De São Paulo a Cidade do México: os mercados de escritórios que se destacam em LatAm
Apesar de uma seletividade maior por parte do investidor, o setor de escritórios de alto padrão segue aquecido na América Latina, com destaque para os mercados de São Paulo, Bogotá, Cidade do México e Santiago. Segundo levantamento da Cushman & Wakefield, a localização ainda é o fator chave para preencher ocupação com preços elevados, mas não desacompanhada de infraestrutura moderna e oferta de serviços.Neste contexto, a região vem consolidando um movimento de migração em direção à qualidade – o chamado "flight-to-quality". Isso ocorre quando os ocupantes buscam edifícios de alta especificação técnica e localização estratégica.“Não vemos mercados na região com algum tipo de freio no crescimento. Devemos ter uma continuidade de novos estoques”, disse o presidente da Cushman América do Sul, Matheus Cardoso, em entrevista à Bloomberg Línea.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.Apesar do cenário, o executivo afirma que o aumento de oferta de alto padrão deve ser selecionado e de forma planejada, principalmente em um ambiente de juros elevados. “A demanda existe e mesmo diante dos desafios de custo de capital, o que reflete de forma particular em cada país, o investimento vai continuar acontecendo.”Conforme o levantamento, referente ao primeiro semestre de 2026, Colômbia, Peru e Chile compartilham o ambiente mais previsível da região neste mercado, o que se traduziu em maior atividade no segundo trimestre em Bogotá, Lima e Santiago.No Brasil e no México, o cenário é de crescimento mais contido e taxas de juros elevadas, o que tornou a demanda e a oferta mais seletiva nos mercados de São Paulo, Rio de Janeiro e Cidade do México. Já em Buenos Aires, a recuperação segue gradual.Leia também: Nova fase de escritórios no pós-pandemia abre oportunidades na América Latina, diz JLLO preço médio do aluguel de alto padrão (“classe A”) na América Latina encerrou o primeiro semestre em US$ 22,58 por m² por mês, alta de 8,4% em relação ao mesmo período do ano passado. Segundo o levantamento, a variação foi desigual: o poder de precificação concentrou-se nos mercados com menor vacância, onde os proprietários negociam em condições mais favoráveis, enquanto o restante da região avançou em um ritmo mais cauteloso.São Paulo lidera o preço médio (pedido) de locação na América Latina, com US$ 28,6 por m² por mês, seguida por Bogotá (US$ 26,6) e Santiago (US$ 24,7). Cidade do México (US$ 23,9), Buenos Aires (US$ 23,2), San José (US$ 21,8), Lima (US$ 16,5) e Rio de Janeiro (US$ 15,3) completam o ranking respectivamente.Cardoso esclarece que São Paulo apresenta tendência de alta dos preços pedidos diante não só da magnitude da sua economia, mas também da necessidade gradual de espaços melhores, o que coloca pressão para além da Avenida Faria Lima, centro financeiro da cidade. Com isso, movimentos de migração ocorrem para áreas adjacentes como Rebouças e outras mais distantes, como Chucri Zaidan e Chácara Santo Antônio.O executivo afirma que, em Bogotá, não falta demanda, mas não há novos estoques. A vacância média na capital colombiana encerrou o semestre no menor nível da região, em 5,4%. Em um contexto de dólar elevado, os preços subiram significativamente na cidade. A expectativa, segundo Cardoso, é que novos estoques entrem em operação no período entre 2027 e 2029. Já em Santiago, ele ressalta que o mercado é maduro e bastante planejado, o que contribui para previsibilidade e ajuste do balanço entre oferta e demanda. Buenos AiresO estudo da Cushman aponta que a capital argentina foi o único mercado com preços em queda na região no primeiro semestre, de 1,3% em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, a consultoria alerta que há uma ampla diferença entre os submercados da cidade. As áreas de Palermo (US$ 28/m²) e Libertador (US$ 27,7/m²) funcionam como “corredores premium” da cidade, enquanto Centro Sur (US$ 14/m²) é o mais barato. A escassez de escritórios de alto padrão nas áreas mais demandadas já leva alguns ocupantes a buscar alternativas, destaca o documento, com as regiões premium da cidade apresentando desempenho semelhante ao de grandes mercados de países vizinhos. “Existe uma recuperação gradual do mercado argentino, com menos oferta de alto padrão. A média esconde nuances”, observa Cardoso.Apesar da vacância ainda elevada em Buenos Aires, ele acrescenta que há uma tendência de ocupantes buscando localizações e prédios de alto padrão, mesmo que a velocidade de crescimento da demanda seja menor. “Não vemos grandes saltos neste mercado, mas pode ser que esse cenário se modifique”, diz.A vacância média dos oito mercados de escritórios Classe A na América Latina encerrou o semestre em 14%, queda de 2,1 pontos percentuais em relação ao registrado no mesmo período de 2025. Segundo o estudo, este é o resultado de uma absorção efetiva sustentada, incorporação de nova oferta – ainda que limitada – e uma reorganização gradual da ocupação em direção aos edifícios com melhor desempenho técnico.De maneira geral, o presidente da Cushman afirma que os grandes mercados mantêm a atratividade do investidor, principalmente os maiores da região (São Paulo e Cidade do México). “Com a expectativa de queda gradual da Selic, isso certamente ajuda a abrir mais o leque do investidor, podendo até aumentar a velocidade [dos aportes].”Em ano de eleições presidenciais no Brasil, Cardoso aponta que é natural algum tipo de apreensão no mercado, mas ainda não é possível afirmar que haverá impactos nos investimentos em novos escritórios. Ele destaca que a previsibilidade é um fator chave para novos investimentos em empreendimentos de escritórios de alto padrão. “Não vimos congelamentos, mas um filtro maior do quanto e onde serão alocados os recursos. Mesmo que os juros continuem nesse patamar, o investidor conhece o mercado e se adapta, talvez com menos ímpeto e mais cautela.”Leia tambémFaria Lima resiste às saídas de Netflix e Master, com vacância baixa e m² a R$ 350O valor da arte: a aposta da Benx para impulsionar empreendimentos de alto padrão



















