Com mau humor global e queda das commodities, Ibovespa cai mais de 2% e perde os 100 mil pontos

Sentimento dos investidores ao redor do globo foi azedado pelo avanço da Covid-19 na China

Gabriel Bosa

Gabriel Bosa

Foto: Shutterstock

Em dia de mercados ao redor do globo no vermelho, o Ibovespa voltou a perder o patamar dos 100 mil pontos, que havia reconquistado na semana passada, e fechou o pregão desta segunda-feira (11) em baixa de 2,07%, aos 98.212 pontos, com R$ 12,4 bilhões em volume negociado.

Com isso, o saldo do índice no mês de julho, que vinha no positivo, passou para baixa de 0,33%, enquanto a desvalorização desde o início do ano agora soma 6,31%.

O dia foi de baixa generalizada. Em Nova York, o S&P 500 teve queda de 1,15%, o Dow Jones caiu 0,52% e o Nasdaq recuou 2,26%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 fechou com perdas de 0,99%.

Mais uma vez, China pesa

O sentimento dos investidores ao redor do mundo foi azedado pelo avanço da Covid-19 na China. De acordo com dados da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, no domingo (10) a China registrou 3,4 mil novos casos da doença – nível quatro vezes maior que o observado há um mês, quando as cidades chinesas começaram a relaxar as restrições à circulação de pessoas.

Estas restrições, cujo objetivo era mitigar a transmissão de Covid-19 e que na prática impediam os chineses de saírem de casa, são uma das causas apontadas por especialistas e empresas para o aumento nos preços de diversos produtos manufaturados.

Em Xangai, por exemplo, as medidas de lockdown afetaram o funcionamento de um dos principais portos do mundo e restringiram tanto a oferta quanto a produção de equipamentos em vários países – inclusive no Brasil.

O ressurgimento dos casos de Covid-19 reviveu os receios com a possibilidade de a China retomar as restrições à circulação de pessoas – e, com isso, prejudicar ainda mais o cenário de recuperação econômica do país e da economia mundial.

Nesse contexto, o petróleo tipo Brent fechou em leve alta de 0,07%, a US$ 107,10 por barril, incapaz de sustentar as ações das petroleiras, enquanto o minério de ferro caiu 3,26% na Bolsa de Dalian, a US$ 110,50 por tonelada, pressionando os papéis do setor.

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Recessão x inflação

O mercado também aguarda com cautela uma bateria de dados que pode dar mais clareza sobre os próximos passos da política monetária global, principalmente os números de inflação dos Estados Unidos, o CPI (índice de preços ao consumidor) em junho, que será informado na quarta-feira (13), e o PPI (índice de preços ao produtor), na quinta-feira. Os números devem ajustar as expectativas para os próximos movimentos de juros do Federal Reserve, o banco central americano.

Por aqui, a divulgação mais importante do dia foi o Boletim Focus. Os números do Banco Central voltaram a ser divulgados na semana passada, com o fim da greve dos servidores por reajuste salarial.

De acordo com o documento, o mercado já espera um IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) de 5,09% no final de 2023, bem acima do teto da meta para a alta de preços no ano que vem, que é de 4,75%. A expectativa da semana anterior era de um aumento de 5,01%.

Para este ano, porém, as expectativas foram reduzidas e o IPCA foi revisado para 7,67% (era de 7,96% há uma semana), devido à aprovação de projeto limitando a cobrança de ICMS de combustíveis, energia elétrica e telecomunicações a 17%. Após quase todos os Estados brasileiros seguirem a determinação e reduzirem o imposto, economistas revisaram suas projeções para baixo para este ano.

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Amanhã, o mercado brasileiro estará de olho na votação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição), conhecida como PEC dos Auxílios. “Não vemos grandes obstáculos para a aprovação integral do texto, rapidamente, partindo assim para a promulgação em encontro do Congresso”, afirma Étore Sanchez, economista-chefe da Ativa Investimentos, em comentários ao mercado.

Altas e baixas do pregão

Entre as ações do Ibovespa, as maiores quedas foram de Gol (GOLL4), Méliuz (CASH3) e Azul (AZUL4), com perdas de 11,79%, 8% e 7,55%, respectivamente.

A Gol divulgou dados preliminares apontando prejuízo no segundo trimestre, mesmo diante de um crescimento na receita. O vilão, assim como nos trimestres anteriores, foi o aumento nos custos com combustíveis.

Em comunicado, a Gol estimou um prejuízo por ação de R$ 1,80 para o trimestre de abril a junho. Usando como referência a quantidade de ações reportada pela empresa ao fim do primeiro trimestre, de 396,2 milhões, isso significaria uma perda de aproximadamente R$ 713 milhões.

Na direção oposta, os papéis que mais subiram foram os de Telefônica (VIVT3), PetroRio (PRIO3) e Assaí (ASAI3), com ganhos de 0,8%, 0,74% e 0,46%, nesta ordem.

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Cripto

Seguindo o clima de cautela dos mercados internacionais à espera da divulgação dos dados da inflação americana nesta semana, os criptoativos voltaram para o campo negativo após sinais de alívio nos últimos dias.

O Bitcoin (BTC), que durante a madrugada de sexta-feira (8) chegou a superar a casa dos US$ 22 mil, recuou para a faixa de US$ 20 mil durante o fim de semana e seguiu “andando de lado” sem grandes variações nesta segunda.

Por volta de 16h50, o maior ativo digital tinha queda de 1,2%, cotado a US$ 20.602, segundo dados do Mercado Bitcoin disponíveis na plataforma TradeMap.

As altcoins acompanham o clima negativo e registram perdas. O Ethereum (ETH) recua 2,1%, enquanto Solana (SOL) e Cardano (ADA) perdiam 4,7% e 3,5%, respectivamente, de acordo com informações da CoinGecko.

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