Por que os aeroportos querem imposto zero nas blusinhas
A Medida Provisória que acaba com a ‘taxa das blusinhas’ – ainda não votada no Congresso e perto de expirar – ganhou novos aliados: operadores de aeroportos e empresas de transporte internacional de cargas.
Publicada em 12 de maio, a MP zerando o imposto de importação sobre compras de até US$ 50 criou nos últimos meses uma “forte expansão das remessas expressas e dos investimentos em infraestrutura aeroportuária,” a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Internacional Expresso de Cargas e a Aeroportos do Brasil (ABR) disseram em uma nota conjunta.
“A expansão do setor já se traduz em decisões concretas de investimento. Ao menos três empresas associadas à ABRAEC estão ampliando suas operações no Aeroporto Internacional de Guarulhos,” disse a entidade, que tem em seu quadro grupos como Fedex, DHL e a Cainiao, o braço logístico do Alibaba.
A ABR, por sua vez, tem associadas como a espanhola Aena, GRU Airport, Fraport Brasil, Zurich Airport e Inframerica, que movimentam 99% da carga aérea no País.
Segundo as entidades, a RIOgaleão Cargo recebeu 6,5 milhões de remessas expressas internacionais em junho, volume recorde e 55% superior ao de maio, “com a operação de três cargueiros dedicados.”
Já Viracopos movimentou 3,1 milhões de volumes expressos do exterior em junho, também um recorde e com salto de 121% frente ao mês anterior, de acordo com a ABR.
“Embora esses indicadores abranjam diferentes segmentos e não decorram exclusivamente da MP, evidenciam um ambiente de expansão de frotas, frequências e investimentos,” disseram as associações.
ABR e ABRAEC defendem que a aprovação da MP, que expira em de setembro, daria segurança para a continuidade dos investimentos vistos recentemente no setor aeroportuário devido aos maiores volumes.
Do outro lado da equação, o setor de varejo nacional defende a rejeição da MP que zerou o imposto, alegando que as importações trazem concorrência desleal sem gerar empregos no País.
Uma comissão mista do Congresso para análise do texto da MP chegou a ser aberta ontem e teve sua reunião suspensa, com reabertura agendada para quarta.
O Presidente Lula tem articulado com os presidentes da Câmara e do Senado colocar o texto em votação nos próximos dias. A aprovação da MP seria a concretização de um plot twist – a taxação foi antes defendida pelo próprio Governo e aprovada pelo Congresso em 2024.
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