TradeLetter #26 – De tlader a vendedor de pastel, oportunidade de vender casa, carro e sogra pra comprar BTC e quem tem… tem medo

Olá, investidor(a)!

Tudo bem?

Aqui está, saindo quentinha do forno, mais uma edição da TradeLetter, a mais divertida newsletter de notícias do mercado financeiro.

Nesta edição, vamos olhar em retrospecto para tudo que de mais interessante aconteceu na última semana. Bora lá?

E os troféus de maiores altas e maiores baixas do ano vão para…

🥇 EMBR3 = +93,17%

🥈 BRFS3 = +58,80%

🥉 WEGE3 = +36,69%

👎 COGN3 = -56,45%

👎👎 YDUQ3 = -53,10%

👎👎👎 AZUL4 = -50,34%

Principais índices

IBOV = -2,66%

IDIV = -0,38%

IFIX = +1,16%

Dow Jones  = +4,84%

S&P-500 = +12,05%

Nasdaq = +11,36%

Dólar Ptax = +13,84%

*Dados do ano até o fechamento de 09/08/2024.

Agora, sem mais delongas, vamos ao que interessa!

De tlader a vendedor de pastel

Nesta segunda-feira (5), todo mundo foi pego de calças arriadas, enquanto os japoneses foram dormir de cabeça quente.

As ações japonesas registraram a pior queda em um único dia desde a Segunda-feira Negra, um crash mundial ocorrido em 1987. Pra se ter uma ideia, o índice Nikkei caiu impressionantes 12,4%.

Se você não teve tempo de acompanhar toda a minissérie, vou tentar resumir aqui para você as razões para o ocorrido. Basicamente, esse banho de sangue todo foi desencadeado por três razões:

  • Dados desanimadores sobre empregos nos EUA divulgados na sexta (2) que aumentaram as preocupações com uma possível recessão;
  • Alta dos juros nipônicos e consequente a alta do iene, levando a moeda para o maior valor em sete meses em relação ao dólar;
  • A onda de vendas de ações das big techs desencadeadas por suspeita do início de uma bolha.

Vamos por partes.

Não tem jeito. Os Estados Unidos mexem com tudo mesmo. Dados oficiais de emprego mostraram que os empregadores dos EUA criaram 114 mil vagas de trabalho em julho, bem abaixo da expectativa de 185 mil, enquanto a taxa de desemprego aumentou. E pra completar, tivemos toda aquela ladainha envolvendo os juros americanos que expliquei semana passada.

Pronto! Foi todo o necessário para começar o ti-ti-ti no mercado. Analistas do Goldman Sachs iniciaram logo suas apostas na BetEconomics, aumentando as apostas de recessão nos Estados Unidos de 15% para 25%, e o resto é história. Todo o mundo pagou pra ver…

A alta dos juros nipônicos e do iene também desempenhou papel significativo nesse pandemônio.

Todo mundo sabe que o Japão enfrenta desafios econômicos internos, como a incerteza política e as dificuldades estruturais de longo prazo, incluindo uma população em envelhecimento e uma força de trabalho em declínio.

Como se não bastasse todos esses problemas, o iene atingiu sua menor cotação em relação ao dólar em 40 anos. Importar começou a ficar muito caro, e foi então que o BoJ (Bank of Japan) começou a intervir.

Foi só os japinhas subirem os juros do intervalo entre 0,0%-0,1% para 0,15%-0,25% ao ano, o maior patamar em 16 anos, que o dólar arregou em -1,90% no Japão.

Mas você dirá: “isso não é bom pra a economia japonesa?” Bem, a coisa não é tão binário assim. A alta dos juros por si só já seria motivo ciente para pressionar as ações japonesas para baixo. Somado a isso, tivemos ainda uma reversão violenta de carry trade, já que muitos investidores estavam aproveitando os juros baixos no Japão para tomar empréstimos em ienes para comprar outros ativos, principalmente quais? Ah, garoto! Ações de tech americanas, claro!

E aí é que entra a desvalorização massiva das big techs. Essas ações que subiram que nem foguete sem ré, diferente da maioria dos setores, ao longo do primeiro semestre, agora são alvo de uma crescente percepção de que o setor de tech em específico entrou numa grande bolha. Tanto é que vimos Buffett vendendo quase 50% da sua posição em Apple.

Toda esse imbróglio fez com que os japinhas tivessem que vender até as calças, mermão. O que teve de trader japonês virando vendedor de pastel de flango na segunda não está no gibi.

E essa shitstorm toda não ficou só no Japão, não. Segunda-feira foi um dia sangrento em todas as bolsas mundiais, incluindo aqui no Brasil. Saca só esse gráfico:

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Chance de vender casa, carro e sogra pra ficar rico

Do nada, do nadão, tivemos uma queima de estoque de Bitcoins.

Também sob intensa pressão dos mercados globais, a criptomoeda caiu 15% na manhã de segunda-feira, chegando ao patamar de US$ 50.000,00.

A queda, claro, ocorreu num momento nada surpreendente. Enquanto bolsas derretiam, num movimento global de liquidação, motivado por preocupações de recessão e questionamentos a respeito de uma possível bolha no setor de tech, não teve ativo que se manteve de pé.

Os fundos negociados em bolsa de Bitcoin nos EUA sofreram seus maiores saques em cerca de três meses no dia dois de agosto. O ativo digital também caiu abaixo de seu preço médio móvel de 200 dias.

Mas a oportunidade não durou tanto. Já na quarta-feira (7), a cripto atingiu a cotação de quase US$ 58.000,00, mostrando que o movimento de queda, derivado do pânico de segunda, foi mais baseado em uma reação especulativa dos mercados do que sobre fundamentos.

Já ontem (8) o preço da cripto chegou a pouco mais de US$ 62.000,00.

E aí, você também vendeu sua sogra pra aproveitar essa oportunidade?

Quem tem… tem medo

Carinhosamente apelidado como “Índice do Medo”, o VIX (Volatility Index em inglês) chegou a disparar 115% na segunda-feira (5).

O VIX mede a volatilidade implícita do S&P 500. Quando ele supera o patamar de 30 pontos, ele sinaliza uma turbulência extrema no mercado. Por outro lado, quando está em níveis mais baixos (entre 0 e 15 pontos) geralmente indica um otimismo entre os investidores.

Pra se ter uma ideia, o índice bateu a máxima de 65,73 pontos, patamar mais elevado desde março de 2020, quando ocorria o choque inicial da pandemia da Covid-19. Pois é. Tava todo mundo de bunda na parede…

As razões para a disparada do índice são também as mesmas: elevação dos juros no Japão, possibilidade de recessão nos Estados Unidos e realização de lucros das gigantes de tecnologia. Analistas também estão colocando na equação a intensificação dos conflitos no Oriente Médio.

Passado o susto, o índice rapidamente voltou para a casa dos 24 pontos de novo.

Sinistro, né?

Hora de dar tchau!

Por hoje é só, galerinha.

Vejo você na próxima sexta!

TradeLetter, você mais informado em 5 minutos.

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