Ranking de investimentos de julho de 2026

Fonte: Shutterstock/Travis Wolfe

Julho de 2026 foi marcado pela recuperação dos ativos brasileiros e das criptomoedas, enquanto bolsas americanas de tecnologia, índices asiáticos, dólar e ouro registraram queda. O cenário refletiu a desaceleração da inflação no Brasil, a manutenção dos juros nos Estados Unidos e o aumento das tensões no Oriente Médio. 

No Brasil, o IPCA-15 subiu apenas 0,06%, abaixo do esperado, fortalecendo a expectativa de fim do ciclo de alta dos juros e favorecendo a entrada de capital estrangeiro na B3. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75%, em decisão dividida. Já a escalada dos conflitos envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã impulsionou o petróleo para perto de US$ 110 por barril, aumentando as preocupações com a inflação global. 

Maiores  rendimentos 

Ethereum (+14,55%) 

O Ethereum foi o destaque positivo do mês, em uma forte recuperação depois de um junho brutal, quando o ativo sofreu com saques pesados dos ETFs à vista e com o corte de cerca de 20% do quadro de funcionários pela Ethereum Foundation, movimento que havia levado o token a cair para perto de US$ 1.560. Em julho, o fluxo se inverteu: a retomada da demanda institucional e dos aportes em ETFs impulsionou a cotação, que voltou a operar perto de US$ 2.000. No Brasil, investidores capturaram esse movimento via ETFs de criptomoedas listados na B3, que também renderam próximo de 15% no mês.

MSCI Brasil (+6,56%) 

Referência para investidores estrangeiros e calculado em dólares, o MSCI Brasil foi beneficiado duplamente: pela volta do fluxo estrangeiro à Bolsa (R$ 2,351 bilhões líquidos na primeira quinzena de julho, após a saída de R$ 7,7 bilhões em junho) e pela valorização do real, que amplia o retorno em dólares para o investidor global. A leitura benigna do IPCA-15 e a visão do Citi, que vê o Brasil como uma espécie de “seguro” de velha economia diante das apostas elevadas em inteligência artificial no exterior, também sustentaram a alocação no país.

B3 BR+ (+4,26%) 

O índice mais amplo da B3, que combina as ações do Ibovespa aos BDRs mais líquidos negociados na Bolsa brasileira, subiu impulsionado por siderúrgicas e mineradoras, beneficiadas pela alta do petróleo e das commodities, além dos bancos e da própria B3, mesmo com parte dos BDRs de tecnologia global sob pressão ao longo do mês.

Bitcoin – R$ (+3,82%) 

Diferentemente do Ethereum, o Bitcoin não chegou a sofrer uma queda tão acentuada em junho e, por isso, teve uma recuperação mais contida em julho, oscilando na faixa entre US$ 57 mil e US$ 65 mil ao longo do mês. Medido em reais por meio dos ETFs de criptomoedas listados na B3, o ganho foi parcialmente reduzido pela valorização do real frente ao dólar, mas ainda assim figurou entre os melhores retornos do mês.

Ibovespa (+3,47%) 

O principal índice da B3 começou julho pressionado pela volatilidade do petróleo sobre a Petrobras, mas se recuperou ao longo do mês com o IPCA-15 melhor do que o esperado, a volta do fluxo estrangeiro e a força de bancos e exportadoras de commodities, chegando a renovar máximas acima de 177 mil pontos. Parte dos ganhos foi devolvida nos últimos dias, após a decisão dividida e mais dura do Fed provocar uma venda generalizada nas bolsas globais, mas o Ibovespa ainda encerrou o mês perto de 178,7 mil pontos. 
 

Menores rendimentos 

Nikkei-225 (-8,14%) 

O principal índice da Bolsa de Tóquio entrou em território de correção em julho, pressionado pela venda generalizada de ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial após a Nvidia comprometer US$ 250 bilhões para sustentar a expansão da OpenAI, o que abalou a confiança no ciclo de investimentos em IA. A escalada das tensões no Oriente Médio e a consequente alta do petróleo também pesaram sobre as exportadoras japonesas, levando o índice de mais de 70 mil pontos no início do mês para cerca de 62 mil pontos ao final de julho.

SSE Composite (-6,4%) 

O principal índice da Bolsa de Xangai recuou depois que o PMI industrial chinês voltou a mostrar contração pela primeira vez desde fevereiro, o PMI de serviços também surpreendeu negativamente e o PIB do segundo trimestre ficou abaixo da meta oficial de crescimento de 4,5% a 5%. A realização de lucros em ações de semicondutores, em um movimento que se espalhou a partir de Seul, e o clima de aversão a risco ligado ao conflito entre Estados Unidos e Irã completaram a pressão sobre as ações chinesas.

Nasdaq Composite (-3,20%) 

As ações de tecnologia americanas tiveram um dos piores meses do ano depois que a Nvidia se comprometeu a garantir US$ 250 bilhões para apoiar a expansão da OpenAI, intensificando as dúvidas dos investidores sobre se os gigantescos gastos com infraestrutura de inteligência artificial vão se traduzir em receita à altura. A Apple chegou a superar a Nvidia como a empresa mais valiosa do mundo em meio à rotação, e a decisão dividida e mais dura do Federal Reserve, em 29 de julho, agravou a venda generalizada nos últimos pregões do mês.

BDRX (-2,04%) 

O índice que mede o desempenho médio dos BDRs não patrocinados negociados na B3, fortemente concentrado em Nvidia, Apple e Microsoft, seguiu de perto a fraqueza da Nasdaq. As mesmas dúvidas sobre os gastos com inteligência artificial, somadas à desvalorização do dólar frente ao real, que reduz o retorno em reais dos ativos estrangeiros, pesaram sobre a cesta de papéis.

Dólar Ptax (-1,92%) 

O real se valorizou frente ao dólar ao longo do mês, sustentado pela volta do capital estrangeiro à Bolsa brasileira e pela leitura benigna do IPCA-15, que reduziu o prêmio de risco doméstico, mesmo com o tom mais duro do Fed oferecendo apenas suporte limitado à moeda americana no cenário global. A cotação Ptax fechou julho em R$ 5,0773, ante R$ 5,1766 no fechamento de junho.

Julho de 2026 foi positivo para os ativos brasileiros e as criptomoedas. Bitcoin e Ethereum se recuperaram das quedas de junho, enquanto a desaceleração da inflação, a entrada de capital estrangeiro e a valorização do real favoreceram o mercado local. Em contrapartida, ativos de tecnologia, como Nasdaq e BDRX, e bolsas asiáticas, como Nikkei-225 e SSE Composite, registraram perdas em meio às preocupações com o crescimento global, às tensões no Oriente Médio e à desaceleração da economia chinesa. Dólar e ouro também fecharam o mês em queda. 

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