TradeLetter Semanal | 26 – 01 Agosto 2026

Fonte: Shutterstock/oatawa

Radar Macro & Mercados

A semana foi marcada por uma nova escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã no Estreito de Ormuz e por uma sequência de indicadores econômicos no Brasil e no exterior. A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter atingido dois navios-tanque que tentavam cruzar o estreito sob escolta aérea americana e atacou uma base dos EUA no Kuwait em retaliação aos bombardeios norte-americanos contra a ilha iraniana de Qeshm. Na frente econômica, o Federal Reserve manteve os juros pela quinta reunião consecutiva, em uma semana marcada também por uma bateria de indicadores nos Estados Unidos, com PIB do segundo trimestre abaixo do esperado, PCE em queda, déficit da balança comercial acima das projeções e taxa de desocupação levemente mais alta. No Brasil, o IPCA-15 de julho surpreendeu positivamente, enquanto o IPP recuou pelo segundo mês consecutivo, reforçando o alívio nos preços ao produtor.


Dólar Ptax (31/07): R$ 5,0773 | Semana: +0,21% | Julho: -1,92% | 2026: -7,73% | 12 meses: -9,37%



Fechamento semanal – em %




Irã ataca navios em Ormuz sob escolta dos EUA e retalia bombardeio no Kuwait: A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atingido dois navios-tanque que tentavam cruzar o Estreito de Ormuz por uma rota considerada “não autorizada”, sob escolta aérea  norte-americana, e que outros quatro mudaram de rota após ignorarem avisos das forças iranianas. No mesmo dia, as forças iranianas afirmaram ter atacado uma base aérea dos EUA no Kuwait em resposta aos bombardeios norte-americanos contra a ilha de Qeshm, no Irã, realizados na véspera. O prédio de uma empresa chinesa no Kuwait foi atingido durante o ataque, sem registro de vítimas entre cidadãos chineses, segundo o Ministério das Relações Exteriores da China.

Ucrânia ataca instalações de energia e logística na Rússia: As forças ucranianas realizaram ataques com drones contra armazéns da empresa de comércio eletrônico Wildberries na região de São Petersburgo, provocando incêndios de grandes proporções. Um segundo ataque atingiu um depósito da mesma empresa na região de Ecaterimburgo. A Rússia, por sua vez, atacou subestações de energia na região de Chernihiv, deixando cerca de 150 mil pessoas sem eletricidade. O padrão de ataques recíprocos à infraestrutura civil e energética dos dois países intensificou-se ao longo do mês de julho.

Fed mantém juros pela quinta reunião consecutiva: O Federal Reserve manteve a taxa básica de juros na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, em decisão aprovada por 9 votos a 3. Os três dirigentes dissidentes – Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan – defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual. No comunicado, o Fed avaliou que a economia segue crescendo em ritmo sólido, com mercado de trabalho estável e forte investimento, mas destacou que a inflação permanece acima da meta de 2%, pressionada pelos preços de energia e por choques de oferta. A autoridade monetária também ressaltou que a incerteza econômica relacionada ao conflito no Oriente Médio segue elevada.

PIB dos EUA desacelera no segundo trimestre e fica abaixo das expectativas: A economia norte-americana cresceu a uma taxa anualizada de 1,5% no segundo trimestre de 2026, abaixo da projeção do mercado, de 2,1%, e inferior à expansão de 2,1% registrada no primeiro trimestre. A desaceleração refletiu a retração dos gastos do governo e a perda de ritmo dos investimentos e das exportações, fatores parcialmente compensados pela aceleração do consumo das famílias. As vendas finais reais aos compradores privados domésticos, indicador da demanda doméstica subjacente, avançaram 3,9%, ante alta de 1,7% no trimestre anterior.

PCE recua em junho, em linha com as expectativas: O índice de gastos com consumo pessoal (PCE) dos Estados Unidos caiu 0,1% em junho na comparação mensal, em linha com a projeção do mercado. O núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, avançou 0,1%, abaixo da expectativa de 0,2%. Em 12 meses, o PCE avançou 3,7%, enquanto o núcleo registrou alta de 3,3%. A renda pessoal cresceu 0,2%, e os gastos com consumo avançaram 0,3%, impulsionados pelo setor de serviços. A taxa de poupança pessoal ficou em 2,7%.

