A lição de uma ex-garçonete para descobrir quem realmente tem influência

Ter acesso a pessoas poderosas pode abrir portas para o sucesso, mas não é preciso ocupar um cargo de chefia para identificá-las. A podcaster e autora Mel Robbins diz que aprendeu a reconhecer quem realmente exerce influência quando trabalhava como garçonete em seu primeiro emprego, no restaurante Red Rooster Tavern, em Michigan. A lição, ensinada por sua chefe e mentora Ruth, continua guiando sua trajetória profissional e empresarial.
“Ela me ensinou o segredo para conseguir boas gorjetas: entender quem influencia quem dá a gorjeta”, contou Robbins em entrevista ao Wall Street Journal.
Segundo ela, muitas garçonetes acreditavam que os homens decidiam o valor da gorjeta nas mesas ocupadas por casais. Mas a realidade costumava ser diferente.
“Muitas vezes, as mulheres se voltavam para seus parceiros e diziam: ‘Ela foi ótima, dê uma boa gorjeta para ela’. Então Ruth me disse para ignorar os homens e prestar um atendimento excepcional às mulheres”, afirmou.
A mesma lógica vale nas empresas
Hoje, aos 57 anos, Robbins é apresentadora do The Mel Robbins Podcast, ex-analista jurídica da CNN, palestrante e autora de best-sellers. Ao longo da carreira, entrevistou executivos, empreendedores e líderes de negócios e afirma que desenvolveu um olhar atento para identificar quem realmente tem poder dentro de uma organização.
Na sua visão, raramente é a pessoa com o cargo mais alto ou sentada na cabeceira da mesa.
“Acho que nunca é quem você imagina”, disse. “Observe as pessoas em posições de poder. Quem está realmente próximo delas? Quem elas escutam? Quem controla suas agendas?”
Muitas vezes, segundo Robbins, o verdadeiro influenciador é alguém facilmente ignorado.
“Em muitas empresas, é o assistente quem tem grande influência. Se o assistente gosta de você, consegue marcar uma reunião para você. Consegue colocar seu nome na agenda.”
O poder das pessoas invisíveis
Para Robbins, os profissionais mais influentes costumam passar despercebidos, mas isso não diminui sua importância.
“Estamos sempre olhando para a pessoa no palco, quando, na verdade, a pessoa que está perto da porta, desempenhando um trabalho que todos ignoram, pode ser a mais importante. É essa pessoa que você deve conhecer”, afirmou.
Ela acredita que essa lógica vale para qualquer profissão, seja em restaurantes, universidades, obras de construção ou grandes corporações.
Rede de relacionamentos também é fundamental
A lição não se resume a identificar quem tem influência, mas também a valorizar relacionamentos amplos e genuínos.
Pat Mitchell, ex-presidente e CEO do Paley Center for Media, já afirmou que o poder pode ser medido pela capacidade de conectar pessoas.
“Você pode medir poder pelas pessoas que conhece e pela sua habilidade de conectá-las”, disse Mitchell à revista Fortune.
Segundo ela, construir uma rede sólida pode ser uma das ferramentas mais importantes para o sucesso profissional.
Um simples gesto pode fazer diferença
O empresário Steven Bartlett, fundador do podcast The Diary of a CEO, contou um exemplo que ilustra a ideia de Robbins.
Ele contratou uma candidata cujo currículo tinha apenas duas linhas e praticamente nenhuma experiência profissional. O motivo foi um comportamento observado durante a entrevista.
“A maior razão para eu contratá-la foi porque ela agradeceu ao segurança pelo nome quando entrou no prédio”, escreveu Bartlett em uma publicação no LinkedIn.
Embora não tivesse um currículo impressionante, ela chamou a atenção de alguém que valorizava a forma como tratava os outros.
A mensagem de Robbins é simples: quem exerce influência nem sempre é quem aparece mais. Muitas vezes, as pessoas que parecem ocupar posições secundárias são justamente as que têm o poder de abrir portas.
© 2026 Fortune Media IP Limited

























