TradeLetter Semanal | 17 – 23 Maio 2026

Fonte: Shutterstock/Jinning Li

Radar Macro & Mercados

Os esforços diplomáticos para mediar o conflito no Oriente Médio, aliados à liberação parcial do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz e à prorrogação da isenção americana para o petróleo russo, buscam criar alternativas para conter os riscos de desabastecimento global e reduzir a aversão ao risco nos mercados. Ainda assim, o cenário internacional segue marcado por fortes pressões inflacionárias e pela manutenção de juros elevados nas principais economias. Esse ambiente restritivo drena a liquidez dos países emergentes e intensifica a saída de capital estrangeiro da B3.

 

Fechamento semanal – em %



 

Esforços diplomáticos do Paquistão buscam colocar um ponto final no conflito entre EUA e Irã: O governo paquistanês ampliou os esforços diplomáticos e tem atuado como canal de comunicação entre Washington e Teerã. As autoridades buscam negociar propostas para reduzir os atritos na região e viabilizar uma saída diplomática para a crise.

Retomada parcial no fluxo de navios no Estreito de Ormuz: O Irã liberou a travessia de várias embarcações na região sob a coordenação da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC).

Isenção americana ao petróleo russo é prorrogada para conter crise energética: Os Estados Unidos estenderam por mais 30 dias a isenção de sanções para carregamentos de petróleo russo em alto-mar. A medida busca aliviar a pressão sobre o mercado global de energia e evitar o desabastecimento, uma vez que a circulação foi fortemente impactada pela guerra no Oriente Médio e pelo bloqueio no Estreito de Ormuz.


 

Rendimento das Treasuries de 30 anos ultrapassa 5%: O encarecimento da energia e o cenário de aversão global ao risco levaram os mercados a precificar uma inflação mais persistente, empurrando o rendimento das Treasuries de 30 anos para acima de 5%, o patamar mais alto em 19 anos. Esse movimento drena a liquidez dos mercados emergentes e direciona o fluxo global de capital para os Estados Unidos.

Novo presidente do Fed assume sob pressão política e inflacionária: O novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, assume o cargo sob dupla pressão. De um lado, a aceleração da inflação impulsionada pela guerra no Oriente Médio e pela alta do petróleo. Do outro, as pressões políticas causadas pelas cobranças por juros mais baixos. Entretanto, apesar dos rumores e das declarações dos últimos meses, o presidente norte-americano, Donald Trump, aproveitou a cerimônia de posse para reiterar a independência do Fed e amenizar ruídos.

IBC-Br aponta retração em março, mas consolida alta no primeiro trimestre: O Índice de Atividade Econômica do Banco Central recuou 0,7% em março, impactado pela incerteza gerada no primeiro mês da guerra no Irã, que afetou de forma antecipada as expectativas e freou os investimentos. Apesar da retração na comparação mensal, o indicador acumulou uma expansão de 1,3% no primeiro trimestre.

Fuga de capital estrangeiro direciona B3 para o pior maio em cinco anos: Com uma saída de R$ 10,1 bilhões em capital estrangeiro, a B3 caminha para registrar o pior mês de maio em cinco anos. A perda de atratividade do prêmio de risco local diante das altas taxas de juros americanas desencadeou uma forte pressão vendedora, interrompendo o ciclo de alta do Ibovespa.

Inflação da Zona do Euro sobe para 3% em abril com choque energético: Os preços ao consumidor na Zona do Euro registraram o terceiro mês consecutivo de alta. O movimento foi puxado pelo setor de energia, cuja taxa disparou de 5,1% em março para 10,8% em abril, impulsionada pela alta do petróleo e do gás após o bloqueio no Estreito de Ormuz.

 



Ibovespa — Maiores Altas e Baixas da Semana

Maiores Altas 

Maiores Baixas 



Análise dos Destaques da Semana

Melhor Desempenho: Azzas 2154 (AZZA3)

Preço de Fechamento (22/05/2026): R$ 20,72 | Variação Semanal: +9,92% – A valorização foi impulsionada pelas expectativas do mercado em torno dos desdobramentos de uma disputa entre seus principais acionistas, Alexandre Birman e Roberto Jatahy. O desenho de uma possível separação societária envolveria a criação de três listadas separadamente, estratégia que tem potencial para destravar valor significativo ao isolar a Farm, considerada o ativo mais premium e de maior crescimento do grupo, abrindo caminho para sua listagem independente e expansão global.

Pior Desempenho: Hapvida (HAPV3)

Preço de Fechamento (22/05/2026): R$ 12,05 | Variação Semanal: -9,13% – A forte aceleração da judicialização contra os planos de saúde no Brasil voltou a colocar a Hapvida no centro de uma crise setorial, pressionando seus custos e margens operacionais. O aumento relevante nos bloqueios judiciais líquidos e nas despesas com contingências tem consumido uma parcela significativa da receita líquida da companhia, elevando o risco financeiro e gerando temor no mercado sobre os impactos prolongados no lucro e na geração de caixa da operadora.



Nota:
As informações desta newsletter têm caráter informativo e não constituem recomendação de investimento.


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