Os mercados de previsão Polymarket e Kalshi passaram a apontar o senador Flávio Bolsonaro (PL) como favorito para vencer a eleição presidencial em 10 de setembro, três semanas antes do primeiro turno. Naquele momento, as pesquisas eleitorais ainda mostravam uma disputa equilibrada contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesta segunda-feira (12), as duas plataformas atribuíam ao senador mais de 87% de probabilidade de vitória no segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Nessas plataformas, os usuários compram e vendem contratos que pagam US$ 1 se um evento acontecer, e o preço de cada contrato é lido como a probabilidade que o mercado atribui ao resultado.
Polymarket
No fim de agosto, Lula era o favorito no Polymarket, com 55,5% de probabilidade de vitória, contra 39,25% de Flávio. A diferença diminuiu nas semanas seguintes até a inversão em 10 de setembro, quando o senador fechou o dia com 52,45%, e o presidente, com 45,5%. Desde então, Flávio não perdeu mais a liderança na plataforma.
Na véspera do primeiro turno, no sábado (3), o senador fechou o dia com 64,2% de probabilidade, contra 35,5% de Lula. Às 10h de domingo (4), dia da votação, os números eram de 63,3% e 36,5%. Com o resultado das urnas, a probabilidade de Flávio subiu para 83,45% no fim do mesmo dia. Nesta segunda-feira (12), chegou a 87,05%, contra 12,5% de Lula.
O mercado do Polymarket sobre o vencedor da eleição brasileira já movimentou cerca de US$ 180,8 milhões desde a abertura, em setembro de 2025.
Kalshi
No Kalshi, o movimento foi praticamente idêntico e no mesmo dia. No fim de agosto, Lula tinha 55,5% de probabilidade, e Flávio, 41,5%. Em 10 de setembro, o senador passou à frente, com 52,5%, contra 46,5% do presidente, e também manteve a liderança desde então.
No sábado (3), Flávio fechou o dia com 65,5%, e Lula, com 35,5%. Às 10h do dia da votação, os valores eram de 62,5% e 37%. No fim do domingo, já com o resultado do primeiro turno, o senador foi a 83,5%. Nesta segunda-feira (12), tinha 87,5%, contra 12,5% de Lula.
O que diziam as pesquisas
As pesquisas eleitorais também passaram a mostrar o senador à frente com mais frequência a partir de setembro, mas sem apontar um favorito claro. Entre julho e 9 de setembro, Lula liderou numericamente 23 das 37 simulações de segundo turno registradas no agregador do TradeMap. Entre 10 de setembro e 3 de outubro, Flávio ficou à frente em 24 das 41 simulações, a maioria delas dentro da margem de erro.
Na véspera do primeiro turno, as oito pesquisas divulgadas no sábado (3) mostravam um segundo turno equilibrado. Flávio aparecia numericamente à frente em quatro levantamentos, Gerp, Palver, Futura/100% Cidades e Quaest, e Lula em três, CNT/MDA, Datafolha e AtlasIntel/Bloomberg. A PoderData/Aya registrava empate. Apenas Gerp e Palver mostravam vantagem do senador fora da margem de erro. Nas plataformas, Flávio tinha cerca de 65% de probabilidade de vitória no mesmo dia.
Nas urnas, o senador terminou o primeiro turno à frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
A reação da bolsa
O mercado financeiro só incorporou esse cenário após a apuração. Entre 10 de setembro, quando as plataformas passaram a ver Flávio como favorito, e 2 de outubro, último pregão antes da eleição, o Ibovespa subiu 2,04%. Na segunda-feira (5), primeiro pregão após o primeiro turno, o índice saltou 7,70%, a maior alta diária desde março de 2020, e fechou aos 206.911,89 pontos, recorde nominal. No mesmo dia, o dólar PTAX recuou 4,55%, para R$ 4,9859, a maior queda diária desde 2015.
As pesquisas mais recentes
Desde o primeiro turno, as pesquisas passaram a mostrar Flávio à frente na maioria dos cenários, mas ainda sem a margem que os mercados indicam. Das quatro divulgadas nesta terça-feira (13), três apontam empate técnico: BTG/Nexus, com 48% para o senador e 45% para o presidente, PoderData/Aya, com 48% e 46%, e Futura/100% Cidades, com 50% e 46,6%. A Gerp é a única do dia com vantagem fora da margem de erro, com 53% contra 44%. Na semana passada, a AtlasIntel/Bloomberg também mostrou o senador fora da margem, com 51,1% contra 45,7%, e o Datafolha registrou 49% a 45%, diferença no limite da margem.
A distância entre os dois termômetros, que já existia antes do primeiro turno, permanece. Enquanto a maioria das pesquisas descreve uma disputa ainda aberta, os mercados de previsão tratam a vitória de Flávio como o cenário amplamente mais provável.
Os limites da antecipação
As plataformas não acertaram tudo. Nos contratos sobre o candidato mais votado do primeiro turno, Lula era o favorito até a manhã da votação, com 62,5% de probabilidade no Polymarket e 63% no Kalshi. E os mercados sobre o vencedor da eleição só serão liquidados após o resultado oficial do segundo turno, em 25 de outubro.
Conteúdo informativo. As probabilidades refletem preços de contratos negociados nas plataformas e não representam pesquisa eleitoral nem posicionamento político do TradeMap.
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