Divisão do espólio da Venezuela ganha ritmo. “São bilhões de barris”
Drill, baby, drill – and make Venezuela great again.
A Chevron pretende dobrar sua produção na Venezuela e anunciou planos de investir US$ 7 bilhões nos próximos cinco anos – no maior projeto firme de alocação de capital no país desde a derrubada de Nicolás Maduro em janeiro.
Com custos de extração abaixo de US$ 20 por barril e vastas reservas, a Venezuela representa “uma plataforma de crescimento diferenciado na produção de petróleo,” a Chevron disse hoje.
O anúncio do projeto ocorre dias depois do acordo selado entre Donald Trump e a presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, mas o investimento da Chevron é um projeto independente.
No tratado Rodríguez-Trump, os investimentos serão liderados pela North American Blue Energy Partners (NABEP), controlada pelo venezuelano Alejandro Betancourt, um empresário de 46 anos que fez fortuna com termelétricas durante a crise energética da Venezuela.
A NABEP já é a segunda maior operadora no país – extraindo 200 mil barris/dia e ficando atrás apenas da Chevron.
Na joint venture, a empresa venezuelana e o Governo dos EUA terão o direito de explorar por até 100 anos um total de 17 campos de petróleo com reservas estimadas em 65 bilhões de barris de petróleo bruto – o equivalente a cerca de 20% do total de reservas comprovadas do país.
A parceria prevê investimentos de até US$ 100 bilhões. Muitos dos campos estavam anteriormente sob posse de chineses e russos, segundo a Casa Branca.
O Departamento de Estado terá o direito de comprar 20% da produção a preço de custo e prioridade na compra dos 80% restantes a preço de mercado.
O Governo Trump disse que não haverá uso de dinheiro dos contribuintes na empreitada. Sem oferecer muitos detalhes, informou que o acordo será administrado pelo Departamento de Capital Estratégico do Pentágono, que terá uma participação de 35% na JV.
Já os projetos anunciados hoje pela Chevron serão liderados pela Petroindependencia, uma joint venture com a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) na qual a americana tem participação de 49%.
A americana obteve o direito de explorar os campos adjacentes na região de Carabobo, na bacia do Orinoco. Com as novas concessões, deve elevar sua produção no país para 600 mil barris/dia.
A Chevron atua na Venezuela desde 1923 e hoje é a única entre as grandes petroleiras americanas presente no país. Além do novo contrato, possui outras três JVs com a PDVSA.
“A ampliação de nossas áreas reflete a confiança no vasto potencial de recursos do país e em sua capacidade de competir por investimentos dentro de nosso portfólio ao longo das próximas décadas,” Mike Wirth, o CEO da Chevron, disse em um comunicado.
Em uma entrevista à Bloomberg, Wirth afirmou que a companhia está “construindo uma posição muito sólida no que consideramos ser algumas das melhores formações geológicas” do país. “São bilhões de barris.”
A produção da empresa no país avançou 15% neste ano, aproximando-se dos 300 mil barris/dia.
Segundo o Wall Street Journal, as duas maiores concorrentes da Chevron, ExxonMobil e ConocoPhillips, deverão permanecer de fora por enquanto. Hugo Chávez nacionalizou os ativos de ambas as companhias em 2007 e elas buscam bilhões de dólares em indenização.
Também hoje, a Eni anunciou um acordo para desenvolver o campo de Junín 5, no Orinoco, em uma JV com a PDVSA. A italiana terá 40% no negócio, e a venezuelana, 60%.
O contrato é de 25 anos. O campo tem 35 bilhões de barris certificados, mas atualmente produz apenas 12 mil barris/dia. A expectativa é elevar a capacidade para 400 mil barris/dia, com investimentos anuais de US$ 1,25 bi.
A italiana está na Venezuela desde 1998 e nunca abandonou o país, mesmo nos períodos de maior convulsão política. Possui operações em petroquímica e licenças de seis áreas de exploração de gás e petróleo. No ano passado, extraiu 65 mil barris/dia.
A produção total da Venezuela está hoje em 1,25 milhão de barris/dia, um terço de seu pico nos anos 1990.
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