Ranking de Investimentos do terceiro trimestre de 2026
Petróleo acima de US$ 100, juros em alta nas economias desenvolvidas e a volta do investidor institucional às criptomoedas deram o tom do terceiro trimestre de 2026. O fim da trégua entre Estados Unidos e Irã, em julho, reacendeu a inflação e levou o Federal Reserve a subir os juros pela primeira vez desde 2023, em setembro, para a faixa de 3,75% a 4%.
A reação veio nos títulos públicos. Os rendimentos dos Treasuries, dos títulos japoneses e do Bund alemão atingiram os maiores níveis em anos, e o Banco do Japão também subiu os juros, pressionando as bolsas de Nova York, Tóquio, Xangai e Europa.
No Brasil, o movimento foi inverso. O Copom cortou a Selic de 14,25% para 13,75% ao ano, e a bolsa fechou em alta apesar da fuga de estrangeiros em agosto e da incerteza eleitoral. No mercado cripto, a volta dos aportes em ETFs e o avanço da regulação nos EUA colocaram Ethereum e Bitcoin no topo do ranking.
Maiores rendimentos
Ethereum (+66,81%)
O Ethereum liderou o ranking com a volta do investidor institucional. Os ETFs à vista de Ether nos EUA, que chegaram ao fim de julho com saídas de cerca de US$ 1,12 bilhão no ano, captaram aproximadamente US$ 1,85 bilhão em agosto, com o ETHA, da BlackRock, na dianteira. Um short squeeze acelerou o movimento: em 19 de agosto, o ETH chegou a subir quase 19% em 24 horas, contra 5% a 6% do Bitcoin. As compras da BitMine, de Tom Lee, que elevou sua fatia para 4,8% da oferta total, reforçaram a demanda. Por ter caído mais no primeiro semestre, o Ether também se recuperou com mais força.
Bitcoin (+40,24%)
O Bitcoin seguiu o mesmo roteiro. Os ETFs à vista americanos, que captaram só US$ 172 milhões em julho, atraíram US$ 3,52 bilhões em agosto, o melhor mês de 2026. No período, a criptomoeda subiu 25%, maior alta mensal desde novembro de 2024. Três fatores sustentaram o avanço: o programa de recompra de títulos do Tesouro americano, que ampliou a liquidez; a liquidação de mais de US$ 4 bilhões em apostas vendidas, que levou o BTC acima de US$ 70 mil pela primeira vez desde junho; e o avanço regulatório em Washington, com Donald Trump pressionando pelo Clarity Act, a SEC propondo sua primeira grande regra para criptoativos e o Tesouro regulamentando o GENIUS Act, das stablecoins.
Ibovespa (+8,32%)
O Ibovespa subiu no trimestre, mas em zigue-zague. Em julho, avançou 3,47% e quebrou uma série de quatro meses de queda, com petróleo e gás respondendo por cerca de 2,6 pontos percentuais da alta e o estrangeiro de volta às compras. Em agosto, emendou 11 quedas seguidas e tocou os 164.835 pontos, pressionado pela fuga de capital externo, pelo rebaixamento das ações brasileiras pelo JPMorgan e pela cautela fiscal e eleitoral; nove altas seguidas na reta final reduziram a perda do mês a 0,33%. Em setembro, o índice encostou nos 190 mil pontos, impulsionado pela volta do estrangeiro, pelo corte da Selic para 13,75% e por pesquisas que mostraram disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
IBRX-100 (+8,22%)
O IBRX-100, que reúne as 100 ações mais negociadas da B3, respondeu aos mesmos fatores do Ibovespa. O ganho um pouco menor reflete a carteira mais diversificada, com maior peso de empresas de médio porte e de setores ligados à economia doméstica. Esses papéis sofreram mais com os juros futuros elevados: construtoras e varejistas estiveram entre os destaques negativos de julho, enquanto small caps e ações de dividendos ficaram entre os piores desempenhos da B3 em agosto. Na ponta positiva, o índice se beneficiou das blue chips de commodities e dos grandes bancos, que lideraram a recuperação no fim de agosto e em setembro.
MSCI Brasil (+6,87%)
Calculado em dólares e principal termômetro do investidor estrangeiro, o MSCI Brasil acompanhou o vaivém do capital externo. Em agosto, caiu 2,65%, com a queda das ações, a alta de 2,05% do dólar e o rebaixamento do JPMorgan, que apontou crescimento mais fraco e piora do crédito no país. A virada veio em setembro, com a volta das compras estrangeiras. O UBS vê as ações brasileiras descontadas, mas pondera que eleição, fiscal e juros globais limitam uma reprecificação; para a Global X, uma eventual reeleição de Lula já está nos preços.
