Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana
Ao longo da semana, os investidores acompanharam a divulgação de indicadores econômicos no Brasil e nos Estados Unidos e a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. As tensões no Oriente Médio e as incertezas envolvendo o Estreito de Ormuz impulsionaram os preços do petróleo e permaneceram entre os principais fatores de atenção dos mercados.
No cenário doméstico, o PIB brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre, acima da projeção de 0,4%, mas desacelerou frente à alta de 1,1% registrada nos três primeiros meses do ano. Na comparação anual, a economia avançou 2,0%. A balança comercial também ficou no radar, com superávit de US$ 7,39 bilhões em agosto, acima da expectativa de US$ 7,14 bilhões, enquanto as exportações cresceram 12,2% e as importações avançaram 9,2% na comparação anual. O fluxo de capital estrangeiro na B3, por outro lado, registrou saída líquida de R$ 18,12 bilhões em agosto, a maior retirada mensal desde 2021. A União Europeia também suspendeu temporariamente as importações de carne, ovos e mel brasileiros por razões sanitárias, aumentando as incertezas para os exportadores do agronegócio.
Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho ganhou destaque após o payroll registrar a criação de 162 mil vagas em agosto, bem acima da projeção de 55 mil postos. A taxa de desemprego ficou em 4,1%, enquanto o rendimento médio por hora avançou 0,3% no mês e 3,1% em 12 meses. O resultado contrastou com o relatório ADP, que apontou a criação de apenas 38 mil vagas no setor privado. Na atividade, o PMI de serviços do ISM acelerou para 55,4 pontos em agosto, enquanto o PMI industrial ficou em 54,6 pontos, abaixo da expectativa de 55,6, mas ainda em território de expansão. O número de vagas de emprego abertas atingiu 7,271 milhões em julho, abaixo das expectativas e mantendo a trajetória de acomodação gradual do mercado de trabalho americano. A balança comercial também registrou déficit de US$ 88,6 bilhões em julho.
No cenário geopolítico, Estados Unidos e Irã intensificaram os ataques ao longo da semana, elevando as preocupações com o conflito no Oriente Médio e o fornecimento de petróleo. As atenções permaneceram voltadas ao Estreito de Ormuz, diante dos ataques a embarcações e das incertezas sobre a circulação pela região. Enquanto Washington sinalizou a continuidade da pressão sobre Teerã, o Irã respondeu com ataques a bases militares americanas na região. Ao mesmo tempo, autoridades americanas afirmaram que o fluxo de petróleo pelo estreito havia retornado próximo aos níveis anteriores ao conflito, reduzindo parcialmente as preocupações sobre a oferta da commodity.
As eleições também ganharam espaço entre os temas acompanhados pelos investidores, com a ascensão de Augusto Cury nas pesquisas e o estreitamento da disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro em cenários de segundo turno. Os levantamentos mais recentes reforçaram a percepção de uma eleição cada vez mais acirrada e disputada, adicionando uma nova fonte de incerteza às perspectivas para os próximos meses.
Maiores altas
A Magazine Luiza (MGLU3) liderou as altas da semana, com valorização de 25,32%, impulsionada pelo anúncio de uma parceria com o Mercado Livre. O acordo prevê a inclusão de cerca de 27 mil produtos do estoque próprio da varejista no marketplace, incluindo itens da Magalu, KaBuM! e Época Cosméticos. A operação amplia os canais de venda da companhia e o acesso a novos consumidores, com a expectativa de que cerca de 75% dos compradores na plataforma sejam novos clientes. A avaliação positiva do mercado sobre a parceria favoreceu a valorização dos papéis.
A CSN (CSNA3) acumulou alta de 22,07% na semana, impulsionada pelo anúncio da mudança no comando da companhia. Após 24 anos na presidência, Benjamin Steinbruch deixou o cargo para assumir a presidência do Conselho de Administração, enquanto Fabio Schvartsman, ex-CEO da Vale, passou a comandar a empresa. A mudança foi bem recebida pelo mercado, diante das expectativas de maior foco na redução do endividamento, disciplina na alocação de capital e avanço do programa de venda de ativos.
A Azzas 2154 (AZZA3) registrou avanço de 20,67% na semana, impulsionada pelo anúncio do acordo para separar os negócios de Arezzo&Co e SOMA em duas companhias independentes e listadas no Novo Mercado da B3. A reorganização prevê a divisão das marcas e operações entre os dois grupos, que passarão a contar com administração e governança próprias. A expectativa de maior foco estratégico e autonomia para cada negócio foi bem recebida pelos investidores e favoreceu a valorização dos papéis.
Maiores quedas
A MBRF (MBRF3) liderou as perdas da semana, com queda de 3,02%, pressionada pela decisão da União Europeia de suspender as importações de produtos brasileiros de origem animal, especialmente carne bovina e frango. A medida aumentou as incertezas sobre as exportações do setor, diante da expectativa de que a retomada dos embarques para o bloco europeu não ocorra no curto prazo. O cenário provocou uma reação negativa nas ações dos frigoríficos e pesou sobre os papéis da companhia.
A Rumo (RAIL3) apresentou recuo de 2,22% na semana, pressionada pelo rebaixamento da recomendação do Safra de compra para neutra. A revisão ocorreu após a valorização recente das ações, que reduziu o potencial de alta estimado pelo banco. O preço-alvo também foi ajustado de R$ 16,70 para R$ 16,60, representando potencial de valorização de apenas 8%. A avaliação mais cautelosa do Safra contribuiu para o desempenho negativo dos papéis. Além disso, a companhia anunciou a abertura de uma apuração interna após ser mencionada em reportagens sobre a investigação, aumentando as incertezas em torno dos papéis.
A PRIO (PRIO3) encerrou a semana com baixa de 0,58%, pressionada pela queda da produção de petróleo em agosto. A companhia registrou média de 179,9 mil barris por dia, recuo de 5% em relação ao mês anterior, principalmente devido a paradas operacionais em Albacora Leste e Peregrino. A produção também foi afetada por uma interrupção temporária no Cluster Bravo. Apesar da expectativa de recuperação dos volumes após a conclusão dos reparos, a prévia operacional foi avaliada como negativa pelo Itaú BBA e pela XP, contribuindo para a pressão sobre os papéis.
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