Prato leves e com mais proteína: canetas emagrecedoras já mudaram cardápios de 53% das franquias de food service

As canetas emagrecedoras estão fazendo algo que vai além de mexer na balança: elas também estão começando a mudar o que chega ao prato. O avanço dos medicamentos GLP-1 já levou 53% das franquias de alimentação pesquisadas a fazer alguma adaptação nos cardápios.
O movimento inclui mudanças no tipo de prato oferecido e na forma de apresentar as opções ao consumidor.
Segundo a Pesquisa Anual Setorial de Food Service ABF 2025-2026, realizada pela Associação Brasileira de Franchising (ABF) em parceria com a GALUNION Inteligência Estratégica para Foodservice, 52% das redes passaram a destacar opções com apelo saudável.
Outras 48% franquias incluíram alternativas mais leves, enquanto 36% deram destaque a pratos com maior teor de proteína.
Para Simone Galante, fundadora e CEO da GALUNION, o dado chama atenção porque a mudança de comportamento já chegou à operação das franquias.
"Quando mais da metade das redes pesquisadas declara ter feito alguma adaptação no cardápio, estamos diante de um movimento que merece ser acompanhado de perto. Não se trata apenas de reduzir itens, mas de entender novas ocasiões de consumo, tamanho de porções, composição do menu e o papel que a alimentação passa a ter na jornada desse consumidor”, diz Galante.
A transformação dos menus, porém, não acontece apenas por causa dos GLP-1.
De forma geral, 61% das empresas pesquisadas reorganizaram os cardápios para publicação online ou digital. Outras 56% reduziram a quantidade de itens oferecidos e 55% passaram a incluir produtos de receita própria.
Franquias de alimentação faturam mais
As mudanças acontecem em um segmento que segue crescendo. Segundo o levantamento, 94% das empresas pesquisadas registraram lucro no último ano.
O segmento de Alimentação, o mais representativo do franchising brasileiro, faturou R$ 79,862 bilhões no ano passado, alta de 15,6% em relação a 2024. O número de lojas cresceu 3,1%, ultrapassando 900 redes.
No primeiro trimestre de 2026, o movimento continuou. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o número de lojas avançou 4,6%, enquanto o faturamento subiu 14,4%, para R$ 19,594 bilhões.
A rentabilidade também aparece nos resultados: 66% das empresas pesquisadas tiveram lucro acima de 10%. Desse total, 34% ficaram na faixa entre 10% e 15%, enquanto 32% registraram lucro superior a 15%.
Delivery já pesa no faturamento
Para quem acompanha o setor de franquias, outro número chama atenção: o delivery deixou de ser apenas uma alternativa para vender mais e passou a representar uma fatia relevante da receita.
Nove em cada dez empresas pesquisadas (90%) trabalham com delivery. Em média, o canal respondeu por 22,5% do faturamento das operações em 2025.
Para 44% das marcas, a participação já supera 16% da receita.
O avanço também aumentou a competição entre as plataformas de entrega e trouxe para as redes a necessidade de pensar em estratégias próprias para equilibrar alcance, custos, relacionamento e rentabilidade.
O delivery, nesse cenário, passa a envolver também dados, fidelização, conveniência, experiência e construção de marca.
Funcionários são outro desafio
Nem tudo, porém, são boas notícias para as franquias. A principal dificuldade apontada pelas empresas está justamente em quem faz a operação acontecer: os funcionários.
A retenção de colaboradores foi citada por 87% dos respondentes como um problema. Para tentar manter essas equipes, 73% das redes apostam em premiação por metas, 71% em treinamentos operacionais e de gestão e 60% em novos benefícios.
Também aparecem bolsa-estudo (44%), empréstimo consignado (42%) e mudanças no formato de remuneração variável (40%).
Os treinamentos das redes estão concentrados principalmente na operação (92%), abertura de lojas (87%), vendas e atendimento (82%) e delivery (81%). Já novas tecnologias e inteligência artificial aparecem em apenas 26% das respostas.
ESG aparece de maneira tímida
A sustentabilidade também começa a aparecer em decisões mais concretas das operações.
Entre as redes pesquisadas, 53% utilizam embalagens ambientalmente responsáveis.
Outras 40% fazem coleta e destinação de óleo vegetal usado, enquanto 37% realizam coleta seletiva e destinam adequadamente os resíduos.
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