Publicidade deve representar 10% da receita da Netflix em 2030, afirma líder global
Anos atrás, falar em publicidade na Netflix soava como uma heresia. Trimestre após trimestre entre os balanços de resultados, o ex-co-CEO Reed Hastings repetia que os anúncios não seriam parte de um negócio que nasceu para transformar a forma como as pessoas consumiam conteúdo audiovisual, sem interrupções.Quatro anos após o seu lançamento, em resposta à queda no número de usuários em 2022, a divisão de publicidade procura se mostrar estratégica para o futuro do negócio. Globalmente, o plano com anúncios conta hoje com mais de 250 milhões de espectadores ativos mensais - pessoas, não contas - e mais de 65% dos novos assinantes têm o primeiro contato com a Netflix por meio do plano.⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.Brasil é a origem de 35 milhões desse total de espectadores ativos mensais e apresenta a mesma métrica, 65%, em relação aos usuários que optam pela versão com anúncios. De acordo com dados da Netflix, esses usuários locais assistem a 54 horas de conteúdo por mês. "Vamos continuar vendo um grande crescimento não só na nossa base de anunciantes, mas na base geral de assinantes e membros", afirmou Amy Reinhard, presidente global de publicidade da companhia, em entrevista a jornalistas. A executiva veio ao Brasil para participar do Behind the Streams, evento para apresentar as principais novidades em ferramentas e produtos para o mercado publicitário. Leia também: Redata coloca o Brasil no radar de investimentos globais, diz VP da AWS para a regiãoNos números consolidados de 2025, a divisão de publicidade encerrou com receita de US$ 1,5 bilhão, o dobro de 2024. Para 2026, a meta é dobrar novamente e alcançar US$ 3 bilhões.A receita total da Netflix foi de US$ 45,2 bilhões, alta de cerca de 16% em relação a 2024. Ou seja, o braço de anúncios representou 3% no ano. Em 2026, o guidance da companhia está entre US$ 51,0 bilhões e US$ 51,4 bilhões. O estimado valor de US$ 3 bilhões significa uma alta entre 5,8% e 6% na participação. “Até 2030, esperamos que a publicidade seja um dos principais motores do crescimento de receita da Netflix como um todo”, disse Reinhard ao ser questionada pela Bloomberg Línea. “Acho que 10% é um ótimo norte para nós”. Segundo Reinhard, a América Latina é a segunda maior região de publicidade da Netflix, atrás apenas dos Estados Unidos — e lidera em engajamento entre todos os mercados onde a empresa vende anúncios. “As pessoas conhecem e amam as séries e filmes que assistem”, disse, citando a repercussão internacional de produções brasileiras, como o filme Caramelo, como exemplo do fenômeno de fandom que sustenta a tese comercial da empresa.A manutenção do crescimento, segundo a executiva, será sustentada por três frentes. A primeira é o crescimento da base de assinantes que aderem ao plano com anúncio, seguida pela entrada em novos mercados. No próximo ano, a divisão de anúncios entrará em mais 15 países, chegando ao número de 27 territórios. E, por último, Amy prevê um aumento no número de clientes, hoje na casa de 4 mil. Ela considera que a operação “apenas arranhamos a superfície” em termos de penetração de mercado e ainda está concentrada em grandes clientes corporativos. Leia também: IA é ‘como o crack’ e pode atrofiar cérebros, diz Radia Perlman, pioneira da internet“À medida que pensamos em expandir nossas capacidades e nossa base de clientes, eu absolutamente espero que vamos dobrar, triplicar o tamanho da nossa base de anunciantes ao redor do mundo. E, depois, simplesmente aumentar os gastos deles conosco”, disse. Uma dos vetores potenciais para atrair mais anunciantes é a estratégia de personalização de assim, replicando a lógica que a plataforma já aplica ao direcionar conteúdos audiovisuais de acordo com os hábitos de consumo do usuário. “Se for relevante para o usuário como consumidor, é mais provável que produza os resultados que os nossos anunciantes estão procurando”, afirmou.





















