Ibovespa opera perto da estabilidade após duas altas seguidas; IRB (IRBR3) dispara

Bolsa opera de forma volátil nesta quarta-feira com investidores "realizando lucros"

Foto: Shutterstock

Após duas sessões consecutivas em alta, o Ibovespa, principal índice da B3, opera próximo da estabilidade nesta quarta-feira (21), com investidores “realizando lucros” com algumas ações que se valorizaram nos últimos pregões e com os olhos do mercado voltados para Brasília.

Ontem à noite, a Câmara dos Deputados aprovou, em primeiro turno, uma versão desidratada da PEC da Transição, com a manutenção do aumento do teto de gastos em R$ 145 bilhões, além de R$ 23 bilhões em receitas extraordinárias. Apesar do valor inicial ser mantido, a PEC terá a duração de um ano. Antes, a proposta era para manter por pelo menos dois anos o valor acima do teto.

Nesta quarta, o mercado monitora os próximos passos do texto, e aguarda sua aprovação no Senado. Enquanto isso, o Ibovespa avançava 0,24%, operando aos 107.121 pontos.

Na ponta negativa do Ibovespa, as ações que lideraram as principais altas de segunda e terça devolviam parte dos ganhos, com Magalu (MGLU3) em queda de 6,74%, após registrar uma alta de mais de 8% na véspera.

Além dela, Yduqs (YDUQ3) perdia 3,46%, MRV (MRVE3) caía 4%, Americanas (AMER3) se desvalorizava 3,20% e Alpargatas (ALPA4) apontava em 3% para baixo.

Vale ressaltar que esses papéis avançaram na véspera repercutindo a sinalização de que o texto da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) da Transição caminhava para ser desidratado pelo Congresso.

“Esta reação positiva da véspera se deu pela expectativa de minimizar os riscos fiscais que a extrapolação do teto por dois anos poderia gerar para o país. Isto porque os riscos inflacionários serão menores e, com isso, é aberto espaço para que a taxa básica de juros caia”, comenta Elcio Cardozo, sócio da Matriz Capital.

IRB Brasil na ponta positiva do Ibovespa

As ações do ressegurador IRB Brasil (IRBR3) lideravam as altas entre as empresas que fazem parte do Ibovespa, com uma valorização de 14,82%. A companhia registrou um lucro líquido de R$ 6,4 milhões em outubro de 2022, revertendo o prejuízo de R$ 84,8 milhões na comparação com o mesmo período de 2021. Esse foi o primeiro mês do ano em que a empresa teve um resultado líquido positivo.

Tanto é que, de janeiro a outubro, o prejuízo líquido acumulado do IRB já soma R$ 585,2 milhões. Neste mesmo intervalo em 2021, o montante havia sido menor, de R$ 396,6 milhões. As perdas acumuladas em 2022, portanto, estão 47,5% maiores.

Em outubro de 2022, os prêmios emitidos pelo IRB (indicador que mostra o quanto os clientes pagaram em resseguros, o que seria o equivalente ao faturamento da empresa no mês) totalizaram R$ 541,8 milhões, resultado ligeiramente abaixo do que foi anotado no mesmo período do ano anterior, de R$ 543,2 milhões.

Depois do IRB, Sulamerica (SULA11) subia 6,32%, Rede D’or (RDOR3) ganhava 4,70% e BB Seguridade (BBSE3) apontava em 2,66% para cima.

As duas primeiras publicaram na noite de ontem um fato relevante que informa que ambas autorizaram a consumação da operação de compra da Sulamérica pela Rede D’Or, o que inclui a emissão de novas ações da segunda.

No início da semana, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) já havia aprovado o negócio com algumas restrições.

Para aprovar a transação, a ANS impôs restrições relacionadas à Qualicorp (que tem a Rede D’Or como acionista), tanto que os papéis da empresa que vende planos de saúde coletivos (QUAL3) estão em baixa de quase 2%.

Segundo a agência, a operadora de planos por adesão não poderá comercializar exclusivamente planos da SulAmérica e o representante da Rede D’Or no conselho de administração da operadora deve abster-se de pautas que envolvam a empresa.

Na visão da XP, o resultado da operação foi positivo, dado que as restrições impostas pela ANS foram menores do que o mercado esperava, já que a Rede D’Or tem 28,98% da Qualicorp.

Cenário externo

Os principais índices globais operam em terreno positivo nesta quarta, tanto nos EUA quanto na Europa.

Na Alemanha, os dados de confiança do consumidor mostraram melhora pelo terceiro mês consecutivo, mas ainda permanecem em nível contracionista. O índice de clima do consumidor do GfK subiu para -37,8 pontos em janeiro, acima do esperado por analistas e melhor que os -40,1 pontos vistos em dezembro.

“Ambos os componentes do indicador melhoraram, indicando que a recessão esperada deve ser menos profunda quanto se temia anteriormente”, comenta a XP, em relatório.

Compartilhe:

Mais sobre:

Leia também:

Destaques econômicos – 02 de abril

Nesta quarta (02), o calendário econômico apresenta importantes atualizações que podem influenciar os mercados. Confira os principais eventos e suas possíveis repercussões:   04:00 –

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.