Com apoio de blue chips e NY misto, Ibovespa ignora atos antidemocráticos e sobe 0,15%

Após abrir em queda, Bolsa brasileira recupera e fecha o pregão aos 109.128 pontos

Foto: Shutterstock/Alf Ribeiro

Após operar em queda nas primeiras horas da manhã, o Ibovepa conseguiu absorver o clima de instabilidade gerado pelos atos antidemocráticos em Brasília na véspera e inverteu para fechar a sessão desta segunda-feira (9) no campo positivo.

A alta do pregão foi puxada pelas blues chips – ações que apresentam maior liquidez -, principalmente com a recuperação da Vale (VALE) e da Petrobras (PETR3; PETR4), além do viés positivo de parte das Bolsas globais com a expectativa de reabertura das atividades na China.

Diante deste cenário, o principal indicador da Bolsa brasileira encerrou o primeiro pregão da semana em alta de 0,15%, aos 109.128 pontos e R$ 16 bilhões em volume negociado.

O resultado faz o Ibovespa praticamente zerar a queda acumulada desde o início de 2023, para 0,5%, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap.

Todos os olhos em Brasília

A expectativa de volatilidade no pregão desta segunda começou a ser alimentada na tarde deste domingo, após os ataques em Brasília, que destruíram partes dos prédios do Palácio do Planalto, Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal).

Para analistas estrangeiros, o impacto dos atos antidemocráticos aumenta a cautela com o país, mas as atenções ainda estão voltadas para os passos da política fiscal do novo governo petista.

Em relatório, a Órama Investimentos disse que uma possível percepção de instabilidade no país pode levar ao afastamento dos investidores gringos, mas que ainda é necessário observar a reação das autoridades para ter uma dimensão maior do quadro.

“Os rumos dos mercados nos próximos dias serão definidos pela capacidade das instituições brasileiras de conseguir evitar novos atos de vandalismo, e não permitir a adesão de categorias importantes, como os caminhoneiros”, ressaltou a especialista.

O clima de tensão também foi sentido nos juros futuros e no dólar, que chegou subir 4% ante o real. Porém, assim como a Bolsa, o clima foi de apaziguamento durante o dia, e a moeda americana diminuiu a vantagem para 0,39%, encerrado a R$ 5,28.

Vale e Petrobras recuperam

A inversão da B3 foi influenciada pela mudança de direção para alta da Vale (VALE3), que fechou o dia com valorização de 0,11%, e da Petrobras. Os papéis preferenciais da estatal encerraram com avanço de 0,55%, enquanto os ordinários subiram 0,67%.

A Vale teve alta a despeito da queda de 2,5% do minério de ferro no porto de Dalian em meio aos esforços da China em regular preços do ingrediente siderúrgico e reprimir a especulação de preços.

Já a Petrobras foi ajudada pela valorização do petróleo com a expectativa de que a economia chinesa esteja em franca abertura após meses de restrições contra a Covid-19. O barril tipo Brent, usado como referência na maior parte do mundo, fechou em alta de 1,42%, a US$ 79,69.

Saiba mais:

A ponta positiva, porém, foi liderada pela Americanas (AMER3), ampliando o fluxo de valorização visto no fim da semana passada. A varejista encerrou o dia em alta de 6,44%, seguido por CVC (CVCB3) e Gol (GOLL4), que subiram 4,98% e 4,07%, nesta ordem.

As baixas do dia

O pelotão de baixo foi puxado com folga pelas ações da Hapvida (HAPV3), que tombaram 11,02%. Na sexta, a ação já havia recuado mais de 1%, após o J.P Morgan rebaixar a recomendação da empresa para uma posição neutra.

Segundo a Reuters, os analistas Joseph Giordano e Estela Strano enxergam “ventos contrários mais fortes ao crescimento e à lucratividade da Hapvida”, citando, por exemplo, que o mercado de trabalho provavelmente mais fraco no meio do ano deve prejudicar a expansão da base de membros.

O grupo em vermelho ainda contava com os papéis do Grupo Soma (SOMA3), com tombo de 3,16%, além da Fleury (FLRY3) e São Martinho (SMTO3), com recuos de 3,08% e 3,06%, respectivamente.

Bolsas globais e criptos

Apesar das expectativas com a retomada das atividades na China, as Bolsas globais fecharam em direções divergentes, com a dúvida da alta dos juros americanos no radar.

Em Wall Street, o Dow Jones caiu 0,34% e o S&P500 perdeu 0,04%. Já a Nasdaq subiu 0,63%. Do outro lado do Atlântico, o Euro Stoxx 50 fechou com alta de 1,26%.

O bom humor global também deu vazão para valorização do mercado cripto. Por volta das 17h20, o Bitcoin subia 2,2% em comparação as últimas 24 horas, a US$ 17.315, conforme dados da plataforma CoinGecko. Já o Ethereum (ETH) tinha ganhos de 4,9%, a US$ 1.329.

O destaque do começo da semana, porém, é da Solana (SOL), que desde o fim do ano passado já dobrou de valor. Nesta segunda, o token estava avaliado em US$ 16,26.

A alta é reflexo da recuperação do ativo as quedas geradas pela quebra da FTX, que mantinha forte ligação com a cripto. Além disso, a rede SOL foi usada para hospedar a nova memecoin Bonk Iku (BONK), que teve uma intensa distribuição entre investidores no fim do ano passado.

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também:

Destaques econômicos – 02 de abril

Nesta quarta (02), o calendário econômico apresenta importantes atualizações que podem influenciar os mercados. Confira os principais eventos e suas possíveis repercussões:   04:00 –

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.