Juros mais altos por mais tempo, o que deve levar a um PIB mais fraco no ano que vem. Esse é o cenário visto pelos analistas de mercado ouvidos pelo Boletim Focus, pesquisa semanal feita pelo Banco Central, divulgada nesta segunda-feira (1º).
De acordo com o levantamento, os especialistas esperam que, em meio ao aumento dos riscos fiscais, o BC tenha que manter os juros em 11% até o final de 2023 – há uma semana, a projeção era de uma taxa básica de 10,75%.
A mediana dos ouvidos pelo levantamento acreditam agora em uma alta do PIB (Produto Interno Bruto) de 0,40% em dezembro do ano que vem (há uma semana, a aposta era de 0,49%,
Para 2022, a mediana dos ouvidos ainda espera uma Selic de 13,75% no final do período, mesma projeção de uma semana atrás. Já o PIB, na avaliação dos analistas, deve avançar 1,97% (contra expectativa de 1,93% na semana anterior da pesquisa).
Nesta quarta-feira, o Banco Central decide a nova taxa básica da economia, que deve ser elevada em 0,50 ponto percentual, a 13,75% ao ano.
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Inflação
Os analistas ouvidos na pesquisa voltaram a revisar para baixo a projeção para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano, e esperam agora uma alta de 7,15%, ante 7,30% da semana anterior. Apesar disso, a alta de preços ainda ficará bem acima da meta para o ano, de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo.
Para 2023, os especialistas voltaram a elevar as projeções, de 5,30% para 5,33% – o objetivo para o ano que vem é de um IPCA de 3,25%, também com uma banda de 1,5 ponto.
Ao tomar suas decisões de política monetária, que tem defasagem de meses até fazer efeito na ponta, o BC já está olhando totalmente para a inflação do ano que vem.
Os analistas não mexeram nas suas projeções para o câmbio: a expetativa é de um dólar a R$ 5,20 no final deste ano e também no próximo.
O que é a pesquisa Focus?
O Boletim Focus é uma publicação divulgada todas as segundas-feiras pelo Banco Central às 8h25, contendo um resumo das expectativas de mercado a respeito dos principais indicadores da economia brasileira, como taxa de juros básica, inflação, câmbio e juros.
O relatório apresenta resultados de uma pesquisa feita diariamente com as previsões de bancos, gestoras de recursos e corretoras, entre outros participantes do mercado, e faz parte do arcabouço da política monetária. O objetivo é monitorar a evolução das expectativas do mercado para as principais variáveis macroeconômicas, dando assim elementos ao Banco Central para decidir sobre a taxa básica da economia, a Selic.
O levantamento foi criado em 1999 como parte da transição brasileira para o regime de metas de inflação, no qual o BC se compromete a atuar para garantir que a variação de preços medida pelo IPCA esteja em linha com um objetivo pré-estabelecido.
Um dos propósitos do BC é exatamente ancorar (ou guiar) as expectativas do mercado financeiro. A razão para isso é que, quanto mais previsíveis forem as condições macroeconômicas de um país, menores tendem a ser as contrapartidas pedidas pelos investidores.