Ibovespa fica no zero a zero aos 174 mil pontos com inflação no Brasil e nos EUA
Ibovespa fica no zero a zero aos 174 mil pontos com inflação no Brasil e nos EUA
O Ibovespa praticamente não saiu do lugar nesta quarta-feira (26), dividido entre uma inflação mais favorável no Brasil e sinais de preços ainda pressionados nos Estados Unidos. O principal índice da B3 fechou em leve alta de 0,01%, aos 174.586,26 pontos, garantindo o sexto pregão consecutivo de valorização.
Pela manhã, o índice chegou a avançar 0,98%, aos 176.296 pontos, maior nível em três semanas, mas perdeu força ao longo da sessão. O movimento ganhou cautela principalmente após a divulgação do PCE nos Estados Unidos, que veio ligeiramente acima das expectativas e manteve no radar a possibilidade de juros elevados por mais tempo.
IPCA-15 ajuda, mas PCE tira força do Ibovespa
No Brasil, o IPCA-15 caiu 0,40% em agosto, ante expectativa de deflação menor, enquanto o acumulado em 12 meses ficou em 4,24%.
Rachel de Sá, estrategista de Investimentos da XP, pondera, porém, que parte relevante da melhora veio de fatores pontuais, como alimentos e o bônus de Itaipu nas tarifas de energia elétrica. “Quando analisamos os detalhes, a percepção geral não muda muito: a inflação de curto prazo traz algum fôlego devido a fatores pontuais”, afirma.
A especialista destaca que os serviços mais sensíveis à política monetária ainda apresentam inflação acima da meta. A XP mantém a projeção de inflação em 5,1% em 2026 e de Selic em 14% ao final do ano, embora enxergue viés de baixa para os juros diante da desaceleração da atividade.
Nos Estados Unidos, o cenário foi menos favorável. A inflação medida pelo PCE ficou acima do esperado, levando a uma abertura da curva de juros americana e pressionando principalmente ações mais sensíveis às taxas.
Cotação do dólar hoje
O dólar à vista encerrou a sessão em alta de 0,22%, a R$ 5,1518, acompanhando o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior.
Segundo Rachel de Sá, a surpresa inflacionária nos EUA foi suficiente para mudar o humor dos mercados e pressionar os juros americanos, movimento que também acabou repercutindo sobre os ativos brasileiros.
Petrobras e bancos ajudam o índice
Enquanto empresas mais cíclicas perderam força com a abertura das curvas de juros, bancos e petroleiras ajudaram a limitar as perdas do Ibovespa.
A Petrobras encontrou apoio em mais uma alta do petróleo, em meio às incertezas sobre a normalização do transporte marítimo e das cadeias globais de suprimentos.
No cenário doméstico, também entrou no radar o Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública. Rachel destaca que a parcela da dívida atrelada à Selic alcançou 53%, aumentando a sensibilidade do custo do endividamento público a períodos prolongados de juros elevados.
Fechamento das bolsas americanas
Wall Street teve uma sessão negativa, pressionada pela leitura do PCE e pela consequente reprecificação das expectativas para os juros americanos. O mercado também ficou em compasso de espera pelo balanço da Nvidia (NVDA), previsto para depois do fechamento.
O resultado da fabricante de chips será um dos principais eventos para os mercados nesta quinta-feira, especialmente diante do peso da companhia e do setor de inteligência artificial sobre os índices americanos.
A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de terça-feira (25), foi de 174.576,80 pontos, com alta de 1,55%.
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