CSAN3: Goldman mantém recomendação neutra para Cosan, mas vê melhora gradual
Cosan (CSAN3) segue em processo de desalavancagem e pode depender de novas vendas de ativos para acelerar a redução de sua dívida, segundo avaliação do Goldman Sachs. Em relatório divulgado após os resultados do segundo trimestre de 2026, o banco manteve recomendação neutra para os papéis da companhia, embora reconheça uma melhora gradual dos indicadores financeiros ao longo do segundo semestre.
O Goldman atualizou seu modelo para incorporar tanto os números do 2T26 quanto as novas projeções macroeconômicas da equipe econômica do banco. A expectativa é que a Cosan encerre 2026 com um índice de cobertura do serviço da dívida (DSCR) de 1,1 vez, dentro da faixa de 0,8 a 1,2 vez projetada pela própria companhia.
A projeção representa uma evolução significativa em relação ao indicador de apenas 0,2 vez reportado no segundo trimestre. Para os analistas, esse avanço deve ocorrer à medida que a holding receba um volume maior de dividendos de suas investidas ao longo do segundo semestre.
Entre as principais fontes de geração de caixa esperadas estão Compass Gás e Energia, Rumo e Moove. O banco também destaca a possibilidade de uma contribuição extraordinária da Radar Propriedades Agrícolas, ligada à venda de ativos imobiliários rurais que a administração espera concluir até o quarto trimestre deste ano.
Apesar da melhora operacional esperada, o mercado continua atento à estratégia de reciclagem de portfólio da companhia. Segundo o Goldman Sachs, a venda de ativos deve permanecer no centro das discussões envolvendo a Cosan nos próximos meses, especialmente devido ao ambiente de juros ainda elevados no Brasil.
Nos últimos anos, a holding vem promovendo uma ampla reorganização financeira para reduzir o endividamento concentrado na estrutura corporativa. Essa estratégia ganhou importância à medida que o custo de capital aumentou e passou a pressionar empresas com elevada alavancagem financeira.
Nesse contexto, rumores recentes sobre uma eventual venda de parte da participação da Cosan na Rumo voltaram a chamar a atenção dos investidores. Embora o Goldman não atribua probabilidade específica para a operação, o banco ressalta que notícias recentes apontam para negociações em andamento.
A própria administração da companhia reconheceu, durante a teleconferência de resultados do segundo trimestre, que mantém conversas com potenciais compradores de ativos. O mercado interpreta qualquer movimento nessa direção como uma possível oportunidade para acelerar a desalavancagem da holding.
O relatório destaca que a dívida líquida expandida da Cosan alcançou R$ 12,2 bilhões ao final do segundo trimestre. Esse montante considera não apenas a dívida da holding, mas também custos relacionados ao resgate da estrutura Cosan 10 e ao encerramento de contratos vinculados à Rumo.
Por outro lado, a participação de aproximadamente 30% da Cosan na Rumo possui valor de mercado estimado em R$ 8,6 bilhões. Segundo os analistas, esse ativo representa uma das principais alternativas para geração de recursos caso a companhia decida avançar com um processo de venda parcial.
Em termos de valuation, o Goldman Sachs estima que as ações da Cosan negociem com desconto de holding de cerca de 12%. O cálculo considera a participação de 44% na Raízen avaliada a preços de mercado e também os custos de resgate associados à estrutura Cosan 9, criada quando a companhia adquiriu participação na Vale em 2022.
O banco observa, porém, que a Raízen continua focada em reestruturação operacional e redução de dívida, o que pode limitar a distribuição de dividendos no curto prazo. Entre os principais catalisadores para os papéis da Cosan, os analistas destacam o resultado das eleições presidenciais de 2026, o comportamento dos juros brasileiros, possíveis vendas de ativos e a evolução do processo de reestruturação da Raízen, fatores que poderão determinar a velocidade da desalavancagem da holding nos próximos anos.




















