A ação queridinha de Luiz Barsi entra na cobertura do BTG — mas recomendação não é o que se espera
A Unipar (UNIP6) costuma ficar de fora do radar de boa parte dos investidores, mas ocupa um espaço especial na carteira de Luiz Barsi, conhecido como o "Rei dos Dividendos".
O maior investidor pessoa física do Brasil detém 24% das ações preferenciais (que tem prioridade no recebimento de dividendos) e 14% das ordinárias (com preferência de voto) da companhia. Além disso, ocupa o cargo de vice-presidente do conselho de administração da empresa.
Apesar da relevância da posição de Barsi, a ação é pouco acompanhada por analistas de ações do mercado financeiro. Na última quarta-feira (26), porém, a companhia entrou na cobertura da research do BTG Pactual.
Mas a estreia veio sem muito entusiasmo.
Após a primeira avaliação, o banco divulgou uma recomendação neutra para os papéis da Unipar, com preço-alvo de R$ 68 para a ação UNIP6. Esse valor representa um potencial de valorização de 23,2% em relação ao preço atual na faixa de R$ 55.
Segundo os analistas, a Unipar é uma empresa resiliente, mas o mercado já precificou boa parte das qualidades do negócio.
"A Unipar está se tornando cada vez mais uma plataforma de cloro-álcalis, em vez de uma tese baseada nos spreads de PVC, proporcionando uma base de lucro líquido mais resiliente, mas com potencial limitado de crescimento dos resultados a partir dos níveis atuais", afirma o relatório.
O que pode fazer a ação da Unipar subir mais?
Na avaliação do BTG, uma reavaliação mais positiva da companhia dependeria de uma melhora dos spreads de PVC. Ou seja, a Unipar precisa conseguir um lucro maior com a diferença entre o preço de venda do PVC que ela produz para o mercado internacional e o custo que tem com as matérias-primas.
Neste momento, esse lucro está bastante comprimido.
"Com os spreads permanecendo comprimidos e o endividamento acima do que consideramos um nível normalizado, enxergamos espaço limitado para uma reprecificação relevante da ação ou para uma aceleração das distribuições de caixa no curto prazo", escrevem os analistas.
Isso significa que nem mesmo os dividendos, tradicionalmente um dos principais atrativos da companhia, devem funcionar como grande catalisador daqui para frente.
O banco destaca que o recente ciclo de investimentos elevou significativamente as dívidas da empresa, aumentando as despesas financeiras e reduzindo a conversão do lucro operacional em geração de caixa para os acionistas.
Ao mesmo tempo, a prioridade da administração em reduzir o endividamento deve limitar a distribuição de dividendos no curto prazo.
Pelas estimativas do BTG, a ação UNIP6 negocia atualmente com um prêmio de 56% em relação à média histórica.
Já o rendimento de fluxo de caixa para o acionista está estimado em aproximadamente 6% para este ano, abaixo da média histórica de cerca de 13%, enquanto o dividend yield, que é o rendimento em relação ao preço da ação, está estimado em torno de 5%, ante média histórica próxima de 10%.
O que aconteceu com os dividendos?
A avaliação mais cautelosa sobre dividendos está diretamente ligada ao ciclo recente de investimentos da companhia.
A Unipar concluiu nos últimos anos um pacote relevante de expansão e modernização, que incluiu aproximadamente R$ 1 bilhão na conversão da unidade de Cubatão e cerca de R$ 234 milhões na planta de cloro-álcalis de Camaçari.
Para o BTG, esses projetos devem trazer ganhos estruturais importantes para a companhia, fortalecendo sua posição de custos e sustentando o lucro.
A estimativa do banco é que a modernização de Cubatão gere entre R$ 120 milhões e R$ 130 milhões por ano em economias decorrentes da redução dos custos de energia elétrica, vapor e despesas fixas. Mas isso deve levar um tempo para acontecer.
A verdadeira tese da Unipar
Na visão do BTG, a Unipar é uma companhia frequentemente interpretada de forma equivocada pelos investidores.
Isso acontece porque o PVC continua sendo a principal fonte de receita da empresa e foi responsável pela maior parte dos resultados nos últimos anos. Porém, segundo o banco, a dinâmica operacional da companhia começa antes, no negócio de cloro-álcalis.
Nesse processo, eletricidade e salmoura são utilizadas para produzir cloro e soda cáustica. Apenas parte do cloro produzido é posteriormente transformada em PVC.
E essa mudança de perfil do negócio aparece claramente nos números.
Em 2021, o PVC respondia por aproximadamente 77% do lucro operacional da Unipar. Para 2026, a projeção do BTG é que essa participação recue para cerca de 26%.
"Agora, esperamos que os produtos de cloro e a soda cáustica forneçam uma base muito maior de resultados, enquanto qualquer recuperação relevante no PVC deve ser vista cada vez mais como potencial de valorização adicional, e não como parte central da tese de investimento", dizem os analistas.
*Com informações do Money Times.
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