TRXF11 desiste de compra de imóveis de quase R$ 1 bilhão, incluindo ‘prédio do gramado’ na Faria Lima; cotistas comemoram

O TRX Real Estate (TRXF11) desistiu da compra de um portfólio de lajes corporativas avaliado em mais de R$ 1 bilhão, que incluía um dos prédios mais famosos da Faria Lima: o Pátio Victor Malzoni, conhecido por ocupar um quarteirão inteiro, ser espelhado e ter um gramado que recebe muita gente em busca de sol.
E a decisão de voltar atrás foi recebida com alívio pelos investidores. Após o comunicado divulgado nesta quinta-feira (27), as cotas do fundo dispararam 8,24% no pregão.
Para recapitular: no dia 14 de agosto, a gestora anunciou que ia comprar imóveis de dois outros fundos imobiliários, o Catuaí VBI Triple A (BLCA11), dono de algumas unidades no Malzoni, e do Catuaí Vista FL, que possui lajes no Vista Faria Lima.
A transação havia sido anunciada há duas semanas e previa a compra de dois conjuntos de ativos corporativos localizados em regiões consideradas nobres de São Paulo.
O pacote totalizava aproximadamente 19 mil metros quadrados de área locável e tinha valor estimado em R$ 1,03 bilhão.
Desse montante, cerca de R$ 475 milhões estavam destinados à aquisição de cinco lajes na Torre A do Pátio Victor Malzoni, enquanto outros R$ 558 milhões seriam destinados à compra de 12 lajes no edifício Vista Faria Lima.
Porém, a TRX afirmou que notificou os fundos vendedores sobre a inviabilidade da operação. O motivo apresentado foi uma mudança nas condições de mercado que impediriam o comprimento das propostas.
Passo maior que a perna?
Quando anunciou a compra, o TRXF11 apresentou o negócio como mais um passo na estratégia de diversificação do portfólio.
Caso fosse concluída, a operação ampliaria a exposição do TRXF11 ao segmento de escritórios de alto padrão, complementando um movimento iniciado nos últimos anos para reduzir a dependência do varejo e aumentar a presença em outros segmentos imobiliários.
Nas últimas semanas, o TRXF11 vinha enfrentando uma onda de questionamentos sobre seu ritmo de crescimento.
A combinação entre uma alavancagem próxima de 30%, a proposta de uma emissão de até R$ 10 bilhões em cotas e uma sequência de aquisições bilionárias fez parte dos investidores acender o sinal amarelo.
Em evento realizado na quinta-feira passada (20), o CEO da TRX, Luiz Amaral, chegou a conversar com participantes do mercado sobre a estratégia do TRXF11 e assegurou que o objetivo não é "crescer a qualquer custo".
"Não estamos expandindo o TRXF11 para vender a TRX depois. Estamos construindo uma empresa para os próximos 50 anos. No curto prazo, a estratégia é gerar previsibilidade de retorno com o dividendo pingando na conta", afirmou durante o TRX Day.
Em 2025, o patrimônio líquido do FII era de R$ 2 bilhões. Hoje, está em R$ 6 bilhões. Porém, o executivo também disse que não pode garantir que continuará mantendo o atual patamar de dividendos.
Em julho, o fundo imobiliário entregou dividendos equivalentes a 1,02%.
E o BLCA11?
Já a reação nas cotas do BLCA11 não foi animada como no TRXF11.
O fundo imobiliário chegou a cair quase 8% e fechou o pregão desta quinta-feira (27) com desvalorização de 3,72%.
Isso porque a proposta apresentada pela TRX na metade do mês envolvia todos os ativos do portfólio do fundo.
Caso a transação fosse aprovada e concluída, o BLCA11 poderia seguir para um processo de liquidação, o que faria o FII encerrar as atividades e distribuir os recursos para os cotistas.
Com a desistência de compra, o BLCA11 permanece dono das cinco lajes corporativas no complexo Pátio Victor Malzoni.
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