iFood apresenta queixa no Cade contra rival chinesa Keeta
O iFood, unidade brasileira da Prosus NV, apresentou uma denúncia contra a chinesa Meituan ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão responsável pela defesa da concorrência no Brasil, acusando sua concorrente de praticar preços artificialmente baixos para eliminar a concorrência.
As duas empresas oferecem serviços de entrega de comida preparada por meio de plataformas digitais. A participação de mercado do iFood era estimada em cerca de 75% no ano passado, antes da chegada da Keeta.
A denúncia destaca a intensificação da concorrência por serviços baseados na web no Brasil. No documento enviado ao Cade, o iFood acusa a Keeta de usar as reservas de caixa de sua empresa controladora para subsidiar descontos em pedidos de R$ 250 (US$ 45) ou menos e praticar taxas inferiores às dos restaurantes.
— Não se trata de uma competição baseada em mérito, mas em quem tem mais recursos para financiar, ao mesmo tempo, descontos agressivos para restaurantes e altos pagamentos para entregadores —disse Lucas Marini Pittioni, vice-presidente sênior de assuntos jurídicos, políticas públicas e fusões e aquisições do iFood.
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O iFood está pedindo ao órgão antitruste que investigue a economia unitária das operações da Keeta, empresa da Meituan, segundo documentos aos quais a Bloomberg teve acesso. A Keeta chegou a São Paulo há quase um ano e tem buscado agressivamente conquistar participação de mercado.
Alegações
O Cade já está investigando a dinâmica competitiva no setor local de entrega de alimentos. Em uma nota enviada ao órgão regulador em junho, o iFood alertou sobre os riscos impostos por entrantes com “bolsos fundos” que operam com prejuízos sustentados para consolidar sua dominância.
Em maio, o iFood entrou com uma ação civil contra a Keeta, da Meituan, no tribunal empresarial de São Paulo por concorrência desleal.
Pittioni afirmou que o iFood continua crescendo ano após ano e atingiu um número recorde de entregadores ativos enquanto expande sua base de assinantes, mas acrescentou que os subsídios estão desestabilizando o setor. Sua empresa adicionou recentemente entregas de itens de supermercado, produtos para animais de estimação e produtos farmacêuticos.
Plataformas globais de entrega estão se expandindo para outros países em meio a regulamentações mais rígidas e um crescimento mais lento na China, onde a Meituan enfrentou escrutínio antitruste nos últimos anos.
Em 2025
A Keeta entrou no Brasil em 2025 com um plano de investir US$ 1 bilhão ao longo de cinco anos. A empresa rapidamente conquistou clientes e superou outra concorrente, a Rappi, em número de usuários ativos mensais apenas de três meses após sua chegada, de acordo com Abe Yousef, analista sênior de insights na empresa de inteligência de mercado Sensor Tower.
O iFood alertou que a demora na ação regulatória no Brasil pode levar à repetição de padrões observados em mercados como Hong Kong e Oriente Médio, onde a entrada rápida, subsidiada por elevados gastos de caixa, foi seguida pela saída de concorrentes e, posteriormente, por aumentos nas taxas cobradas dos comerciantes.
Nem a Keeta nem o Cade responderam imediatamente a pedidos de comentários até a publicação da reportagem.
A Meituan reconheceu, em seus resultados do segundo trimestre, que o Brasil é um mercado “muito atraente”, mas também “bem diferente” dos demais mercados.
No início de agosto, o diretor financeiro da Uber, Balaji Krishnamurthy, afirmou que a desaceleração no crescimento das corridas da empresa no segundo trimestre foi atribuída à forte concorrência das plataformas de entrega por motoristas de veículos de duas rodas no Brasil. Uber e iFood iniciaram uma parceria no fim de 2025.






















