Afastamento na PF, silêncio de Lula e reação dos presidenciáveis: o resumo político do dia
O ambiente político desta terça-feira (9) foi marcado pelo desdobramento do afastamento inédito do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, além das articulações do governo e das reações de candidatos à Presidência.
A decisão monocrática de Mendonça de afastar a cúpula da PF — motivada por ação do Partido Novo e justificada por um suposto monitoramento contra o magistrado — é criticada por especialistas por violação do devido processo legal e falta de parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR).
A Segunda Turma do STF formou maioria a favor da liminar com os votos de Luiz Fux e Kassio Nunes, mas a análise foi suspensa por pedido de vista de Gilmar Mendes.
Diante disso, a gestão interina da Polícia Federal passou para o diretor-executivo William Murad, enquanto a cúpula colocou os cargos à disposição e a diretora Helena de Rezende passou a ser cotada para assumir o posto em definitivo.
Paralelamente, a Advocacia-Geral da União avalia acionar uma suspensão de liminar para direcionar o recurso diretamente ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, evitando o julgamento na Segunda Turma.
O silêncio de Lula
No Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) optou por ignorar o embate institucional durante cerimônia oficial sobre unidades de conservação.
Em seu discurso, Lula defendeu um meio-termo ambiental em relação às obras da BR-319 e evitou citar a ordem do STF ou responder aos questionamentos dos jornalistas.
Bastidores apontam que o presidente se reuniu com os ministros da Justiça, Wellington César, e da AGU, Jorge Messias, para alinhar a resposta do Executivo, além de ter recebido recomendação do coordenador jurídico de sua campanha, Marco Aurélio Carvalho, para recorrer à Justiça e convocar o Conselho da República antes de cumprir a determinação.
Reações dos pré-candidatos à Presidência
A crise também gerou forte repercussão entre os pré-candidatos à Presidência.
Flávio Bolsonaro (PL) descartou qualquer hipótese de decretação de Estado de sítio ou de defesa, comparou os debates sobre o Conselho da República às acusações sofridas por seu pai no passado e celebrou a presença do público no ato do 7 de Setembro.
Já Ronaldo Caiado (PSD) parabenizou a decisão de Mendonça, classificando o suposto rastreio de um integrante do STF por membros da PF como um crime e uma conduta execrável que exige o afastamento dos envolvidos.
Por fim, Renan Santos (Missão) apoiou a medida contra Andrei Rodrigues, declarou que Lula possui uma "turma" na Corte e será dragado para o conflito, além de criticar as regras atuais de reeleição no país e disparar contra o adversário Augusto Cury (Avante).
*Com informações do Money Times e do Estadão Conteúdo
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