Menores rendimentos
SSE Composite (-6,16%)
A Bolsa de Xangai teve o pior desempenho do trimestre. Agosto ainda terminou no azul, com alta de 4,02% sustentada pela melhora do PMI industrial e por estímulos ao setor imobiliário, mas setembro apagou os ganhos. Pesou o retrato de uma economia de duas velocidades, com indústria e exportações fortes e consumo doméstico fraco, e o novo pacote de Pequim foi visto como tímido. As ações de tecnologia, até então o motor do mercado, perderam fôlego. Na reta final, a cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping não aliviou os principais atritos, e a intenção de Washington de restringir componentes chineses em data centers de IA levou o CSI 300 à mínima em um ano, em 28 de setembro.
Nikkei-225 (-4,72%)
O Nikkei devolveu parte do rali recorde do segundo trimestre, quando subiu 37% puxado por semicondutores e IA, os mesmos papéis que comandaram a queda em julho. No dia 17, o índice caiu 4,03% e fechou a semana com perda de 6,4%, em meio à onda global de vendas em chips e à alta do petróleo. No dia 28, recuou mais 3,95%, para 62.364 pontos: a estreia na bolsa da controladora da chinesa CXMT, fabricante de memórias, reacendeu o temor de competição no setor, levou a Kioxia ao limite de baixa e derrubou Advantest e Tokyo Electron em mais de 10%. Depois, o peso veio dos juros. O título japonês de 10 anos atingiu o maior rendimento em cerca de três décadas, e o Banco do Japão elevou a taxa em 18 de setembro ao maior nível em 31 anos. O iene fraco, que favorece as exportadoras, apenas amenizou as perdas.
Dow Jones (-2,69%)
O Dow Jones abriu o trimestre em recorde, favorecido pela migração de recursos da tecnologia para setores tradicionais, mas terminou como o pior entre os principais índices de Nova York. A pressão se concentrou em setembro, com petróleo acima de US$ 100, alta de juros do Fed e venda de Treasuries. No dia da decisão, 16 de setembro, o índice chegou a cair 600 pontos e fechou a semana com o pior desempenho desde março; na sequência, os rendimentos dos títulos de 10 e 30 anos renovaram máximas de cerca de duas décadas. Com mais peso de setores cíclicos, como indústria, bancos e consumo, o Dow foi o mais sensível à perspectiva de juros altos por mais tempo: a maioria dos dirigentes do Fed projeta ao menos mais uma alta em 2026.
IFIX (-1,98%)
Os fundos imobiliários foram pressionados pelos juros futuros de longo prazo, que seguiram altos mesmo com os dois cortes da Selic. Em agosto, o IFIX recuou 1,47%, com os fundos de tijolo, sobretudo shoppings e logísticos, entre os mais atingidos. A alta das taxas das NTN-Bs, concorrentes diretas dos FIIs, reduziu a atratividade do segmento, enquanto a disparada dos Treasuries e a proximidade da eleição esfriaram o apetite por risco. Os fundos de recebíveis (CRI) ainda sofreram com a expectativa de impacto da deflação de agosto sobre os rendimentos atrelados ao IPCA.
Stoxx 600 (-1,06%)
O Stoxx 600 fechou o trimestre em leve queda, com a pressão concentrada em setembro. A inflação alimentada pela guerra no Oriente Médio chegou aos mercados de títulos, e o rendimento do Bund alemão de 10 anos se aproximou da máxima em 17 anos, reforçando as apostas em novos apertos do Banco Central Europeu. Com o Brent acima de US$ 100, as ações de energia foram das poucas a se destacar, enquanto os demais setores sentiram o custo de capital mais alto. A perda só não foi maior graças a recuperações pontuais, nos momentos em que as negociações entre EUA e Irã alimentaram a expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz.
O terceiro trimestre de 2026 separou com clareza vencedores e perdedores. De um lado, as criptomoedas, com a volta do investidor institucional, e a bolsa brasileira, apoiada no corte da Selic e no retorno do estrangeiro. Do outro, as bolsas de Xangai, Tóquio, Nova York e Europa, pressionadas pelo petróleo acima de US$ 100, pela alta de juros do Fed e pela escalada dos rendimentos dos títulos públicos.
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