Embraer (EMBJ3) fecha pedido de 8 jatos no Japão; BBI vê alta de quase 30%
A Embraer (EMBJ3) fechou um novo pedido com a japonesa ANA Holdings para fornecer oito aeronaves E190-E2. O acordo, anunciado em 3 de setembro, formaliza uma decisão divulgada pela companhia aérea em julho e eleva para 23 o número de pedidos firmes do modelo feitos pelo grupo japonês. A ANA ainda mantém opções de compra para outras cinco aeronaves.
O ticker atual da Embraer na B3 é EMBJ3. O código EMBR3 foi substituído em novembro de 2025, sem alteração no número de ações ou nos direitos dos acionistas.
ANA amplia encomenda e pode chegar a 28 aviões
A ANA Holdings havia anunciado, em fevereiro de 2025, a compra de 15 E190-E2, além de cinco opções. Com o novo contrato, a empresa passa a ter 23 aeronaves confirmadas e pode chegar a 28 aviões caso exerça todas as opções.
A diferença entre pedido firme e opção é importante. No pedido firme, a companhia assume o compromisso de comprar as aeronaves. Já a opção garante o direito de adquirir os aviões posteriormente, mas não obriga a empresa a concluir a compra.
O E190-E2 é um jato de corredor único da categoria de aproximadamente 100 assentos. O modelo foi desenvolvido para operar rotas domésticas e regionais, especialmente aquelas que não exigem aviões maiores.
Segundo a ANA, a aeronave utiliza motores e tecnologias mais recentes, o que ajuda a reduzir o consumo de combustível, o nível de ruído e os custos operacionais. A primeira entrega do novo lote está prevista para 2028.
A encomenda também está relacionada à expansão do acordo de ACMI da ANA. A sigla vem de “Aircraft, Crew, Maintenance and Insurance” — aeronave, tripulação, manutenção e seguro. Nesse modelo, uma empresa aérea pode contratar a estrutura completa para operar voos, mantendo a integração das viagens à sua própria rede.
Japão consolida parceria com a EMBJ3
O pedido reforça a presença da Embraer no mercado japonês. Os aviões da família E-Jets já operam no país desde 2009, e a fabricante mantém equipes de suporte em território japonês.
A ANA Holdings é a maior holding aérea do Japão e reúne 72 empresas, incluindo a companhia tradicional All Nippon Airways e a empresa de baixo custo Peach Aviation. Para a Embraer, conquistar pedidos recorrentes de um grupo desse porte ajuda a validar o E190-E2 em um mercado desenvolvido e com exigências elevadas de eficiência e confiabilidade.
A estratégia da ANA é ampliar a conectividade regional dentro do Japão. Em vez de concentrar todas as rotas em aviões maiores, a empresa pode utilizar jatos de aproximadamente 100 lugares para atender mercados com menor demanda ou aumentar a frequência de voos.
Para a Embraer, a venda não representa apenas a receita com a entrega das aeronaves. Também pode gerar contratos de manutenção, fornecimento de peças e serviços ao longo da vida útil dos aviões. Esse efeito é uma consequência potencial da presença maior da fabricante no país, e não uma receita já garantida pelo comunicado.
BBI projeta alta de quase 30% para a ação
A recomendação de valorização próxima de 30% veio de uma análise do Bradesco BBI divulgada em 26 de agosto, antes do anúncio do novo pedido da ANA. Portanto, o preço-alvo não foi calculado exclusivamente com base no contrato japonês.
O banco reiterou a recomendação de compra e elevou o preço-alvo da ação de R$ 110 para R$ 126 ao fim de 2027. Considerando a cotação de referência de R$ 97,68 usada na análise, o potencial indicado era de aproximadamente 29%.
A revisão incorporou os resultados do segundo trimestre de 2026, o guidance atualizado da companhia e premissas mais otimistas para as entregas da aviação comercial e para o crescimento da divisão de Defesa. Outro ponto citado pelo BBI é a possibilidade de a Embraer vencer uma concorrência da Força Aérea Indiana para 60 aeronaves C-390 Millennium. O banco estima que um contrato integral poderia acrescentar cerca de R$ 5 bilhões em valor presente líquido e aumentar a carteira de pedidos da companhia em aproximadamente 29%.
Essa oportunidade, porém, ainda não foi incorporada às projeções do BBI. A disputa envolve concorrentes como Lockheed Martin e Airbus, e a Embraer ainda teria de construir uma estrutura local de montagem e manutenção na Índia. Por isso, o banco trata o projeto como uma “opcionalidade positiva”, e não como receita contratada.
O que o investidor deve acompanhar
O novo pedido da ANA melhora a visibilidade comercial da Embraer e reforça a estratégia de crescimento da aviação regional no Japão. A tese positiva para a ação também depende da capacidade de a empresa aumentar as entregas, expandir margens, avançar na divisão de Defesa e transformar sua carteira de pedidos em receita e geração de caixa.
Entre os riscos estão possíveis atrasos nas entregas, variações cambiais, mudanças na demanda global por aeronaves e a forte concorrência no setor. Além disso, preço-alvo de analista é uma estimativa, não uma promessa de retorno.
A combinação entre o contrato japonês, a expansão da carteira comercial e as oportunidades na área de Defesa sustenta o otimismo recente com a Embraer (EMBJ3). Ainda assim, o investidor precisa separar os pedidos já firmados das opções e dos projetos que continuam em fase de disputa.


















