéis devem reagir?
Os investidores devem estar apreensivos com a abertura de mercado, uma vez que há inúmeras incertezas de qual será o futuro da varejista.
Portanto, as ações da Americanas devem abrir em forte queda no pregão desta quinta-feira (12). É possível que a queda seja de mais de 20%, e que o papel entre em leilão.