O Brasil dividido em cinco pedaços: o que os recortes regionais da Quaest revelam sobre a corrida presidencial
A pesquisa Quaest divulgada em 2 de setembro trouxe, além dos números nacionais, um retrato região por região que ajuda a entender por que a disputa presidencial de 2026 segue tão equilibrada no total do país. Por trás do empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, existem diferenças importantes no comportamento do eleitorado de cada região.
O mapa eleitoral por região
Nenhuma das cinco regiões reproduz exatamente o cenário nacional. No Nordeste, Lula aparece com 55% das intenções de voto, contra 19% de Flávio Bolsonaro, uma vantagem de 36 pontos, a maior entre todos os recortes. A região segue, portanto, como o principal reduto eleitoral do presidente.
No polo oposto, o Centro-Oeste é onde Flávio Bolsonaro apresenta seu melhor desempenho: 47%, contra 27% de Lula, uma vantagem de 20 pontos.
No Sul, o senador também lidera, mas por uma margem menor. Flávio soma 38% das intenções de voto, contra 31% de Lula, uma diferença de 7 pontos.
O Norte apresenta um cenário diferente. Lula lidera com 40%, contra 34% de Flávio, uma vantagem de 6 pontos, bem menor que a registrada no Nordeste, mas suficiente para manter o presidente à frente também na região.
No Sudeste, região com o maior eleitorado do país, a disputa é praticamente equilibrada. Flávio aparece numericamente à frente, com 31%, contra 29% de Lula. A diferença de 2 pontos está dentro da margem de erro regional de 3 pontos percentuais, configurando empate técnico.
Cury: crescimento espalhado, mas não uniforme
Enquanto Lula e Flávio apresentam diferenças mais acentuadas entre as regiões, Augusto Cury (Avante) tem desempenho relativamente mais homogêneo. Ele registra 12% no Nordeste, 10% no Sudeste, 9% no Sul e no Centro-Oeste e 6% no Norte. Esta é a única região em que Cury fica abaixo de sua média nacional, de 10%.
O dado mais chamativo está no Nordeste. A diferença entre Flávio Bolsonaro, com 19%, e Cury, com 12%, é de 7 pontos. Considerando a margem de erro regional de 4 pontos percentuais, os dois ficam dentro de uma diferença de 8 pontos, o que caracteriza empate técnico.
Isso significa que, embora Lula mantenha uma ampla liderança na região, a segunda posição aparece mais disputada entre Flávio Bolsonaro e Cury.
Os demais candidatos: efeito regional mais discreto
Entre os nomes menores, o dado mais chamativo é o de Ronaldo Caiado (PSD). Enquanto soma apenas 1% ou menos na maioria das regiões e sequer pontua no Nordeste, o ex-governador de Goiás chega a 4% no Centro-Oeste, justamente a região que engloba seu estado de origem. É o único caso, entre os candidatos secundários, em que o desempenho regional sugere claramente um efeito de reduto de origem.
Renan Santos (Missão) tem o comportamento mais estável entre os menores, oscilando entre 2% e 3% no Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, mas não pontua no Norte.
Pablo Marçal (PRTB), por sua vez, tem desempenho ligeiramente melhor no Sudeste e no Norte, com 2% em cada região, contra 1% no Sul e no Centro-Oeste e nenhuma pontuação no Nordeste.
Romeu Zema (Novo) soma seu melhor resultado no Sul, com 2%, seguido por 1% no Sudeste, sem pontuar nas demais regiões. Samara Martins (UP) aparece apenas no recorte do Centro-Oeste, com 1%.
Em nenhuma região, no entanto, qualquer um desses nomes chega perto de ameaçar a disputa pela segunda posição, que, como visto, já aparece mais equilibrada entre Flávio Bolsonaro e Augusto Cury em alguns dos principais redutos eleitorais.
Onde o eleitorado está mais definido
Os índices de indecisão também variam entre as regiões. Nordeste e Centro-Oeste registram os menores percentuais, com 6% cada, enquanto Sudeste (13%), Norte (12%) e Sul (11%) apresentam os maiores índices.
As três regiões com maior indecisão também são aquelas em que a distância entre Lula e Flávio é menor ou, no caso do Sul, mais moderada. O dado indica que ainda existe um contingente relevante de eleitores sem candidato definido nesses locais, embora a pesquisa, isoladamente, não permita afirmar como esse eleitorado deverá se distribuir até a eleição.
Metodologia
A Quaest ouviu 2.004 eleitores com 16 anos ou mais em todo o país entre 30 de agosto e 01 de setembro de 2026. A margem de erro da amostra nacional é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. As margens de erro regionais são maiores devido ao tamanho menor das subamostras. O levantamento custou R$ 314.628,00, foi contratado pelo Grupo Globo e está registrado no TSE sob o protocolo BR-07065/2026.
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