Como esta gestora com US$ 7,8 tri projetou sua nova sede para estimular o presencial
A Fidelity Investments inaugurou nesta semana uma nova sede à beira-mar em Boston, uma presença marcante em uma cidade que ainda enfrenta altos índices de vacância de escritórios, anos após a pandemia da covid-19.Uma afiliada imobiliária da Fidelity iniciou a construção do novo e ambicioso campus em 2020, justamente quando a flexibilidade do trabalho remoto ameaçava tornar obsoletos os gigantescos edifícios de escritórios corporativos. As novas instalações, localizadas no movimentado bairro de Seaport, em Boston, foram projetadas desde o início com foco na colaboração presencial. À medida que os funcionários se mudam para o novo local, são incentivados a trabalhar em sofás e cadeiras espalhados pelo espaço, bem como em cafeterias e áreas de refeição no local, pátios e um espaço semelhante a uma biblioteca repleto de livros.Durante anos, a Fidelity incorporou um ambiente de trabalho transformado pela pandemia, permitindo que os funcionários trabalhassem remotamente metade do mês, enquanto se preparava para desocupar sua sede de 79 mil m² no centro da cidade em favor dos escritórios de 68 mil m² em Seaport. ⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.Mas, recentemente, a empresa determinou que os funcionários em Boston e em alguns outros mercados selecionados voltassem ao escritório cinco dias por semana a partir de setembro. Agora, ela mantém os dois edifícios para acomodar seus mais de 6 mil funcionários de Boston todos os dias.Embora essa reviravolta tenha surpreendido os funcionários, a empresa passará a ser referência em dois dos principais distritos comerciais de Boston. A taxa de vacância de escritórios em cada bairro situava-se em 20% no final do segundo trimestre, em comparação com 6% no centro da cidade e 9% no Seaport pouco antes da pandemia, de acordo com dados da CBRE Group.A decisão da Fidelity de manter os dois edifícios reafirmou seu compromisso com Boston em um momento em que "há muitas notícias negativas circulando", afirmou Mark Fallon, diretor de pesquisa e estratégia da imobiliária Hunneman, que não esteve envolvida no projeto.Leia também: Nem presencial, nem remoto: o regime de trabalho que o WeWork vê crescer em LatAmA mudança ocorre em um momento em que os negócios da Fidelity estão em franca expansão. Seus ativos sob gestão atingiram US$ 7,8 trilhões no segundo trimestre, um aumento de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior. Assim como outras gestoras de ativos, a empresa está se voltando cada vez mais para investimentos alternativos, como criptomoedas, sob a liderança da CEO Abigail Johnson. A empresa de capital fechado foi fundada em Boston em 1946 pelo avô de Johnson. Seu pai, Ned Johnson, supervisionou sua ascensão como um colosso dos planos de aposentadoria no final do século XX.A nova sede, localizada em um cais do porto de Boston, é uma reforma de um imóvel de três andares que, ao longo de seus 113 anos de história, desempenhou funções tão diversas quanto a de terminal de carga e porto de entrada para imigrantes. Na década de 1980, a Fidelity ajudou a transformar o imóvel em um espaço para exposições e eventos, além de escritórios de apoio para a gestora de ativos. No final da semana passada, um pequeno grupo de funcionários já havia se instalado. Um funcionário estava sentado em uma cadeira curva, almoçando, com um mural de uma rocha coberta de musgo sobre rodas servindo de cenário.Com vigas expostas no teto e dutos à mostra, o edifício retangular abraça suas raízes industriais. Suas escadarias de um branco imaculado, ladeadas por corrimãos de malha metálica, assemelham-se a passarelas, e suas janelas imponentes oferecem vistas do cais de navios de grande porte de Boston.Ao virar a esquina, há uma projeção de vídeo de uma árvore com folhas farfalhantes para os funcionários próximos à entrada de um centro de saúde no local e de chuveiros para os funcionários que vão de bicicleta ao trabalho. Leia também: Mudança estrutural no escritório: home office e juros levam obras à mínima em 25 anosO objetivo é que os funcionários circulem pelos espaços compartilhados do prédio, em vez de ficarem confinados em cubículos. O escritório foi projetado para promover a colaboração e a inovação, afirmou um porta-voz.Um robô deslizará pelos corredores, ajudando as pessoas a se orientarem no novo espaço e a encontrarem salas de reunião. Um longo balcão curvo, do tipo que se encontra nos muitos restaurantes sofisticados do Seaport, está situado em um canto do prédio, iluminado por lâmpadas de tons quentes. Ele está disponível para eventos da empresa, embora as cabines no estilo de restaurante nas proximidades estejam abertas a qualquer momento.Além dos escritórios da Fidelity, o Commonwealth Pier, após sua reforma, inclui um espaço comercial ampliado e uma sede de 500 m² para o Museu de Finanças Americanas, uma atração gratuita afiliada à Instituição Smithsonian que por muito tempo esteve sediada na cidade de Nova York, mas inaugurou sua unidade em Boston neste verão.Todas as unidades de negócios da Fidelity estarão presentes na nova sede, incluindo muitos dos gestores de fundos da empresa. O número de funcionários da empresa em Boston aumentou 24% entre 2016 e 2025, de acordo com registros da prefeitura.Embora o setor financeiro de Boston tenha registrado um declínio constante no número de funcionários desde a Grande Crise Financeira, tem havido sinais de recuperação recentemente, incluindo a onda de contratações planejada pelo JPMorgan Chase antes de sua mudança para a mais nova torre de escritórios de Boston e o contrato de locação de 12 mil m² assinado no ano passado pela KKR no centro da cidade.Veja mais em Bloomberg.comLeia tambémAs ações mais recomendadas para setembro, segundo 10 bancos e corretoras




















