Após respiro em outubro, quando avançou 0,3% após dois meses de queda, a produção industrial voltou a cair em novembro de 2022, se mantendo em um patamar 2% abaixo do registrado no pré-pandemia, em fevereiro de 2020.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (5) pelo IBGE, e mostraram que o setor voltou a perder ritmo, influenciado pela taxa básica (Selic) em um patamar elevado – os juros estão em 13,75% ao ano.
No acumulado de 2022 até novembro, a produção industrial acumula queda de 0,6%, e de 1% em 12 meses, mostrando um quadro difícil para a indústria no ano passado.
“Nos últimos seis meses, foram quatro resultados negativos, do total de cinco que tivemos até agora para 2022. Isso mostra o setor girando em torno de um mesmo patamar, mas com um viés negativo, já que a média móvel trimestral está em queda pelo quarto mês seguido e mostra uma trajetória descente muito clara”, afirmou o gerente da pesquisa, André Macedo, no material de divulgação do IBGE.
Ele apontou que, no início de 2022, as medidas de incremento de renda e estímulos ao setor implementadas pelo governo possibilitaram quatro meses seguidos de crescimento a partir de fevereiro.
“A recuperação, no entanto, foi pontual. Posteriormente, ainda tendo como pano de fundo a inflação alta, especialmente de alimentos, o elevado número de trabalhadores fora do mercado de trabalho, precarização dos postos de trabalho e uma massa de rendimentos que avançou muito pouco, o setor industrial voltou a mostrar perda de ritmo”, analisou.
Apesar do indicador geral estar no campo negativo, em novembro 15 de 26 atividades mostraram avanço em relação a outubro.
Atividades que caíram
No campo negativo, estão as indústrias extrativas (-1,5%), que voltaram a cair após dois meses em alta, e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-6,5%), que tiveram o segundo mês seguido de queda.
“Essa perda tem relação com a produção de eletrodomésticos da linha marrom, especialmente os televisores. Os aumentos de agosto (6,5%) e setembro (0,9%) podem estar relacionados com a Copa do Mundo, e agora estaríamos apresentando um movimento de compensação”, ponderou o gerente da pesquisa.
Ele destacou que, apesar desse efeito, a economia mostra de fato sinais de perda de ritmo, com a inadimplência elevada e o efeito da Selic chegando à ponta, em especial no caso dos bens de consumo duráveis. “Esses fatores inibem o consumo na ponta final e consequentemente afetam a produção”, analisa o gerente.
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Outras contribuições negativas vieram dos ramos de produtos têxteis (-5,4%), de confecção de artigos do vestuário e acessórios (-3,8%), de produtos de metal (-1,5%) e de produtos de minerais não metálicos (-1,2%).
Atividades que subiram
Segundo o IBGE, das 15 atividades com alta na produção, o destaque foi de produtos alimentícios (3,2%), veículos automotores, reboques e carrocerias (4,4%), bebidas (10,3%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,8%).
“O setor de produtos alimentícios tem o segundo mês seguido de crescimento, após dois meses de queda. Nesse mês, o avanço está relacionado à maior produção vinda do processamento da cana-de-açúcar, sendo o açúcar o principal item que puxou o avanço do mês”, apontou Macedo.
Já o setor de veículos compensou as perdas dos dois meses anteriores, com destaque para o setor de autopeças. A alta de dois dígitos em bebidas está relacionada com o final do ano, com avanço de alcoólicas e não alcoólicas.
No caso de derivados do petróleo e biocombustíveis, houve crescimento pelo segundo mês consecutivo. “Nesse resultado, tem um pouco do crescimento dos derivados do petróleo, mas muito do avanço vem do maior processamento da safra de cana-de-açúcar, aqui nessa atividade com o álcool impulsionando o resultado”, disse Macedo.