Prefixado ou IPCA+: qual investimento de renda fixa tem mais a ganhar se as eleições derrubarem os juros?
As eleições de 2026 ainda estão a um mês de distância, mas o mercado já começou a fazer suas apostas. E elas estão aparecendo justamente onde o investidor costuma procurar estabilidade: na renda fixa.
Nas últimas semanas, o mercado passou a acreditar que a taxa Selic poderá cair mais do que se imaginava anteriormente. Essa mudança de expectativa ficou visível nos juros negociados para os próximos anos, que recuaram em quase todos os vencimentos.
Para a Empiricus Research, parte desse movimento tem como principal motivo o noticiário eleitoral.
Lais Costa, analista da casa especializada em renda fixa, destaca a perda de favoritismo do presidente Lula (PT) como o maior fator de otimismo que está mexendo com os ativos financeiros.
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A alternância de poder é a principal aposta dos agentes financeiros para uma agenda de reformas políticas e fiscais que priorizem o controle dos gastos e da dívida pública. O entendimento do mercado é que a reeleição do presidente Lula significaria uma continuidade das políticas atuais, que não priorizam o controle das contas.
Por que a eleição presidencial está mexendo com a renda fixa?
Nos últimos dias, o mercado passou a reagir mais intensamente às pesquisas e aos desdobramentos da corrida presidencial.
Em relatório divulgado nesta terça-feira (8), Costa usa como exemplo a pesquisa BTG Nexus divulgada no dia.
Pela primeira vez, o candidato da oposição Flávio Bolsonaro (PL) apareceu numericamente à frente do presidente Lula (PT) em um eventual segundo turno, com porcentagens de 46% e 45%, respectivamente.
O movimento teria contribuído para a valorização dos ativos domésticos e para a queda das taxas de juros futuros.
O Ibovespa, principal índice de ações, chegou a subir mais de 2% no dia, se aproximando de 190 mil pontos. A taxa de câmbio perdeu mais de 1% de valor na mínima, aos R$ 5,07.
E os juros, por sua vez, caíram para o menor patamar desde maio, registrando taxa de 13,75% para janeiro de 2029 — há pouco mais de uma semana, essa taxa estava estacionada acima de 14% ao ano.
Na prática, os agentes financeiros tentam antecipar qual será o ambiente econômico e fiscal do país após a eleição.
Quando o mercado passa a enxergar menor risco para as contas públicas ou maior chance de continuidade da queda dos juros, as taxas negociadas nos contratos futuros costumam recuar.
É o que vem acontecendo nos últimos dias.
Por que o mercado está apostando em juros menores?
Embora as eleições de 2026 estejam no foco do mercado financeiro, elas não são o único motivo por trás da aposta crescente em mais cortes da Selic.
Esse movimento começou a ganhar força com a divulgação de indicadores econômicos que sugerem uma desaceleração significativa da economia brasileira.
Desde a produção industrial de julho, que cresceu menos do que o esperado e ficou abaixo das projeções, até a prévia da inflação (IPCA-15) de agosto, que registrou dados negativos pela primeira vez em um ano, todos os números apontam para a direção de juros menores.
Quando a economia desacelera como um todo, a pressão sobre os preços tende a diminuir. Isso abre espaço para que o Banco Central continue reduzindo os juros sem comprometer o controle da inflação.
É justamente por isso que o mercado passou a aumentar as apostas em novos cortes na taxa Selic nas próximas três reuniões do ano.
Segundo a Empiricus, a probabilidade implícita de uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião de novembro já gira em torno de 65%. Já na de setembro é praticamente um consenso: 95%.
Ou seja, o mercado está apostando em juros menores por uma combinação de fatores:
- uma economia que dá sinais de desaceleração,
- a expectativa de continuidade do ciclo de cortes da Selic, e
- a influência crescente da eleição que dá espaço para acreditar na alternância de poder.
Quem ganha se os juros continuarem caindo?
Se a aposta do mercado estiver correta, o principal beneficiado deste cenário de juros menores tende a ser os títulos com taxas prefixadas.
Conforme o mercado começa a projetar essas taxas menores, os papéis que já estão em circulação começam a corrigir seus juros para corresponder a essa expectativa. Um título que oferecia 14% ao ano corrige para 13,5%, depois 13% e por aí vai.
E é justamente esse ajuste de preços que gera ganhos para quem já tem o investimento. Para o retorno ficar equilibrado, o preço do papel aumenta. Ou seja, o título prefixado se valoriza.
Na visão da casa, o cenário atual favorece os títulos prefixados, embora a proximidade da eleição possa aumentar a volatilidade dessa marcação de preço daqui para frente.
A analista também faz uma observação: os prefixados recomendados são os de prazo curto, até dois anos. Dessa forma é possível mitigar o risco de volatilidade e de alta da inflação.
Mas o IPCA+ continua em cena
Mas isso não significa que os títulos indexados à inflação perderam relevância.
Pelo contrário.
Os papéis IPCA+ combinam a possível valorização com a queda da taxa prefixada, mais a certeza da correção da inflação no período do investimento.
Isso significa que, mesmo que o cenário eleitoral fique mais turbulento ou que as expectativas para os juros se deteriorem no futuro — caso o presidente Lula se reeleja, por exemplo —, o investidor continua protegido.
E esse não é um risco desprezível. (Saiba mais aqui)
Há ainda uma diferença importante entre os dois investimentos.
Enquanto o prefixado exige uma aposta mais direta de que os juros vão cair e a inflação continuará estável, o IPCA+ tem espaço para cenários mais incertos, ao preservar o poder de compra.
A grande questão é: quão seguro você está na queda consistente dos juros?
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