PGR envia ao STF acordo de delação de empresário ligado a repasses para “Dark Horse”
A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a proposta de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, dono da Entre Investimentos, empresa que teria sido usada para operacionalizar repasses de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, destinados à produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro, intitulada “Dark Horse”. A análise do acordo caberá ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
Conhecido como “Mineiro”, Freixo Júnior também teria atuado na busca de recursos para viabilizar que parte dos repasses fosse realizada em dinheiro em espécie. Segundo as investigações, a Entre Investimentos recebeu R$ 159,2 milhões de fundos que estão sob apuração da Polícia Federal no inquérito que investiga fraudes envolvendo o Banco Master.
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Os investigadores ainda não conseguiram determinar quanto desse montante foi efetivamente destinado ao financiamento do filme sobre o ex-presidente. De acordo com um acordo identificado pela PF, a Entre Investimentos previa o pagamento de R$ 124 milhões à empresa responsável pela produção do longa-metragem. Desse total, R$ 61 milhões teriam sido pagos por Daniel Vorcaro.
As informações constam de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) elaborados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre empresas ligadas ao Banco Master que mantiveram relação com a Entre Investimentos. Entre elas está a Entrepay, grupo ao qual a Entre Investimentos pertence. A instituição foi liquidada pelo Banco Central em março deste ano por irregularidades no cumprimento de normas do setor e por apresentar riscos aos credores.
Parte dos recursos teria sido destinada ao Havengate Development Fund, sediado no Texas, nos Estados Unidos, e administrado pelo advogado Paulo Calixto, que presta serviços ao ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Segundo a investigação, o Havengate era responsável por realizar repasses à GBo Up Entertainment, produtora do filme e alvo de investigação da Polícia Federal por suspeitas de desvio de recursos públicos.
Nesta semana, a revista Piauí revelou que Vorcaro teria realizado um repasse adicional de US$ 1,6 milhão para a produção do filme em setembro de 2025, poucos dias após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrar “parcelas” que, segundo ele, ainda não haviam sido depositadas pelo banqueiro. O valor se soma a outras seis transferências, que totalizaram US$ 10,4 milhões destinados ao projeto.





