Balança comercial dos EUA registra déficit acima do esperado em junho: O déficit preliminar da balança comercial de bens dos Estados Unidos somou US$ 101,5 bilhões em junho, acima da projeção do mercado, de US$ 100,3 bilhões. O resultado representou uma redução de US$ 4,4 bilhões em relação ao rombo de US$ 105,9 bilhões registrado em maio, refletindo uma queda mais acentuada das importações do que das exportações no período.

Taxa de desocupação no Brasil sobe para 5,4% no trimestre até junho: A taxa de desocupação atingiu 5,4% no trimestre encerrado em junho, em linha com a projeção do mercado e representando alta de 0,2 ponto percentual em relação ao trimestre encerrado em março. O resultado interrompeu uma sequência de recordes históricos de baixa e refletiu a sazonalidade típica do período, com menor absorção de trabalhadores em setores sensíveis ao ciclo escolar.

IPCA-15 de julho surpreende e registra menor variação do ano: A prévia da inflação avançou 0,06% em julho, bem abaixo da projeção de 0,19% e da alta de 0,41% registrada em junho. No acumulado de 12 meses, o índice desacelerou para 4,52%, abaixo da expectativa de 4,67% e dos 4,80% registrados no período anterior. O grupo Habitação registrou a maior alta, de 0,97%, puxada pela energia elétrica residencial, enquanto Alimentação e Bebidas recuou 0,66%, com destaque para as quedas do tomate e da batata-inglesa.

IPP recua pelo segundo mês consecutivo em junho: O Índice de Preços ao Produtor (IPP) recuou 0,77% em junho frente a maio, aprofundando a queda de 0,30% registrada no mês anterior. O resultado foi puxado pelas indústrias extrativas, que caíram 11,85%, em meio à normalização do transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz e ao alívio nos preços do petróleo. No acumulado de 12 meses, o IPP avançou 2,51%, ante 2,00% até maio. No acumulado do ano, o índice registra alta de 3,99%.


Ibovespa — Maiores Altas e Baixas da Semana

Maiores Altas   

Maiores Baixas 


Análise dos Destaques da Semana

Melhor Desempenho: Marfrig (MBRF3)

Preço de Fechamento (31/07/2026): R$ 17,54 | Variação Semanal: +18,19% – A valorização foi impulsionada pela possibilidade de abertura do mercado sul-coreano à carne brasileira. Durante a visita de Estado do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a criação de um grupo de trabalho para destravar as negociações do acordo comercial entre Mercosul e Coreia do Sul, paralisadas desde 2019, e confirmou a realização de uma missão sanitária sul-coreana ao Brasil em agosto, etapa considerada decisiva para o acesso dos frigoríficos brasileiros ao mercado coreano. O movimento também foi reforçado por relatório do JPMorgan, que destacou o potencial impacto positivo da abertura desse mercado para a companhia.

Pior Desempenho: Usiminas (USIM5)

Preço de Fechamento (31/07/2026): R$ 7,36 | Variação Semanal: -13,21% – A queda ocorreu após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026. Embora os resultados tenham vindo em linha com as expectativas, eles não foram suficientes para animar o mercado. A melhora operacional da divisão de siderurgia foi ofuscada pela pressão sobre os custos, pelo enfraquecimento do mercado de aços planos e pelas perspectivas mais fracas para a mineração. O Goldman Sachs avalia que a recuperação das ações dependerá de um ambiente mais favorável para o setor siderúrgico, com menor pressão das importações e espaço para novos reajustes de preços. Para o próximo trimestre, o JPMorgan espera estabilidade nos resultados da siderurgia, mas projeta a rentabilidade da mineração ainda pressionada pelos custos logísticos.



Nota:
As informações desta newsletter têm caráter informativo e não constituem recomendação de investimento.


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