Quanto você teria se tivesse investido R$ 10 mil no Magazine Luiza (MGLU3), Casas Bahia (BHIA3) ou Americanas (AMER3) há cinco anos? Não compra nem uma Air Fryer

R$ 10 mil viraram troco. Quem tivesse investido esse valor em Magazine Luiza (MGLU3), Casas Bahia (BHIA3) ou Americanas (AMER3) há cinco anos teria hoje apenas uma fração do patrimônio.
As três varejistas perderam mais de 97% de seu valor na bolsa no período, mas chegaram até aqui por caminhos bem diferentes: fraude bilionária, recuperações judiciais e extrajudiciais, crise de liquidez e uma transformação profunda do varejo brasileiro.
Com isso, R$ 10 mil aplicados há cinco anos virariam aproximadamente R$ 11 em AMER3, R$ 13 em BHIA3 e R$ 275 em MGLU3, com o reinvestimento dos dividendos.
As ações das varejistas haviam alcançado patamares históricos durante a pandemia, quando o comércio eletrônico virou uma das principais alternativas para as compras dos brasileiros.
De lá para cá, muita coisa mudou. A Selic, que chegou à mínima histórica de 2% ao ano, disparou e hoje permanece em 14%. Os juros elevados aumentaram o custo financeiro das empresas, encareceram o crédito e pressionaram famílias já endividadas. Para completar, as bets passaram a disputar uma parcela da renda disponível dos consumidores.
O ambiente foi especialmente cruel para o varejo de bens duráveis. Geladeiras, televisores, celulares e outros produtos de maior valor dependem bastante do crédito — justamente o que fica mais caro e escasso quando os juros sobem.
A concorrência também aumentou. Amazon, Mercado Livre, Shopee, Shein e AliExpress acirraram a disputa pelo comércio eletrônico e pelos marketplaces, pressionando empresas brasileiras que tentavam encontrar um equilíbrio entre crescimento e rentabilidade.
O resultado aparece na bolsa: Americanas, Casas Bahia e Magazine Luiza perderam mais de 97% nos últimos cinco anos, segundo levantamento de Einar Rivero, da consultoria Elos Ayta. O levantamento considera o preço do dia 26 de agosto.
Retorno nos últimos cinco anos:
CódigoAjustado por dividendos e JCPsSem reinvestir dividendos e JCPsAMER3-99,89%-99,89%BHIA3-99,87%-99,87%MGLU3-97,25%-97,35%Com o que restou do investimento, hoje não seria possível comprar nem uma airfryer, com modelos encontrados a partir de cerca de R$ 300.
Quanto eu teria se tivesse investido R$ 10 mil há cinco anos
CódigoAjustado por dividendos e JCPsSem reinvestir dividendos e JCPsAMER3R$ 11,0R$ 11,0BHIA3R$ 13,0R$ 13,0MGLU3R$ 275,0R$ 265,0O destino foi parecido na bolsa, mas as razões para o tombo são diferentes.
Casas Bahia
O cenário cobrou seu preço na Casas Bahia. A varejista registrou prejuízo líquido recorde de R$ 10,117 bilhões no segundo trimestre de 2026 e, apenas um dia depois da divulgação do balanço, pediu recuperação judicial para renegociar R$ 17,3 bilhões em obrigações.
A crise, porém, vai muito além do rombo bilionário e do ambiente de vendas fracas e juros altos. O maior desafio nem sequer é o endividamento. É a liquidez: a empresa perdeu acesso ao crédito necessário para continuar operando normalmente.
A companhia já havia recorrido a uma recuperação extrajudicial em 2024, envolvendo R$ 4,1 bilhões em dívidas. Saiu do processo no ano passado, depois de negociar com grandes bancos e emitir novas debêntures bilionárias.
A tentativa, porém, não foi suficiente para resolver os problemas financeiros. Com o crédito mais restrito e dificuldades para captar dinheiro novo, a varejista voltou à mesa de negociação com os credores — desta vez, sob a proteção da recuperação judicial.
Magazine Luiza
O Magazine Luiza é o único dos três que não precisou passar por uma reestruturação de dívidas. Isso não significa, porém, que tenha atravessado ileso os anos turbulentos do varejo.
Nos últimos anos, a empresa da família Trajano bancou a decisão de desacelerar as vendas online para não entrar na guerra de preços travada pelos grandes players internacionais — movimento que o CEO Fred Trajano considera irracional.
Agora, a varejista quer voltar a crescer nessa frente, mas não a qualquer custo. No curto prazo, a estratégia segue a velha máxima: se não pode vencê-los, junte-se a eles. Em junho, a companhia firmou uma parceria com a Amazon, em uma iniciativa semelhante à da Casas Bahia, que comercializa parte de seu portfólio no Mercado Livre (MELI34).
Se vender em plataformas de terceiros é uma solução para ganhar escala no curto prazo, a aposta para um horizonte mais longo está dentro de casa: o WhatsApp da Lu. A ferramenta já movimentou R$ 100 milhões em volume bruto de mercadorias vendidas (GMV) desde o lançamento, em novembro do ano passado.
Americanas
Se Casas Bahia e Magazine Luiza foram atingidos pela deterioração do varejo, a Americanas enfrentou uma tempestade particular. Em janeiro de 2023, logo após a revelação de uma fraude contábil bilionária, a companhia pediu recuperação judicial, com dívidas estimadas em R$ 43 bilhões.
Quase três anos depois da descoberta do rombo, a varejista tenta convencer investidores de que aquela Americanas ficou para trás. A operação encolheu, ativos foram vendidos, o modelo de negócios mudou e a geração de caixa passou a ocupar o centro da estratégia.
Enquanto aguarda uma decisão da Justiça sobre o pedido de encerramento da recuperação judicial, protocolado em março, a companhia tenta deslocar a narrativa da sobrevivência financeira para a reconstrução do negócio.
Mas as consequências da fraude ainda não ficaram completamente no passado. A investigação sobre as responsabilidades pelo esquema continua em andamento. Em junho, a Polícia Federal realizou a segunda fase da Operação Disclosure. Entre os alvos estavam Carlos Alberto Sicupira e Paulo Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann.
Já em julho, acionistas minoritários desistiram de um dos procedimentos de arbitragem contra a companhia para concentrar esforços no processo remanescente.
The post Quanto você teria se tivesse investido R$ 10 mil no Magazine Luiza (MGLU3), Casas Bahia (BHIA3) ou Americanas (AMER3) há cinco anos? Não compra nem uma Air Fryer appeared first on Seu Dinheiro.
















